11 mulheres e um segredo! Os desafios do empreendedorismo feminino

No dia Internacional da Mulher convidamos 11 empreendedoras para contar um pouco sobre como é empreender em uma startup. Descubra os segredos de cada uma delas para criar negócios inovadores e superar os desafios!

Empreender no Brasil não é fácil. A elevada carga de impostos, a burocracia e a dificuldade de acesso a capital são um dos principais problemas que os brasileiros enfrentam na hora de empreender. Mas além dessas dificuldades, uma parcela significativa da população precisa lidar com uma série de problemas adicionais na hora de empreender.

Para as mulheres, empreender é um pouco mais difícil, existem inúmeras outras barreiras que elas precisam superar. Além das estatísticas que estamos acostumados (mas que não deveríamos!), que mostram que, na média, os homens possuem salários maiores que os das mulheres e que cargos gerenciais são ocupados majoritariamente por homens, um relatório realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), revela que os investidores estão 60% mais propensos a investir em empresas lideradas por homens do que por mulheres.

Embora 51% dos novos negócios no país são liderados por mulheres, 48% empreendem por necessidade, pois precisam complementar a renda ou buscar recolocação no mercado de trabalho, enquanto para os homens, esse número cai para 37%. Ou seja, há mais mulheres iniciando negócios por necessidade do que por identificar oportunidades de mercado.

Além disso, um levantamento do Sebrae identificou o perfil das empreendedoras, mostrando que estão concentradas principalmente em quatro áreas de atuação: restaurantes (16%), serviços domésticos (16%), cabeleireiros (13%) e comércio de cosméticos (9%). A maior parte delas empreendem dentro de casa (35%).

A dificuldade é ainda maior quando a mulher empreende em segmentos predominantemente masculinos, como o caso de tecnologias, agronegócio e outros. Camila Achutti, CTO do MasterTech, colunista da Época Negócios e criadora do site Mulheres na Computação argumenta que as mulheres são a maioria no ensino superior e estudam mais tempo que os homens, mas ainda são uma minoria na no setor tecnológico.

As estatísticas mostram que o cenário não é favorável às mulheres quando o assunto é empreendedorismo. Mas por outro lado, uma pesquisa realizada pela consultoria McKinsey revela que ter mulheres em cargos de liderança aumenta em 21% a chance de uma empresa ter desempenho acima da média.

No InovAtiva conhecemos muitas mulheres que estão empreendendo e ajudando a construir uma realidade melhor para elas e para as mulheres em geral. Conheça alguns negócios liderados por mulheres empreendedoras e inspire-se com os desafios delas:

Pollini Jorio

35 anos, CEO da Feedback House

Meu maior desafio é conciliar filho com vida profissional, pois você não tem licença maternidade sendo empreendedora. Em outubro de 2017 meu bebê tinha 2 meses e tive que ir a trabalho para o Vale do Silício. Ter uma boa rede de apoio é necessário, pois viajei com minha mãe e o bebê. Foi bem difícil, mas excelente profissionalmente! Se eu pudesse mudar alguma coisa daria mais espaço para as mulheres na mídia e no mercado de trabalho.



Andrea Miranda

CEO e CTO da Standout

As dificuldades das mulheres empreendedoras não são muito diferentes das dificuldades das mulheres em geral. Precisamos provar nosso valor (e da nossa empresa) de forma muito contundente, ou então demonstrarmos que entendemos profundamente de um determinado assunto “mesmo sendo uma mulher”. Um dos maiores desafios no início, foi não sermos conhecidos das grandes empresas e estarmos apresentando a elas o conceito novo de Inteligência em Trade Marketing Digital. Foi preciso muita resiliência da nossa parte, até que nos tornássemos referência nesse mercado. Nossos investidores e também nossos mentores no InovAtiva nos apoiaram muito e fizeram várias pontes com Indústrias e possíveis prospects. Foram algumas indicações que abriram muitas portas. Se eu pudesse mudar alguma coisa seria a educação no Brasil, para que ensinássemos cada vez mais e para mais crianças os conceitos de igualdade de gêneros e respeito à diversidade.



Camila Tavares Mota

28 anos, CEO da Turnit Healthcare

É um desafio ser mulher e ser respeitada ao falar com propriedade sobre tecnologia. Se tratando das últimas invenções ou descobertas, as mulheres ainda são a minoria, entretanto, devemos nos inspirar naquelas que conseguiram alcançar seu lugar ao sol no mundo de inovação, como Grace Hopper (COBOL), Marie Curie (radioatividade), Stephanie Kwolek (kevlar). Se eu pudesse mudar alguma coisa incentivaria mulheres empreendedoras a participarem mais do mundo masculino da engenharia, tecnologia da informação, entre outros. Existem iniciativas fantásticas, como o She’s Tech, que apoiam e incentivam mulheres a seguirem seus sonhos, dentro da carreira de TI.



Marcilene Scantamburlo Fonseca

39 anos, CEO da Mentor

O maior desafio que enfrento é a ausência. Nesse exato momento estou em Austin, Texas, participando de um dos maiores congressos mundiais, sobre educação e tecnologia. Sou empreendedora, mãe e esposa. Minha filha tem 3 anos e ficar longe dela é bem difícil. Penso que minha filha terá muito orgulho de tudo que eu fiz quando ela crescer e, embora às vezes chore, principalmente quando estou longe e, na TPM, procuro não me esquecer disso. O mais importante não é o tempo que passo com a minha família e sim a qualidade do tempo. Assim quando estou com eles (filha e marido) esqueço-me do trabalho e me dedico à atenção que precisam. Se eu pudesse mudar alguma coisa para tornar mais fácil a vida das mulheres empreendedoras, criaria um espaço nas empresas onde pudessem ficar mais próximas de seus filhos. Ensinaria como trabalhar em casa (home office) com qualidade e também compartilharia como eu consigo conciliar tudo: empreendedora, professora em várias universidades, mãe, esposa, filha, enfim como trabalhar focada para ter mais tempo.



Monica Hauck

38 anos CEO da Solides

Mulheres recebem menos investimento que homem, isso é estatisticamente comprovado. Certamente este é um ponto de atenção, mas eu ignoro as estatísticas e corro diariamente atrás de números incontestáveis. Precisamos fazer um trabalho de educação e sensibilização com investidores. O empreendedorismo feminino pode ser melhor.



Silmara Neves

51 anos, Diretora Administrativa e Comercial da IQX

O maior desafio que eu e minha sócia temos encontrado é o de “colocar” os aditivos IQX no mercado. Embora “inovação” esteja em pauta, principalmente, nos últimos anos, há resistência na utilização de novos produtos e uma avaliação inicial focada em redução de custo e não na relação de custo/benefício que um novo produto pode trazer. Enfrentamos este e muitos outros desafios de empreender, com muita convicção no que fazemos e, sobretudo, com resiliência. Temos desenvolvido uma enorme capacidade de “chacoalhar a poeira e dar a volta por cima”! Acredito que a mudança já está em curso mas, continuaria investindo em disseminar a igualdade de gêneros. Portanto, investiria hoje e sempre em educação de qualidade, que prepare os indivíduos para concretizar os sonhos. A competência independe do gênero!



Silvia Paulo de Azevedo

Diretora Administrativa da FIT – FINE INSTRUMENT TECHNOLOGY

No Agronegócio ainda existe muito machismo e muitas vezes sinto que o cliente fica desconfortável em negociar com uma mulher, mas tento sempre “ler” esse desconforto e tornar esse detalhe irrelevante. É uma habilidade que estou aprimorando. Já na empresa não tenho problemas com machismo, minha equipe é muito jovem então e essa geração já está bem resolvida quanto a isso. Nunca pensei no fato de ser mulher como um fator negativo para empreender, na verdade acho que temos muitas vantagens como ser multitarefas e ter aquela sensibilidade que chamam de intuição feminina. Mas posso destacar alguns desafios, nossa empresa está em fase de tração, então nosso maior desafio é vender. Nossos clientes são do setor Agro e estão espalhados por todo o Brasil, preciso conciliar as obrigações domésticas com a necessidade de viajar. Eu, particularmente contorno isso bem, pois não tenho filhos, tenho um marido que me apoia e consigo coordenar muitas coisas a distância. Para mulheres com filho seria muito mais difícil. Acho que a única coisa a mudar é a cabeça de algumas pessoas que ainda acreditam que o gênero pode afetar a competência.



Georgia Oliveira Winocur

32 anos, CEO da Energié

Meu maior desafio é não me perder no operacional e sim ter foco ao máximo que posso ao estratégico. Recentemente fiz mudança na estrutura para poder me dedicar ainda mais ao estratégico da empresa. Hoje o estamos implementando uma área comercial e focados na expansão da Energié. Se eu pudesse mudar alguma coisa criaria um ecossistema onde a união é a base. Hoje todas na minha equipe são mulheres e a união faz parte do nosso DNA.



Roberta Nogara

24 anos, CEO da Agropixel Soluções Inteligentes

Sinto que as pessoas dão pouca credibilidade quando se é uma mulher empreendedora, especialmente quando é nova, além disso no meu caso tem o agravante de estar no agronegócio. Acredito que seja importante ter um diálogo aberto sobre o medo que muitas mulheres têm de ter que dividir a vida entre a família, relacionamentos e o empreendedorismo.



Amanda Luizetto dos Santos

37 anos, CEO da Nanomed

O maior desafio como empreendedora é tornar a inovação em inspiração, em benefício para as pessoas, com resultados visíveis. Acredito que hoje a mulher vem se destacando como empreendedora e sua participação está sendo difundida, com inspiração no compartilhamento de histórias. Eu não mudaria nada, acho fascinante a trajetória feminina no mundo dos negócios e o caminho que está sendo desenhado. Tenho certeza que isto é só o começo de um mundo mais igualitário frente a liderança e criação de muitas empresas.



Tayla Simões Santos

24 anos, COO da Smart Brace

Os maiores desafios ao empreender são com relação à gestão da empresa, já que a minha formação é técnica. Então procuro conversar com mentores, sigo os bons exemplos de empresas de sucesso e assim consigo fazer uma boa gestão de toda a empresa. Eu gostaria de inspirar mais mulheres a correrem riscos e errar, pois é com os erros que crescemos e nos desenvolvemos, como pessoa e como empresa.

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