TrazFavela: Delivery para a periferia cresce 500% durante a pandemia
O programa InovAtiva Brasil está sempre em busca de ideias disruptivas que ajudam a solucionar dores da sociedade. No ciclo 2020.1, encontrou isso no TrazFavela, delivery sem preconceito que tem como objetivo buscar e entregar produtos em regiões periféricas da cidade de Salvador. A startup, que está operando desde setembro de 2019, viu seus negócios expandirem 500% no terceiro trimestre deste ano devido à pandemia do novo coronavírus.
Para saber mais sobre esse processo de crescimento e consolidação no mercado, conversamos com Iago Santos, CEO e cofundador da empresa:
1. O que faz o TrazFavela?
A proposta do TrazFavela é levar produtos da periferia para fora e de fora para a periferia, fazendo a ponte entre esses dois mundos. Nosso intuito é quebrar o preconceito de que quem é da periferia sempre é bandido. Tem muita gente boa dentro da periferia e nós tentamos reforçar sempre isso.
2. Como surgiu a startup?
A ideia surgiu em 2016, quando houve o boom dos deliveries. Na época, percebi que onde eu moro, apesar de ter uma economia muito forte, não fazia parte da rota dos aplicativos. Identificando esse problema e sabendo da potencialidade do meu bairro, vi o atendimento a comerciantes da região como uma oportunidade de negócio. Em agosto de 2018, eu e os outros cofundadores, Marcos Silva e Ana Luiza Sena, validamos a ideia no Startup Weekend Salvador, mas foi apenas em setembro de 2019 que iniciamos efetivamente a operação.
3. Atualmente, em que estágio está o TrazFavela?
Estamos na fase de MVP/Operacional e voltados para o público B2B. Por ainda não termos o nosso aplicativo, atuamos por meio do WhatsApp intermediando o contato do comerciante com o entregador. O processo de retirada do produto no estabelecimento e entrega ao comprador costuma durar de 20 minutos a 1 hora.
4. Qual é a abrangência do negócio?
Atendemos 51 estabelecimentos de todas as regiões. A maioria dos comerciantes cadastrados são de áreas periféricas e boa parte das nossas entregas são locais que já têm algum tipo de serviço de delivery, mas não pegam de periferias.
5. Por causa da pandemia a demanda por delivery aumentou no Brasil. Como o TrazFavela está passando por esse momento?
Foi totalmente favorável para a gente. Como não há nenhum tipo de delivery que atua com empreendedores, ganhamos muita visibilidade e assim conseguimos crescer 500% só no segundo trimestre desse ano. De março a junho realizamos mil entregas, enquanto no primeiro trimestre estávamos chegando a 100. Para se ter uma ideia, em fevereiro fizemos 19 entregas. Em março, esse número subiu para 45. Em abril já foi para 119. Com isso, conseguimos totalizar em seis meses 2 mil entregas.
6. O que foi preciso fazer para que o crescimento exponencial não prejudicasse a qualidade do serviço?
Esse processo foi realizado de forma gradual, conforme o aumento da demanda. Nós adquirimos um sistema de multi-atendimento pelo WhatsApp e expandimos o quadro de entregadores, passando de 10 no início do ano para 38 em setembro. Assim, estamos crescendo tanto na nossa operação quanto no desenvolvimento do negócio para que possamos entregar os produtos o mais rápido possível.
7. Como se dá o vínculo entre o entregador e o TrazFavela?
Com a chegada da pandemia, as pessoas que ficaram desempregadas e não estavam conseguindo renda nos procuraram e começaram a empreender prestando esse tipo de serviço para nós. No modelo que usamos hoje, os entregadores não ficam presos a nós, então utilizam o TrazFavela como uma renda complementar, recebendo o valor total do frete, que é calculado por quilometragem.
8. Existe um plano de expansão para outras cidades do Brasil?
Estamos nos estruturando para expandir para cidades vizinhas, mas nosso objetivo também é ir para São Paulo – que tem uma das maiores favelas da América Latina -, Rio de Janeiro, Recife. Assim que conseguirmos atuar bem nessas capitais, queremos atingir o Norte também, pois recebemos bastante procura de pessoas que querem levar o TrazFavela para lá.
9. O TrazFavela participou do ciclo 2020.1 do programa InovAtiva Brasil. O que você destaca dessa experiência?
Foi uma experiência muito boa pela possibilidade de construção e fortalecimento da estrutura da nossa startup. O InovAtiva Brasil nos ajudou muito com a parte humana do negócio e com a conexão com investidores. Por ser um grande programa aceleração de startups, vimos nele uma oportunidade de adquirir experiência em âmbito nacional.
10. Recentemente vocês começaram a fazer parte do Black Founders Fund. Como está sendo esse processo?
Na verdade, por a gente já ter passado pelo Startup Zone, um processo de aceleração do Google, a gente já tinha essa relação com a empresa, por isso conseguimos participar do fundo, que está sendo uma experiência muito boa. Estamos rodando Bootstrap há um ano e nossos recursos estavam acabando. Com este investimento, pudemos evoluir alguns processos, na parte operacional e conseguiremos finalizar nosso aplicativo e nos consolidar na capital baiana.
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