Conheça os principais conflitos na gestão entre os sócios

Muitos conflitos poderia ser evitados logo no início. Descubra neste artigo como evitar muitos problemas que podem tirar o foco do seu negócio.

Por Alexandre Ouriques de Castro*

Acompanho há alguns anos o cenário de startups no Brasil e neste ano de 2017 comecei a atuar bem mais de perto, conversando com muitos empreendedores e também atuando como investidor anjo e mentor. Lendo e conversando com outros investidores e mentores, aprendi bastante em como avaliar uma startup, olhando principalmente o projeto em si, o mercado de atuação e o time. O que me impressionou bastante foi a grande quantidade de startups em que, desde o começo, já existem conflitos societários entre os sócios e entre os sócios e investidores. Vi várias empresas interessantes, com muito potencial, que não conseguem crescer por brigas e confusões internas.

Já é tão difícil empreender no Brasil, com todos os riscos inerentes do mercado, além das nossas ‘jabuticabas’, como juros altíssimos, pouco acesso ao dinheiro, riscos trabalhistas, complexidade fiscal e por aí vai. Para dificultar, os nossos empreendedores ainda arranjam problemas internos, que poderiam ser evitáveis. Fiquei refletindo bastante sobre o porquê disso. Quais são as principais razões destes conflitos? Eles poderiam ser evitados? Comparando com outros países, como estamos? Abaixo estão algumas das razões que mapeei como possíveis causas desses conflitos:

– Otimismo exagerado: Isso significa que ninguém pensa o que fazer se as coisas não saírem como planejado (numa startup, as coisas nunca saem conforme o planejado!). Falta alinhar as expectativas de todos, com os pés no chão.

– Falta de maturidade dos empreendedores: Existe muita gente jovem abrindo startups, o que é espetacular. Eu fico espantado com a capacidade desta nova geração de empreendedores. Tem muita gente muito jovem e muito boa. Por outro lado, gerir pessoas, mediar conflitos, receber muito mais notícias ruins do que boas (o que inevitavelmente acontece numa startup) não é tarefa para qualquer um. Além da inteligência lógica e espacial, que praticamente todo empreendedor de tecnologia tira de letra, as inteligências emocionais e interpessoais são fundamentais para o sucesso, principalmente a empatia e resiliência. E essas duas se aprende muito com a experiência e idade.

– Nossa cultura: Comparando a nossa cultura com a de outros países, principalmente os anglo-saxões e asiáticos, posso afirmar por experiência própria que temos muito mais dificuldade de separarmos o profissional do pessoal, de sermos mais produtivos no trabalho. O fato de termos o ‘sangue quente’ atrapalha muito mais que ajuda no convívio profissional. Isso tudo acaba influindo no relacionamento entre os sócios.

– Contrato mal feitos (ou falta de contratos): Eu sei que lá no começo de uma startup, com tanta coisa para se fazer, os sócios acabam deixando de lado e não definem bem os direitos e deveres de cada um, prever situações adversas e colocar tudo isso no papel. Como esses assuntos não ficam bem definidos, quando os problemas começarem a acontecer, cada um quer resolver do seu jeito. Esse talvez seja a maior causa dos conflitos que mencionei aqui.

E você, o que acha? Por quê temos tantos problemas desse tipo?

* Alexandre Ouriques de Castro é executivo, investidor anjo e mentor do InovAtiva Brasil.

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