Agronegócio em 2019: o que espera o setor

Um dos mercado mais antigos do Brasil apresenta boas tendências para 2019

Considerando o período de 2013 a 2018, mesmo com o Brasil em crise e com a diminuição do investimento no setor, o agronegócio continuou crescendo em função da expansão dos países importadores de commodities brasileiras, como a China e Estados Unidos, que estimularam o aumento de produção agrícola para exportação.

De acordo com Gustavo Alves, sócio fundador da Nagro Crédito Agro, acelerada pelo programa InovAtiva Brasil 2017.2, a recessão econômica veio para destacar os segmentos que até então não tinham tanto interesse do mercado. “Como os outros setores da economia estavam em queda (serviços e indústria), os olhos do mercado se voltaram para o agronegócio. Eu vi que a área ganhou notoriedade frente ao até então mercado resiliente”, ressalta Alves.

Em 2019 estima-se que o agronegócio continue em progresso. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Produto Interno Bruto (PIB) dos negócios agrícolas deve registrar um crescimento de 2% no próximo ano.

“Eu vejo que há muito espaço para expansão do agronegócio no Brasil. O país ainda tem 40% de terra agricultável não explorada, então provavelmente ainda teremos aí alguns anos de aumento sem ter que usar reserva ambiental e áreas protegidas”, comenta o empreendedor.

Contudo, o sócio fundador da Nagro Crédito Agro salienta que o valor agregado das mercadorias agrícolas ainda é muito baixo comparado ao capital empregado para a importação de tecnologias, o que gera um déficit muito grande na balança comercial. Isso, no curto prazo, pode ser interessante para manter a economia aquecida, mas com o tempo pode prejudicar o setor.

“Eu costumo dizer que a gente vende soja para comprar iPhone, ou seja, se produz mais para comprar menos e mais caro. O ideal seria equilibrarmos essa exportação de commodities para atrair investimento de capital estrangeiro e, com este montante, adquirir as novas tecnologias”, afirma Alves.

O único problema é que para o investidor estrangeiro, o Brasil não é um país atrativo, visto que sua economia tem permanecido instável nos últimos anos. Além disso, a regulamentação brasileira dificulta muito a importação de produtos e a entrada de investimento de capital estrangeiro.

Porém, de maneira geral, a expectativa é de que o próximo ano seja positivo para o agronegócio. Mesmo com os desafios e incertezas do país, o mercado agrícola está em condição vantajosa devido a guerra comercial entre Estados Unidos e China.

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