Aporte de capital em uma startup nem sempre é a solução

Injeção de dinheiro nas empresas pode mascarar sérios problemas de gestão e até exacerba-los

aporte startup

Ao longo dos últimos anos mentorando desde start ups até empresas mais maduras, ouvi centenas de vezes a seguinte frase: “preciso de aporte de capital, logo preciso de um investidor”. Em alguns casos, isso até é verdade, mas na maioria das vezes, as pessoas veem o dinheiro como solucionador de problemas, sem sequer analisar outras variáveis tão importantes quanto, para a saúde de um negócio.

Em alguns casos que avaliei pessoalmente, cheguei a constatar que se houvesse aporte de, digamos 100 mil reais, os problemas ganhariam escala na mesma proporção. Se pensarmos no termo engenhosidade – que significa gerir melhor os recursos limitados de que dispomos – iremos fazer uma análise mais fria e menos superficial do nosso empreendimento e entender se aporte de capital no momento é realmente a solução.

Lembrando que com esse aporte, vem a responsabilidade de prestar contas e dar uma devolutiva em um tempo calculado para este ou estes investidor(es) e isso inclusive coloca uma carga maior de responsabilidade nas costas do gestor. Quando a decisão é bem tomada, normalmente vem o dinheiro e a experiência canalizada como mentoria, desse investidor. Mas quando essa não é a solução, como dito anteriormente, vem mais problemas.

Negócios precisam de gestão e de processos. Muitas vezes os empreendimentos possuem bons recursos – capital humano, recursos de matéria prima, conhecimento, equipamento, etc – mas estão tão viciados e presos no automatismo, que não conseguem pensar fora da rotina. E é nesta hora que a mentoria, mesmo sem o aporte, pode ajudar. Quem tem experiência e olha de fora, consegue detectar muitas vezes questões até simples que passam despercebidas. Assim como na vida pessoal, para quem está dentro do problema, é sempre pior. Mas precisamos sair um pouco desse “vórtice” e olhar de fora para dentro.

Entender primeiro quais são as deficiências do negócio – pessoas inadequadas, falta de processos, etc. é o primeiro passo. Uma vez entendida a necessidade, reorganiza-se a estrutura, com recursos internos primeiramente e então, sendo necessário, buscam-se no mercado outros recursos.

Mas deixemos de ver o aporte de capital como única solução para os problemas, como se o dinheiro tivesse um poder “mágico”. Se não formos capazes de detectar as deficiências do nosso próprio negócio, como teremos olhar crítico para podermos oferecer algo melhor para o nosso consumidor? Essa disciplina é fundamental para termos negócios saudáveis na economia.

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Sobre a autora: Adriana Vale
Adriana Vale é Mestre em Gestão de Negócios pela Hodges University, EUA, empresária, professora de pós graduação da FACHA, mentora e avaliadora de várias bancas consagradas no mercado como InovAtiva, Iniciativa Jovem Shell, entre outros. Com 22 anos de experiência em Gerência de Produtos, Marketing, Planejamento Estratégico e Inteligência de Mercado, atuou durante 18 anos em multinacionais como GSK, IBM, Coloplast, Fresenius, Bank of America USA e apresentou um projeto de CRM de sua autoria no Vale do Silício em 2012. Hoje trabalha com projetos de viabilidade e posicionamento de negócios e desenvolveu um programa de gestão de negócios eficiente, orientando empreendedores a gerir melhor seus recursos em prol de melhores resultados.
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