Esta sessão é destinada para publicação de artigos escritos pela comunidade InovAtiva

O que é, afinal de contas, Open Innovation?

Open Innovation… tenho certeza de que você, caro empreendedor, já ouviu falar sobre esse termo em algum momento nos últimos anos, certo?! Pois bem! Como aqui no InovAtiva nosso papel é ajudar e fomentar conexões e conhecimentos, batemos um papo com Demian Talil, Mentor InovAtiva, sobre esse conceito que ganha cada vez mais destaque nas mesas de negociações mundo afora.

Demian é formado em Engenharia Mecatrônica, onde teve seu primeiro contato com o mundo do empreendedorismo, fundando a Empresa Júnior de Engenharia, na PUC/MG. Contabiliza também passagem pela EMBRAER, fundou a Explore Viagens, entre outras experiências. Já nessa época, Demian era abordado para contar sobre sua coragem de sair do mundo corporativo e empreender. Atualmente, V é CEO da FCJ, um dos maiores grupos de venture building do Brasil.

“Uma das coisas que sempre falava nessa época é que se você quer empreender, pense que você não vai fazer apenas aquilo que você gosta. Você precisará cuidar da parte financeira, departamento pessoal, entre outros departamentos. Com isso eu acabava dando um, vamos dizer assim, banho de água fria. Na verdade, minha intenção era mais dar um banho de realidade, para que a pessoa tivesse uma visão real daquilo onde iria entrar”, explica. 

Demian Talil, CEO da FCJ e Mentor InovAtiva (Foto: Divulgação)

 

Em linhas gerais, Open Innovation significa a mudança nas formas de desenvolver ideias e soluções dentro de grandes empresas. Segundo Talil, Inovação Aberta tem ligação com buscar soluções ‘fora de casa’, ou seja, pensar fora da caixa usando recursos que não estejam, necessariamente, dentro da própria empresa. 

“Um dos pontos interessantes é observar que inovação aberta pode ir muito além de envolver outras pessoas e empresas na solução de problemas. Hoje vemos muitas empresas que abrem hackathons para envolver o próprio cliente nesses processos. Ou seja, você consegue buscar na fonte as necessidades de cada consumidor”, comenta.

Demian também comenta que a aplicação da Inovação Aberta pode ser um bom caminho para a geração de novos negócios, com uma redução de risco. Isso porque nesse processo é possível criar um funil de relacionamento com diferentes iniciativas inovadoras, onde é possível observar quais serão as melhores oportunidades geradas e quais mereçam mais investimentos e atenção.

Outro ponto interessante é que quando se fala de Inovação Aberta no que tange a contratar empresas/startups, muitas vezes você é um dos primeiros clientes ou ainda o ‘cliente beta’, ou seja, aquele que valida o produto/serviço. Dessa forma, a startup dedicará atenção total às suas necessidades e demandas, além de estarem abertas a adaptar os produtos. Melhor dizendo, há uma real integração entre ambas as partes, gerando resultados muito mais relevantes.

Portanto, pensando sobre quais os benefícios de uma empresa apostar em Open Innovation, podemos listar o fortalecimento de estratégias corporativas, principalmente para aquelas que estão em processo de transformação digital; identificação de novas tendências tecnológicas; ampliação da cadeia de valor; entre diversos outros aspectos que podem ser otimizados.

“Atuando diariamente nessa linha de frente de conectar startups e empresas, gerando a aplicação eficiente do Open Innovation, notei que muitas companhias chegam a nós falando que querem muito entrar nesse universo, mas não estão sequer preparadas para isso. Por isso é importante destacar que se você é incapaz de acolher ideias do seu próprio time, todo o processo será mais doloroso. Mesmo que seja não estruturado, a empresa precisa ter já um mindset de aceitação de novas propostas”, conta Demian.

O mentor também destaca que quando uma empresa decide, de fato, apostar em Inovação Aberta ela precisa ter claro que busca novos negócios, mudar a mentalidade de toda a sua equipe, exercitar a adoção de novas práticas, fazer sua promoção, no sentido de se ‘mostrar para o mundo’ como uma empresa diferenciada e desenvolver melhor as áreas de P&D.

Vale salientar também que Inovação Aberta não se trata de um processo de compra e venda. Trata-se de uma integração forte entre as empresas na criação e desenvolvimento de produtos/serviços para problemas reais. Além disso, muitas empresas aplicam esses processos para atrair e identificar novos talentos no mundo tecnológico.

O importante é que todos os envolvidos nesse processo entendam que não há uma receita de bolo. É preciso ser aberto, testar, errar… enfim, fazer com que novas ideias façam parte da cultura da empresa, envolvendo todos os níveis hierárquicos da companhia. Daí a importância de, antes de qualquer passo, passar a aceitar as novas propostas internas e só depois abrir as portas para startups e suas novas ideias.

Além dos pontos citados, a Inovação Aberta proporciona também formas de promover sua marca, destacando sua empresa como inovadora, aberta aos diálogos, a ouvir a opinião de seus clientes e, claro, isso pode corroborar para um posicionamento estratégico junto a diferentes stakeholders, incluindo a grande mídia.

Por fim, Demian dá uma dica para quem ainda não começou seu processo de Open Innovation. “Pegue um fornecedor que você já tenha bom relacionamento, explique que deseja alterar algum produto/serviço e abra suas ideias. Pergunte suas opiniões, contrate um mediador para conduzir esse processo se achar necessário. Quando esses fornecedores perceberem que você está aberto às novas ideias, com certeza desejarão se integrar e desenvolver novos produtos”.

 

InovAtiva Day | Especialistas compartilham dicas de como atrair clientes

Não existe empresa sem clientes. Na jornada empreendedora, a validação essencial de uma ideia não passa por outro caminho senão a aprovação de seu público-alvo. No esforço de alcançar esse marco, no entanto, existem algumas técnicas úteis, apresentadas pelos painelistas da programação “Magna de Encerramento” do InovAtiva Day, dia 9 de outubro de 2021. 

O tema foi abordado de duas formas diferentes. Flávia Paixão, idealizadora do projeto Empreender com Paixão, apresentou sua perspectiva de aprendizado constante e ferramentas práticas. Ricardo Françoso, Diretor de Vendas na GrowthHackers , falou sobre a técnica de Growth Hacking e desmistificou questões sobre o assunto. Confira abaixo alguns destaques:

O cliente não vai cair do céu

Flávia Paixão esclarece o quão importante é que os empreendedores se tornem gestores dos próprios negócios, de fato. “Aqui no Empreender com Paixão, nós buscamos formar profissionais, pessoas que entendam tudo sobre o que estão fazendo”, diz. 

“Chegou a hora de desaprender”, afirma a profissional. Segundo ela, é comum observar empreendedores que já começam com um plano de ação definido e persistem nele. “Se não estiver dando certo, pare um pouco e pense no que pode aprender para mudar sua estratégia.”

Flávia segue sua exposição demonstrando a importância de compreender onde seu público está, o que precisa e quais suas dores, além da sua jornada de decisão de compra: “é possível prever como o cliente se comporta na hora de adquirir algo. Até uma compra por impulso pode ter uma jornada”.

Quanto a ferramentas para ajudar o empreendedor a alcançar seus objetivos, Flávia sugere a Lean Canvas. “Ela é bastante focada no problema do cliente que você resolve.” Este tema leva a empreendedora a outra questão importante: deixar de lado o otimismo cego. “Muitas vezes, você pode achar que está resolvendo um problema, mas o cliente tem outro. Só ouvindo suas necessidades é possível explorar novas brechas no mercado.”

Flávia também fala sobre a avaliação de métricas, presença digital, e da importância de saber reagir a mudanças de mercado.

A cultura da experimentação

“Não tem nada de ilegal quando falamos de Growth Hacking”, brinca Ricardo Françoso, sobre o receio de muitas pessoas com o termo em inglês “hacker”. “A parte de ‘hack’, significa simplesmente encontrar brechas e oportunidades, no caso, para o crescimento de sua empresa”, diz. 

Sua exposição foi baseada na cultura de experimentação. “É natural que o empreendedor precise tentar, errar, tentar novamente, até suceder. Mesmo assim, o mercado e seu contexto, as necessidades do público podem mudar e ele precisa recomeçar”

“Deixe o ego de lado. O erro nada mais é do que aprendizado e o convite a tentar novamente”, diz o profissional, apoiando-se em dados: a taxa de fracasso na inovação é aproximadamente de 75%, enquanto a de sucesso é de 25%. “Para inovar, você tem que experimentar. Se não quer errar, não é um experimento. E, quanto mais tentativas,  maior sua chance de sucesso.”

Ricardo também esclarece que experimentar não significa “atirar para todos os lados”, sem método. É necessário o uso de dados e testes de mercado para a tomada de decisão. 

“O Growth Hacking é um processo contínuo, sustentável, sempre em melhoria, que precisa de um trabalho dedicado. É uma cultura centrada em experimentação, conectado ao produto, marketing e vendas. E ele pode ou não envolver código”, diz o profissional. 

Ou seja, significa unificar as métricas e direcionar os esforços para o crescimento. “Ao invés de diluir as energias para o crescimento de formas diferentes na equipe, de acordo com o Growth Hacking, todo mundo deve trabalhar no mesmo sentido”, finaliza. 

Assista o vídeo na íntegra aqui

 

InovAtiva Day | O que não fazer em busca de investimentos e parcerias

A busca ativa por investimentos e parcerias com grandes empresas é parte intrínseca da jornada empreendedora e as dificuldades encontradas pelo caminho são comuns a grande parte dos novos empreendedores. Entretanto, acompanhando os painéis de negócios oferecidos na segunda edição do InovAtiva Day, em 9 de outubro de 2021, foi possível reconhecer o outro lado dessa moeda e identificar nossos erros pelo caminho. 

Para compreender o lado oposto destas relações, ouvimos as perspectivas de profissionais experientes durante o evento, no período das 10h às 12h. 

O painel 1: Opções de investimentos em startups: oportunidades e cenários, foi apresentado por Guilherme Enck e Carolina E. Cassel, cofundador e Head de Investimentos da Captable e por Serginho Finger, CEO da Trashin, startup acelerada pelo InovAtiva Brasil. 

Em seguida, Andrei Golfeto, profissional de New Ventures no iFood, apresentou o painel 2: Dicas práticas para se conectar com grandes empresas

Confira alguns equívocos comuns dos empreendedores no contato com esses players:

Menosprezar o valor dos relacionamentos

É uma posição recorrente de investidores e profissionais de grandes corporações que o fator mais observado por eles, na hora de fazer um negócio com uma startup é o próprio empreendedor. Por isso, todos os painelistas concordam que é imprescindível a criação de um relacionamento prévio entre quem busca o investimento ou parceria e os profissionais que podem ajudá-los. 

“Não espere precisar de dinheiro”, é o conselho de Carolina Cassel, head de investimentos da Captable. “É uma situação muito comum o empreendedor entrar em contato conosco já desesperado precisando de aporte financeiro. Nós buscamos acompanhar o desenvolvimento da startup, a maturidade dos profissionais, as perspectivas para o futuro. Não é de um dia para o outro que o investimento vai acontecer”, diz. 

Por isso, sua dica essencial é conhecer investidores com antecedência e enviar relatórios com métricas de crescimento mensal ou trimestral. Isso vai preparar o terreno para um futuro investimento. 

Despreparo e falta de informação

O pitch “pé na porta” é uma parte importante do processo, mas não a única. Tanto investidores quanto profissionais de grandes empresas em busca de parcerias, tomam decisões de forma analítica, com base em dados e informações concretas. 

Andrei Golfeto, o líder deste segmento no iFood, compartilha a sua necessidade de contar com dados de crescimento concretos quando avalia a possibilidade de fazer uma parceria com alguma startup e também reforça a relevância da análise a longo prazo. “Não existe credibilidade maior do que resultados demonstrados em relatórios,  clientes e crescimento”, afirma. 

Outra dica do profissional é conhecer a corporação com a qual se almeja uma parceria. “Dado o contexto do seu negócio, seu produto e público, faça uma lista de companhias que fazem sentido para você. Avalie se ela pode efetivamente ajudar ou não.” 

Segundo Andrei, a grande empresa pode ser um canal de aquisição de clientes importante, pode ajudar a criar novos produtos e acessar novos mercados, devido à sua estrutura mais “parruda”. Entretanto, ele alerta: “Se você ainda não tem um produto bem estruturado, às vezes essa tentativa de relacionamento pode queimar seu filme.”

Não saber como e com quem se comunicar

Além de compreender quais são as corporações adequadas para tentar parcerias, Andrei também reforça a necessidade de saber qual o profissional que o empreendedor deve entrar em contato. “Não adianta disparar e-mail para todo mundo que trabalha dentro do iFood, por exemplo. Temos uma divisão focada em parcerias, é conosco que se deve falar.”

Outra questão importante é o canal de comunicação. O profissional compreende que o e-mail é um espaço muito disputado, e difícil de chamar a atenção. Entretanto, também considera o contato por aplicativos de mensagens um tanto invasivo. “Tem gente que manda só ‘oi, boa tarde’. É necessário se apresentar, eu não tenho como saber quem é do outro lado”, conta. 

Segundo ele, a única exceção para este tipo de abordagem é quando algum conhecido compartilha seu contato. “Neste caso, tudo bem. Se apresente, fale quem te mandou meu número de telefone e seja educado”, aconselha. Para Andrei, o canal mais apropriado atualmente é o LinkedIn. Lá, é possível se conectar, mandar mensagens, e o profissional do outro lado consegue saber quem você é pelo próprio perfil.

Algumas dicas finais

Andrei finaliza sua exposição com algumas dicas importantes.

Primeiro, tenha uma frente de relações públicas para facilitar o contato com grandes empresas. Participe de eventos e seja especialista na sua área de atuação. “Você precisa aparecer no setor em que está trabalhando”, diz. 

Além disso, seja claro, transmita confiança, saiba a forma adequada de compartilhar cada informação, tenha empatia e habilidade em se comunicar, se prepare para as reuniões e coloque um período de teste na sua proposta de parceria: assim, a empresa se sentirá mais confortável em fechar um negócio inicial.  

 

Do sonho à prática: saiba tudo sobre o InovAtiva Day 2021.2

“Que rufem os tambores”, lia-se no campo de chat da plataforma preparada pela equipe InovAtiva antes do início da segunda edição do Inovativa Day, no dia 9 de outubro de 2021. Aberto ao público em geral, o evento atraiu mais de 700 participantes de todo o país com sua programação sobre empreendedorismo e inovação.

Para abrir as atividades do dia, os convidados receberam mensagens oficiais de boas vindas de Rafael Wandrey, Coordenador-Geral de Empreendedorismo Inovador e Novos Negócios do Ministério da Economia e de Carlos Melles, presidente do Sebrae. 

O dia foi repleto de palestras com conteúdo relevante sobre as diferentes temáticas da jornada empreendedora. Confira alguns destaques: 

 

Foco, coragem e persistência na abertura do InovAtiva Day

A programação “Magna de Abertura” ficou por conta de Rodrigo Terron e Abraão Sena, CEO e Diretor de Recursos Humanos da Rocketseat. Eles apresentaram suas histórias na palestra “Fiz do meu sonho uma startup de sucesso“. 

Na sua fala, os empreendedores, que já participaram do ciclo de Aceleração do InovAtiva Brasil em 2020, compartilharam suas experiências sobre como dar o pontapé inicial e enfrentar dificuldades. “É uma ‘chuva de não’, todos os dias”, diz Abraão, enfatizando a importância da resiliência no processo. “Não sei mais dizer se eu tinha um sonho ou se cada dia era um sonho novo.”

Segundo os palestrantes, uma de suas dificuldades foi a falta de formação específica em instituições renomadas de ensino superior. Seu conselho foi de continuar focado nos seus objetivos. “Se o propósito é maior, com certeza você será guiado pelo caminho certo”, diz Abraão. 

Rodrigo concorda com seu sócio e complementa: “conhecer e andar com os parceiros certos foi essencial para o nosso crescimento.”

O tema foi abraçado pela audiência. “É incrível ouvir essas falas. Somos três pessoas negras na Negrócios. É muito bom ouvir e se identificar com essas histórias. Parabéns! Estamos começando e as conexões são realmente fundamentais”, diz Leidiane Santos, uma das empreendedoras aceleradas no ciclo 2021.2 do InovAtiva Brasil. 

 

Parcerias e aporte financeiro

Das 10h às 12h, dois painéis muito práticos foram oferecidos aos participantes. 

Painel 1: Opções de investimentos em startups: oportunidades e cenários. Apresentado por Guilherme Enck e Carolina E. Cassel, cofundador e Head de Investimentos da Captable e por Serginho Finger, CEO da Trashin, startup acelerada pelo InovAtiva Brasil. Nele, os convidados falaram sobre o tema e como os investidores observam mais o empreendedor do que a ideia em si, além da importância de criar um relacionamento que preceda a fase do aporte financeiro em si. 

Em seguida, Andrei Golfeto, profissional de New Ventures no iFood, apresentou o painel 2: Dicas práticas para se conectar com grandes empresas, onde o profissional enfatizou o quão importante é a análise de parceiros adequados para o seu negócio e também de apresentar dados, métricas financeiras e de impacto socioambiental, se for o caso, para estabelecer conexões com sucesso.

Saiba mais sobre o conteúdo apresentado por eles aqui.

 

Conexão é tudo

Das 14h às 17h, o dia foi tomado pela conexão. Organizadas pela Comunidade InovAtiva, as salas simultâneas de conversa divididas entre as cinco regiões do país, proporcionaram a todos os participantes a oportunidade de se conectar com potenciais parceiros e compartilhar suas experiências. As salas foram subdivididas em grupos menores para facilitar a conversa entre os empreendedores. 

Também foram apresentados painéis simultâneos nas salas de bate-papo, com os temas correspondentes às dores de cada região: 

Norte: Como me inserir no ecossistema da região Norte?

Nordeste: Relacionamento e experiência em investimentos para startups e Atores do Ecossistema de Inovação de cada estado

Centro-Oeste: Território inteligente e Talk Comunidades Centro-Oeste

Sudeste: Como criar produtos que funcionam

Sul: Pitches das Comunidades do Sul e Oportunidades de Investimentos e Conexão com Corporações

 

Estratégias de crescimento

Para fechar o evento com inspiração e planejamento, a Programação “Magna de Encerramento”, cujo tema foi Ferramentas e estratégias para atrair seu cliente,  ficou por conta de Ricardo Françoso, Diretor de Vendas na GrowthHackers e Flávia Paixão, idealizadora do projeto Empreender com Paixão

Flávia iniciou o painel expondo sobre a importância de capacitar empreendedores para que eles se tornem gestores do próprio negócio e entendam tudo sobre o que estão fazendo. Este é seu trabalho no projeto Empreender com Paixão. “O cliente não vai cair do céu. Nós precisamos entender onde ele está, o que precisa, e qual a sua jornada de decisão de compra”, afirma a empreendedora.

A profissional também explicou que é essencial “desaprender”. “O empreendedor tem um plano inicial mas, muitas vezes, é preciso parar e pensar em como reajustar sua rota. Deixe de lado o otimismo cego”, diz. 

Na ocasião, Ricardo também explicou sobre o método de Growth Hacking: a cultura da experimentação. Segundo ele, é preciso deixar o ego de lado e tentar, errar e tentar novamente, quantas vezes for necessário para chegar ao sucesso. Saiba mais aqui. 

Os participantes aproveitaram o dia com entusiasmo e não deixaram de compartilhar suas percepções. “Fechamento incrível de um evento excepcional, “cada minuto neste programa valeu!”, entre diversos comentários, fizeram a diferença para a equipe InovAtiva. Vamos ao próximo!

Dia dos professores: Conheça startups brasileiras que estão reinventando a educação

Métodos de ensino à parte, existe um consenso entre cidadãos brasileiros: a relevância do investimento em educação e o papel central dos professores neste meio. Uma questão em comum que vem sendo discutida entre os profissionais da área é sobre a  melhor forma de alcançar a atenção e interesse dos alunos, trazendo as metodologias de educação para o século 21. 

“Há muito a ser explorado neste setor no Brasil. Precisamos observar o tradicional e reinventar um ambiente digital onde possamos proporcionar maior facilidade para o professor e capturar a atenção do aluno, e que está cada vez mais envolvido com a tecnologia”, diz Walter Junior, CEO da Inteceleri, edtech acelerada pelo InovAtiva Brasil no ciclo 2016.1. 

Cromopedagogia, neuroatividade e gamificação

A Inteceleri foi criada com objetivo de desenvolver soluções inovadoras que visam contribuir com o aumento da qualidade da educação básica no Brasil, em especial na disciplina de matemática. Em 2014, ela nasceu de um grupo de pais e professores que enfrentavam muitas dificuldades no ensino de exatas. 

Os empreendedores verificaram que este cenário também se refletia nacionalmente – apenas 15% dos alunos conseguem reter o aprendizado em matemática. “Diante desse quadro, fomos em busca de soluções inovadoras compatíveis com alunos do século 21. Criamos uma metodologia inédita, a Matematicando, que ensina operações básicas utilizando cromopedagogia, neuroatividade e gamificação, em um jogo educativo digital”, explica Walter. Em 8 meses, seu aplicativo atingiu mais de 100 mil downloads.

A dificuldade no ensino de matemática, muitas vezes, vem da necessidade de abstração do aluno em aplicar a teoria para absorvê-la. A startup se propõe a resolver este problema com a realidade virtual. “Imagine poder demonstrar ao aluno uma figura geométrica espacial a partir de uma comparação com uma torre famosa, aplicando a teoria à arquitetura”, conta Walter. 

Tecnologia ajudando a escrever melhor

Recursos tecnológicos não são úteis somente no campo das exatas, como demonstra Simone Oliveira, CPO da GoMining, acelerada pelo InovAtiva Brasil no ciclo 2020.1. A profissional é responsável por toda a parte pedagógica da startup e usa sua bagagem acadêmica com seus dois sócios para desenvolver um software que pudesse ajudar na qualificação da escrita dos estudantes. 

“Não existe inteligência artificial sem inteligência humana”, afirma Simone. O trabalho da startup é definir parâmetros e estratégias junto às instituições de ensino para que o sistema seja capaz de corrigir uma redação adequadamente. 

De olho nos professores e no cotidiano do usuário

Ambas as startups oferecem um curso preparatório para que os professores consigam utilizar suas soluções da melhor forma. “Nós acompanhamos os professores, ajudamos a construir as atividades das disciplinas para que passem pela correção automática.  Não é qualquer disciplina que pode passar por isso automaticamente, muitas vezes ela precisa ser preparada, parametrizada e alimentada continuamente”, conta Simone. 

Segundo a profissional, este é um dos maiores diferenciais da startup: o relacionamento próximo e a parceria com seus clientes. “Este trabalho de integração do software às instituições não acontece sozinho. Pelo contrário, depende do trabalho em equipe para que consigamos chegar aos resultados esperados.”

Walter compartilha um projeto desenvolvido pela Inteceleri: o Edutec Amazon. Nele, segundo o profissional, existe a necessidade de uma trajetória de transformação digital, por parte do professor, para que ele possa usufruir do produto. “A execução do projeto dura de 8 a 10 meses, e o professor recebe uma formação continuada na qual ele aprende quatro formas de ensinar a matemática básica, tem um aumento da proficiência tecnológica. Tudo para que o aluno receba da forma mais simples e temos percebido ótimos resultados!”

Inteligência artificial para personalizar estudos

Simone concorda que as edtechs têm possibilidade de crescimento intenso no país.  “Podemos ser inovadores de muitas formas. É possível construir um currículo flexível que acompanhe a trajetória do aluno, que indique, por meio de inteligência artificial, os cursos que ele pode fazer conforme as suas competências desenvolvidas, seus gostos pessoais. Assim, o próprio aluno pode estruturar sua trajetória e se organizar a partir do apoio dessa tecnologia.” 

Pesquisador desde 2012, Walter define o campo da educação como um ambiente ainda muito tradicional. “Desde a minha graduação, depois no mestrado e doutorado, já havíamos percebido um movimento no mundo inteiro do desenvolvimento de tecnologia para a educação. Essa é uma preocupação mundial. E tem muita coisa a ser explorada: temos um oceano azul pela frente”, diz. Segundo o profissional, é imprescindível se atentar ao fato da educação ser algo muito personalizável: “o que é sucesso nos Estados Unidos, não necessariamente será aqui. O que dá certo em São Paulo, pode não dar no Rio de Janeiro, ou em Belém. Temos culturas muito diferentes”, conclui.  

 

Conheça a Teoria de Mudança e como implementá-la em seu negócio de impacto

Negócios de impacto são idealizados para solucionar problemas do âmbito socioambiental, em busca de um papel ativo no desenvolvimento sustentável das  nações. Entretanto, eles não deixam de ser empreendimentos e, em sua fase de projeto, devem ser tratados como tal.

A Teoria de Mudança nada mais é do que um conjunto de ferramentas que auxilia no planejamento de qualquer tipo de iniciativa social ou ambiental – como um projeto, política pública ou um empreendimento/startup de impacto. Ele ajuda a definir e explicitar os objetivos de longo prazo, ao mesmo tempo em que permite identificar as pequenas metas ao longo do caminho.

Esta é a definição utilizada por Mark Udler, mentor do hub InovAtiva e especialista no assunto. “A Teoria de Mudança, basicamente, ajuda a entender os objetivos de longo prazo e como trabalhar em cima deles”, sintetiza.

Implementação da Teoria de Mudança

O profissional elenca quatro passos na implementação da Teoria de Mudança que atuam em conjunto. “À medida que você caminha por esses passos, você nota que em algum momento se depara com os anteriores”, diz. Os quadrantes apresentados por ele são:

  1. Envolva os diversos stakeholders no processo
  2. Conheça profundamente o problema que está resolvendo
  3. Defina os objetivos de longo prazo desejados
  4. Monte a estrutura da Teoria de Mudança

Estrutura da Teoria de Mudança

Mark compara a estrutura da Teoria de Mudança com o conhecido 5W2H, ferramenta de gestão inventada no Japão para facilitar o planejamento de qualquer atividade: What (o que); Why (por que); Where (onde); When (quando); Who (quem); How (como); How Much (quanto).

Essencialmente, no planejamento de um negócio de impacto, os empreendedores devem responder estas sete perguntas:

  1. Qual o resultado de longo prazo que queremos alcançar?
  2. Quais  problemas queremos resolver?
  3. Quem são as pessoas envolvidas?
  4. Por quais canais vamos chegar a elas?
  5. O que faremos, de fato?
  6. Qual será o efeito mensurável disso?
  7. Quais os benefícios percebidos desse trabalho?

Contudo, o profissional alerta que essas questões devem ser respondidas de forma recorrente, não só no início do empreendimento, porque a situação pode mudar e novos planos são implementados no processo.

Métricas e ESG Enablers

“O negócio de impacto funciona quando você está gerando lucro e, ao mesmo tempo, impacto no ambiente e nas pessoas. Quando você consegue demonstrar essas duas métricas, afina seu negócio para que os resultados sejam embasados na sua entregas de impacto, mas seu financeiro também te ajuda”, Mark explica.

Utilizar métricas adequadas a este tipo específico de empreendimento é essencial para conseguir investidores do nicho. O especialista menciona investidores-anjo, mas também os novos fundos de investimento de impacto.

“Muitos fundos de investimentos e governos começaram a exigir que grandes empresas – principalmente as listadas na bolsa de valores – sigam as exigências ESG”, sigla que remete a um conjunto de políticas de Governança Ambiental, Social e Corporativa.

“O problema é que, em muitas dessas empresas, o processo de transformação é muito lento. Levar a cultura de foco em meio ambiente, na sociedade e na governança leva tempo e você tem que mudar a cultura de uma organização de grande porte”, diz.

Neste contexto, surgiram as ESG Enablers: “São startups que oferecem tecnologias para auxiliar no cumprimento das práticas ESG. Por meio das métricas e KPIs (indicadores-chave de desempenho), elas conseguem demonstrar a grandes organizações as oportunidades e a relevância de se concentrar na questão.”

“A pandemia trouxe muitas coisas ruins, mas ao mesmo tempo um processo de transformação muito grande. A geração Y é considerada hoje a mais prejudicada financeiramente de toda a história em comparação a geração anterior. Temos uma grande responsabilidade em reverter este processo aproveitando as oportunidades que nos são oferecidas”, conclui.

O texto foi escrito a partir da mentoria coletiva “Negócios de Impacto e Teoria da Mudança”, realizada no Ciclo 2021 do programa InovAtiva de Impacto. Você também pode assistir a apresentação do mentor clicando aqui.

Por que startups falham?

A conversa sobre empreendedorismo é repleta de cases de sucesso e de histórias inspiradoras. Tudo começa com uma ideia, um sonho, que é construído com muita coragem e trabalho duro. Mas colocar o pé no chão e compreender que o caminho nem sempre é um mar de rosas é muito importante.

Para trazer alguns exemplos do que não fazer na sua jornada, contamos com três empreendedores que participaram da última edição do InovAtiva Experience, no dia 7 de agosto de 2021: Paula Freitas, executiva chefe do Instituto INNER, Leonardo Gmeiner, CEO da School Guardian e Leonardo Alves, CEO da Moov.

Conheça algumas das dicas mais importantes oferecidas por eles no evento:

Propósito na prática

Paula Freitas já se entendia como empreendedora desde seus 10 anos, quando vendia bijuterias na porta da igreja e mobilizou o resto de sua família a ajudá-la na empreitada. Depois de alguns pequenos negócios, conseguiu uma sócia e criou uma empresa na área da estética, que chegou a ter nove unidades em Brasília.

“A empresa estava crescendo, mas chegou uma hora que bateu estresse, cansaço, aquele desespero e a empresa foi ladeira abaixo. Além de eu não conseguir sustentar este negócio que, até então, era lucrativo, porque eu não tinha as características de uma empresária na área de estética”, conta. Paula é formada em engenharia e também na área de saúde e segurança do trabalho e compartilha o prejuízo que arcou: “lidei com processo trabalhista, dívida bancária, meu CNPJ foi para o ralo.”

A profissional explica que só começou a ter sucesso real quando alinhou seus valores pessoais com seu espírito empreendedor. “Se você está inovando mas em algo que não faz seu coração vibrar, vai chegar um momento que também vai quebrar”, alerta.

Faça sua lição de casa

Planejamento e organização são essenciais para o processo. Leonardo Gmeiner confessa que tem um perfil impulsivo, responsável por muitos de seus percalços. Formado em jornalismo, tinha uma empresa de comunicação corporativa e a sua esposa, outra empresa da mesma área, quando decidiram juntar os dois empreendimentos.

“Já começamos errando porque, na hora de juntar as duas operações, compramos a participação da sócia dela. Foi a primeira besteira que fizemos: comprar sem analisar e entender o valor daquilo – chamado ‘due diligence’. O resultado foi uma dívida no valor de um bom apartamento.”

Não perca o foco

Leonardo conta sobre seu trabalho na época em que os smartphones começaram a se popularizar e seus clientes estavam interessados em desenvolvedores para aplicativos. “Ao invés de indicar um profissional, eu pensei em encontrar alguém da área para ser meu sócio. Neste momento, me apaixonei pela tecnologia e pela dinamicidade da área, e deixei meu trabalho de lado”, diz.

Seu papel na empresa era de relacionamento e de prospecção de novos clientes. “O novo negócio começou a crescer e, o outro, a degringolar. Começamos a perder clientes, e com o tempo, quebramos.”

“Uma grande vantagem na nova empresa é que eu não conseguia fazer o trabalho de desenvolvimento, então fui obrigado a dividir as tarefas com meu sócio”, conta, sobre a importância de focar na sua atividade e não se deixar distrair.

Não misture suas finanças

“Um erro muito comum, principalmente quando o negócio é gerenciado por famílias, como era meu caso, é que nossas contas, da empresa e domésticas, eram uma bagunça. Fazíamos tudo ‘junto e misturado’. Comprávamos coisas para a casa com o cartão da empresa, depois ficava uma ‘zona’ na contabilidade”, alerta o empreendedor.

Com a separação das empresas e, agora, trabalhando com um sócio fora da família, Leonardo reconhece que a organização facilitou sua vida financeira e fiscal.

Experiência e paciência não se dispensam

“Agora, sim, vou ficar rico!”, foi a exclamação recorrente de Leonardo Alves em sua jornada com seu aplicativo de relacionamento às cegas, desenvolvido ainda durante a graduação. Mas, não foi bem assim.

Em uma fala descontraída, o empreendedor se compara a Steve Jobs, Bill Gates e Mark Zuckerberg. “Assim como eu, esses ícones desistiram da faculdade para alcançar seus objetivos. Só que, no meu caso, não deu muito certo.”

Após apresentar a versão prévia do aplicativo em um evento, a equipe já teve dificuldades em construir o produto final. Ainda no curso de graduação e também trabalhando em diferentes empresas, o processo durou meses. “Estávamos em uma relação de amor com o produto e a empresa. Estava tudo dando certo, até que acabou o dinheiro e não conseguimos mais focar no desenvolvimento e em anúncios.”

“Nos faltava experiência em várias questões, como gestão, desenvolvimento e também como lidar com o crescimento e escalonamento. Como a empresa começou a crescer, tivemos sérias dificuldades”, conclui o empreendedor.

Healthtechs: tendências e destaque do semestre

No mês de agosto comemoramos no Brasil o Dia Mundial da Saúde. Para celebrar a ocasião da nossa forma InovAtiva, vamos explorar um pouco o assunto das healthtechs – as startups que prometem revolucionar a área da saúde no Brasil e no mundo.

Para falar sobre o tema, contamos com a participação de Alexandre Hashimoto, mentor InovAtiva com 12 anos de experiência na área da saúde e CEO da Health Prime, consultoria especializada no desenvolvimento e gestão de projetos de sustentabilidade para negócios.

“Se tratando de qualquer tipo de negócio, a inovação está baseada naquilo que eu chamo de ‘tripé do futuro das organizações’, que consiste no desenvolvimento estratégico pautado em sustentabilidade, experiência do cliente e transformação digital”, afirma o mentor.

Atuação na saúde e na pandemia

Mais especificamente sobre a área da saúde, as healthtechs podem atuar em três frentes: prevenção, diagnóstico e tratamento. “Para se destacar no mercado, as soluções precisam focar em facilitar a vida do cliente”, explica, complementando que costuma usar o termo “clientes” porque as startups não somente tratam com pacientes, mas também se relacionam com equipes hospitalares e de outros serviços de saúde.

Estas empresas devem estar intimamente ligadas à pesquisa e desenvolvimento, ter uma base tecnológica forte e também precisam atuar no que chama de “diversos gargalos de nosso sistema de saúde”: “não adianta desenvolver soluções que funcionam maravilhosamente bem em um hospital de ponta, mas que não consigam se adequar a serviços com recursos limitados.”

O profissional nota tendências nas healthtechs mais bem-sucedidas no mercado nacional e internacional. Entre elas, Alexandre aponta a utilização de inteligência artificial, internet das coisas, realidade virtual e aumentada, e a cirurgia robótica. “Hoje vemos muitas empresas utilizando Big Data. As tomadas de decisão não são mais baseadas em pesquisas de opinião, mas no tratamento e análise de dados em grande escala”, observa.

Alexandre concorda com outros mentores do hub quando questionado sobre as inovações tecnológicas no período da pandemia da Covid-19. “Embora muita gente acredite que a telemedicina e o trabalho remoto tenham surgido agora, o movimento de transformação digital só foi acelerado em razão dessa urgência”, discorre sobre a pesquisa já realizada anteriormente não somente na área da saúde, mas em todos os segmentos de mercado.

No entanto, reconhece as healthtechs como fundamentais na assistência da população neste momento de crise sanitária. Como exemplos, ele menciona os atendimentos remotos, que permitiram o acesso a diagnóstico e tratamento evitando aglomerações, as plataformas de reuniões virtuais que mantiveram a conexão e engajamento de equipes de apoio e administrativas, além da inteligência artificial que apoiou processos de pré-triagem para atendimentos médicos.

O negócio das healthtechs

O ecossistema de inovação na saúde tem seus “players” específicos. Para o mentor, os principais agentes que podem acelerar ou represar o crescimento das healthtechs são os governos e órgãos reguladores. No Brasil, ele menciona o Ministério da Saúde, a Agência Nacional da Vigilância Sanitária e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). “Estes órgãos regulam todo o ecossistema de saúde brasileiro, desde prestadores de serviços a grandes hospitais.”

“Os hubs de inovação são fundamentais para fomentar o desenvolvimento das healthtechs, mas também existem hospitais tradicionais como o Albert Einstein, que já tem uma cultura robusta de inovação aberta e parcerias com startups”, diz.

Mentoria especializada em saúde

Em suas mentorias no InovAtiva Brasil, Alexandre comenta uma lacuna central que observa dentre muitos negócios inovadores que teve contato. “Falta total clareza quanto ao modelo de negócio e o momento da empresa com relação ao mercado. Muitos empreendedores já estão pensando em rodadas de investimento sem ao menos validar suas soluções: uma etapa indispensável no processo.”

“Dificilmente um investidor embarca no seu empreendimento se ele não entende perfeitamente qual é o seu objetivo”, continua. Segundo o profissional, é indispensável que o empreendedor tenha um planejamento claro, modelagem financeira e também deve delimitar o potencial de mercado. “Construa uma rede de contatos ampla e qualificada no segmento e desenvolva seu pitch constantemente. É preciso saber vender o que a sua empresa pode resolver de forma simples e objetiva.”

Outra questão a ser definida é se a startup trabalha unicamente com uma solução com alto potencial de escalabilidade e lucro, ou se ela almeja ser parte de um contexto de saúde pública. “Isso muda completamente o modelo de negócio da empresa, as parcerias que o empreendedor vai buscar, o público consumidor e a acessibilidade que ela deve proporcionar.”

Uma healthtech para ficar de olho

Startup destaque no InovAtiva Experience 2021.1, a Vigilantes do Sono é uma healthtech que promete revolucionar os padrões de descanso do usuário, dispensando completamente o uso de remédios. Sua solução se baseia em uma Terapia Cognitivo-Comportamental para insônia embasado em mudanças de hábito, agindo, então, nas causas da insônia.

Inovação e tecnologia em Negócios de Impacto

Anualmente, o hub InovAtiva seleciona  até 80 negócios inovadores para o programa InovAtiva de Impacto Socioambiental. Mas o que significa a inovação e a tecnologia envolvidas neste tipo específico de empreendimento?

Para explicar um pouco melhor sobre este assunto, Luciana Homrich, Mentora e Líder de Comunidade no InovAtiva, compartilha seu conhecimento especializado por anos de experiência como CEO na Conecta Projetos, negócio social que visa fortalecer e mobilizar o Ecossistema de Inovação e Impacto Social brasileiro.

“A tecnologia não deve ser vista como um fim, mas como um meio”, destaca a profissional, explicando que, na verdade, os processos tecnológicos nas soluções precisam ser influenciados pelo potencial de impacto, não o contrário. Ou seja, primeiro vem a definição da demanda, e só depois, a forma de resolvê-la.

Ao longo de anos de trabalho, a Conecta Projetos desenvolveu uma lista de seis princípios para definir o que significa inovação no âmbito de negócios de impacto.

Seis princípios para definir inovação no âmbito de negócios de impacto

1.Gestão Eficiente

“Qualquer organização, independentemente do setor de atuação, precisa ter uma gestão eficiente para que possa cumprir com a finalidade a que se propõe”, afirma. “Dentro do possível, quanto mais horizontalizada for a gestão, melhor. Isso contribui para atribuir funções e compromissos, e fazer com que todos tenham responsabilidades equivalentes. Assim, todos os colaboradores podem sentir o mesmo comprometimento na entrega de resultados.”

2. Qualificação

Este princípio se refere à qualificação dos próprios gestores e também de todos os colaboradores e parceiros que fazem parte do funcionamento do negócio de impacto. Além disso, ela frisa que a qualificação deve ser entendida enquanto capacitação, hardskills e softskills. “É muito importante pensar no todo. Porque, sem qualificação, não se sabe fazer projetos, executar ações, prestar contas, nem identificar oportunidades”, diz.

3. Captação

“Quero dizer a captação de recursos em geral, não somente financeiros”.  Luciana inclui  neste princípio também pessoas, em relações de parcerias e voluntariado. “Forme um  processo consistente que permita com que o seu negócio consiga evoluir de forma eficiente e demonstrando os resultados que se espera.”

4. Avaliação

A avaliação de negócios de impacto é uma das questões que os separa de outros tipos de organizações. Aqui, não é necessário só demonstrar o retorno financeiro, quanto também verificar se a finalidade da empresa está sendo cumprida. “Este valor é medido principalmente por meio de transformações na realidade, durante ou após a realização de uma ação, evento, projeto ou programa. Elas podem acontecer de diferentes formas, de acordo com os princípios que estão relacionados com o trabalho de cada empreendimento”, diz. Para métricas de avaliação, Luciana sugere a utilização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e o Impact Reporting & Investment Standards (IRIS).

5. Transparência

“Garanta transparência a todos os processos e principalmente aos resultados. Ou seja, saiba comunicar a informação da melhor forma possível. Seja sobre impactos, resultados ou os valores e missões da empresa. Por que estamos aqui? Qual transformação eu quero efetivar na realidade?”

6. Engajamento

O último dos princípios listados pela mentora trata sobre a formação de uma rede de parceiros comprometidos com o negócio de impacto. “É imprescindível engajar para fazer gestão, qualificar, captar, dar transparência e também para ampliar os impactos. Porque, sozinho, é até possível gerar impacto positivo. Mas você é um grãozinho dentro de um saco de arroz. Juntos, podemos fazer com que essa transformação seja muito mais significativa e efetiva”, ressalta.

Luciana finaliza esclarecendo que o impacto real nunca está isolado no âmbito social ou ambiental. “Todo impacto passa a ser socioambiental porque melhorar o ambiente natural é importante para o ser humano, e as populações estão incluídas no nosso ambiente: uma coisa não está separada da outra. No nosso trabalho, mobilizamos diferentes atores, desde o setor público até empresas e sociedade civil.”

Série Conexão | Conexão com Grandes Empresas

Empreendedorismo é resultado de boas ideias, inovação, solução de problemas, trabalho duro e, essencialmente, conexão: um dos pilares do InovAtiva. Para honrar sua importância, o Blog InovAtiva inaugura a Série Conexão.

Este é o terceiro, e último, conteúdo da série “Conexão com Grandes Empresas”. Foi inspirado no painel apresentado no InovAtiva Experience 2021.1, em 7 de agosto, que proporcionou um bate-papo honesto entre profissionais que se debruçam neste tema, complementado com perguntas da audiência.

Receptividade para inovação

A conversa foi iniciada por Marina Almeida, da Natura&Co, responsável pelo departamento de inovação e conexão com startups da Natura. Marina falou sobre inteligência coletiva e como a empresa construiu um espaço para que os novos empreendedores pudessem fazer parte de nosso ecossistema. “Fazemos uma busca ativa mas também temos um portal aberto, além de chamadas de inovação. Somos gigantes, então também temos grande responsabilidade. Estamos trabalhando para trazer a lógica ESG de uma forma estrutural dentro da Natura startups, para ela fazer cada vez mais parte do mundo empreendedor.”

“Se eu fosse uma startup, falar com a Natura é a primeira coisa que eu faria”, ressalta  Rodolfo Zhouri, Sócio na eMotion Studios. “Empresas como a Natura estão prontas para conversar com startups, mas isso é ínfimo perto do mercado brasileiro. Quem dera se toda corporação fosse assim!”

Segundo o profissional, grandes companhias geralmente se esforçam para proteger o que já conquistaram, ao contrário de startups, “concebidas para poder derrubar tudo o que acham que já foi feito”, diz. “Esta diferença é muito importante porque esse destrave é cultural. E cultura não é uma coisa que muda de uma hora para outra: demanda tempo e esforço.”

O passo-a-passo

“Vou colocar meu chapéu de startupeiro e começar a falar deste lado do balcão, ou seja, para quem está interessado em começar a negociar com grandes empresas”, brinca Rodolfo, focando em questões mais práticas e listando perguntas que devem ser respondidas nesta jornada. Segundo ele, existem dois grandes grupos de questões:

1 – Por que?

Como startupeiro, qual é a sua motivação para querer entrar em contato com uma grande empresa? Dentro deste tema, Rodolfo destrincha as possíveis respostas:

  • Validação de produto e de modelo de negócios

Startup é uma jornada constante de validação. Por isso, esta é uma possibilidade de motivação de um empreendedor quando faz negócios com uma corporação: “você pode querer verificar se a sua proposta, de fato, entrega valor para alguém ou não. Ou seja, isso funciona? No âmbito de uma grande instituição, gera valor para alguém?”

Também tenha certeza de que seu modelo de negócio, como um todo, faz sentido para esta relação. “Não é só a forma e o valor que eu cobro, mas o negócio como um todo”, diz, sobre as diferenças entre atender organizações de setores diversos, a hipótese de haver um profissional exclusivo para fazer o atendimento desta parceria e como será feita a comunicação é crucial.

  • Credibilidade do setor e reputação

“Muitas vezes, parcerias entre startups e grandes empresas podem existir por uma questão de gerar credibilidade para a entrada em um novo setor, o que é muito útil”, Rodolfo exemplifica.

  • Acesso a capital ou a conhecimento

O acesso a capital pode vir de uma relação de cliente ou fornecedor, mas também por meio de um acordo de investimento, como Venture Capital. “Mas o que muitas startups ignoram é o acesso ao conhecimento do setor que uma grande companhia  pode proporcionar. Cada setor tem sua particularidade, é impossível ter uma solução escalável que atenda a todos.”

2 – Com quem?

“Todo mundo acha que toda grande empresa tem que ser igual a Natura, por exemplo.  E seria maravilhoso se fosse, mas na prática não é”, afirma Rodolfo, esclarecendo que a grande maioria das corporações tradicionais nem sabem o que é uma startup. “Não dá para chegar para fazer um pitch como se faz aqui no InovAtiva, encher a apresentação de termos em inglês e achar que o empresário tem a obrigação de entender.”

O profissional ressalta a importância da construção de um relacionamento com as pessoas que representam a instituição  que se almeja uma aproximação. “É preciso considerar que existe uma curva de aprendizagem a ser respeitada. O empreendedor deve investir tempo, fazer reuniões e capacitar seu cliente. Senão, ele vai se frustrar no meio do caminho e vai culpar a corporação  porque não foi bem sucedido”, conclui.

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