A força das mulheres no mercado de startups do Brasil

O empreendedorismo feminino alcançou notoriedade nos últimos anos e trouxe mudanças para o mundo empresarial. Atrás da equidade e equiparação de direitos, as mulheres têm reivindicado reconhecimento como protagonistas de um mercado antes alcançado, em sua maioria, apenas por homens. De acordo com o Anuário das Mulheres Empreendedoras, elaborado pelo Sebrae em 2013, a participação […]

O empreendedorismo feminino alcançou notoriedade nos últimos anos e trouxe mudanças para o mundo empresarial. Atrás da equidade e equiparação de direitos, as mulheres têm reivindicado reconhecimento como protagonistas de um mercado antes alcançado, em sua maioria, apenas por homens.

De acordo com o Anuário das Mulheres Empreendedoras, elaborado pelo Sebrae em 2013, a participação feminina em micro e pequenas empresas aumentou consideravelmente em uma década. A média de mulheres cresceu em ritmo superior aos dos homens, 7,2% contra 5,4% ao ano, respectivamente. No programa InovAtiva Brasil de 2016, 16% das mentores são mulheres e no grupo dos empreendedores, 13% são do público feminino.

Nos exemplos de mulheres que compõem o time de empreendedoras, encontramos Melina Guelman, CEO do Menu for Tourist, um aplicativo que reúne cardápios de restaurantes brasileiros traduzidos em até oito idiomas. Com 28 anos, a publicitária acredita que as mulheres podem alcançar o que quiserem em todas as áreas de trabalho. ‘‘Eu vejo mulheres reclamando de preconceito, mas nós temos que ser ágeis e provar que somos capazes. Quando uma mulher se encanta por algo, existe um diferencial. Quando ela lidera, o projeto tem uma visibilidade diferente’’, reforça.

A ideia da plataforma surgiu há um ano e meio, quando Melina notou as críticas dos turistas que estiveram na Copa do Mundo de 2014 reclamando da falta de acesso aos cardápios. ‘‘Quando o turista veio para as Olímpiadas no Rio de Janeiro, o surpreendemos com um diferencial: um aplicativo oficial com toda a facilidade que o visitante precisa’’. E como a função de uma startup é realmente solucionar problemas, a mentorada pelo programa InovAtiva Brasil exalta a importância da troca de ideias que acontece na aceleração. ‘‘Temos uma conexão maravilhosa com os mentores e também podemos trocar ideias com todos os empreendedores e ver as soluções que surgem. Todos torcem um pelo outro e isso é realmente incrível’’, comemora.

Fernanda Davidovici, gestora da Caravel Corporate Finance e mentora do programa, já teve experiências complicadas no mercado. ‘‘Uma vez fui mentora de quatro homens, todos mais velhos que eu. A sensação que eu tinha era que eles me olhavam se questionando como eu podia ajudá-los’’, comenta. Segundo ela, foi preciso ser hábil para mostrar que estava ali para ajudar. ‘‘Me posicionei de forma que eles soubessem que eu os respeitava e mostrei que meu lado era apoiá-los. No final, foi algo engraçado pois eles queriam entrar no mercado da moda que é um mercado muito mais feminino que masculino. Então nós fomos ajustando e chegamos a um final tranquilo’’, brinca Fernanda.

Para ela, o trabalho do mentor vai além de qualquer diferença entre os gêneros. ‘‘É muito legal ouvir que as pessoas estão desenvolvendo coisas novas, pois, além de mentora, eu também sou empreendedora’’. Para ela, isso acontece não só pelo fato de se impressionar com as criações, mas como essas inovações estão intimamente ligadas com o desenvolvimento do país. ‘‘São novas cabeças pensantes, trazendo coisas geniais para o mundo. É muito bom pois eu posso compartilhar minha visão e o que eu tenho aprendido por aí com outras pessoas’’, enfatiza Fernanda.

Ela finaliza com o pensamento de que todos os mentores disponibilizam tempo para apoiar os empreendedores. ‘‘Pode parecer clichê, mas realmente estamos aqui pois acreditamos nos projetos. Assim como eu tenho um mentor que me apoia na minha startup, eu também posso colaborar com o meu conhecimento. Ninguém sabe tudo. A ideia é aprender com todos. O nome disso é cooperação’’, conclui.

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