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Conheça a história do Gympass, um dos unicórnios brasileiros

Em junho de 2019, após receber um aporte de U$300 milhões liderado pelo Softbank, o Gympass passou a fazer parte da lista dos unicórnios brasileiros. Com uma rede composta por mais de 50 mil parceiros no mundo e cerca de 800 modalidades diferentes de atividades físicas, a solução tem a missão de ajudar as pessoas a serem mais saudáveis, buscando uma atividade física que elas amem.

Conversamos com Leandro Caldeira, CEO Brasil do Gympass, para saber qual a fórmula para chegar à marca de US$ 1 bilhão em sete anos. Veja abaixo o que ele nos contou:

  1. Conte sobre a trajetória do Gympass. Quando surgiu? Com qual objetivo?

O Gympass foi fundado em 2012 com a missão de acabar com o sedentarismo no mundo. O conceito de saúde e bem-estar por trás da plataforma surgiu enquanto o César Carvalho, CEO e Co-fundador do Gympass, estava com dificuldade em encontrar academias a preços razoáveis enquanto viajava à trabalho. Um ano depois, durante seu MBA na Harvard Business School (HBS), ele se viu pensando em opções de condicionamento físico que fossem flexíveis, acessíveis e, principalmente, divertidas. Foi então que deixou HBS e deu os primeiros passos em direção ao que acabou de tornando o Gympass: um benefício corporativo de atividades físicas, que alimenta uma economia circular proporcionando uma relação de ganha-ganha-ganha entre todos os stakeholders do ecossistema – empresas, usuários finais e centros de atividades físicas.

  1. O que faz o Gympass? Qual o diferencial da startup?

O Gympass é um benefício corporativo que democratiza o acesso a academias e centros de atividades físicas para trabalhadores e seus dependentes com mensalidades abaixo de R$30. No modelo de negócio atual (B2B), a empresa e o funcionário pagam ao Gympass, que remunera o centro de atividade física. Nesta relação, o investimento tem retorno ao funcionário em forma de mais saúde e qualidade de vida; e à empresa em menor sinistralidade médica, menor absenteísmo e maior engajamento e produtividade dos funcionários. Isso torna o Gympass responsável pela criação de uma economia circular e um ecossistema saudável e sustentável. Por ser um benefício exclusivamente corporativo, um          grande diferencial é que o Gympass gera um mercado adicional para as academias – cerca de 80% dos usuários não frequentavam nenhum centro de atividade física no momento em que aderiram ao benefício.

Além disso, como diferenciais, podemos citar a grande capilaridade de localização e modalidades do Gympass: estamos presentes em 14 países, em mais 8 mil cidades, com cerca de 52 mil academias e mais de 790 modalidades de atividades físicas. Desta forma, estamos constantemente aprimorando uma proposta de valor bem atrativa. Cada usuário tem direito a um check-in por dia, que é feito de forma 100% digital por meio de um smartphone. Isso significa que o usuário pode treinar a hora que ele quiser, quando quiser, fazendo a atividade que mais gosta – ou, se quiser, testar alguma nova em algum dia.

Para aprimorar ainda mais a experiência desses usuários e ajudá-los a encontrar uma atividade que amem, o Gympass tem investido fortemente em Inteligência Artificial e Machine Learning – acabamos de abrir um tech hub de Inteligência Artificial em Nova York e adquirimos a Flaner, empresa especializada em Machine Learning e Information Retrieval baseada em Lisboa, Portugal.

  1. Quando a empresa se tornou um unicórnio? O que foi preciso para isso?

O Gympass se tornou um unicórnio em junho de 2019, após receber um aporte de U$300 milhões liderado pelo Softbank. Mas, mais importante do que o título, é o nosso propósito de acabar com o sedentarismo e ajudar as pessoas a serem mais saudáveis. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o sedentarismo é hoje a quarta maior causa de mortes no mundo – 28% ou 1.4 bilhões de pessoas ao redor do mundo são inativas e 3.2 milhões de pessoas morrem anualmente devido aos efeitos da inatividade física.

Acreditamos que esta é uma marca importante que comprova os fundamentos do nosso modelo de negócio ganha-ganha-ganha, gerando valor para todos os stakeholders que participam deste ecossistema, no Brasil e fora.

  1. Para as startups que gostariam de seguir os passos do Gympass, que dicas você daria?

Primeiro, resolver de fato um problema existente. Acreditamos que os negócios com maior potencial de criação de valor de forma sustentável são aqueles que melhoram muito (otimizam) alguma relação. Para isso, tipicamente são utilizadas soluções tecnologicas para escalar e atingir um maior número de clientes e parceiros. Além disso, é importante ter um propósito forte. É isso o que motiva as pessoas a fazerem mais e a se engajarem com o negócio. Também é preciso praticar o que se fala.

No Gympass, mais do que vendermos o acesso à atividade física, nós incentivamos as pessoas (os nossos próprios funcionários, inclusive) a serem saudáveis. Aqui, é frequente as áreas irem treinar juntas, criando uma conexão profunda entre os times. Com estes dois elementos, muita resiliência e a construção de um time de alta performance e motivado, acreditamos que dá para chegar longe.

  1. Quais os principais obstáculos encontrados pela empresa durante o seu crescimento?

Inúmeros são os obstáculos encontrados durante o processo de crescimento de uma startup. No nosso caso, um dos principais obstáculos foi encontrar um modelo de negócio que funcionasse bem para todos os que participam. Inicialmente, o Gympass foi desenvolvido com o objetivo final de vender passes diários de academias diretamente para os usuários finais (pessoas físicas). Depois, fomos aprimorando o modelo com base no feedback de usuários e academias, até convergir para o B2B (corporativo), dado a busca que algumas empresas tinham por uma força de trabalho mais ativa fisicamente.

O ciclo de vendas para uma empresa é bastante longo e vender inovação sempre é um desafio, dado a falta de dados históricos. A expansão internacional também é bastante desafiadora. Para cada país em que nos instalamos, foi necessário realizar um estudo super aprofundado sobre a sua cultura e mercado, iniciar o negócio, contratar os talentos locais.

  1. Existe um passo a passo para se tornar um unicórnio? Por quê?

Não existe uma “receita”. O nosso último aporte foi o que nos mostrou que estamos no caminho certo, que temos um modelo de negócio interessante, sustentável e que pode ser escalável. E, sobretudo, que temos uma grande oportunidade, já que a maioria das pessoas no mundo ainda não pratica atividade física.

  1. Para se tornar um unicórnio, basta receber investimento ou também existem outros fatores que influenciam nesse processo?

“Unicórnio” é só um termo usado no mercado para identificar as empresas com um determinado valor de mercado. Mas o que faz a diferença hoje em dia é o propósito da empresa, para o quê ela existe, e quem sentiria a sua falta caso ela deixasse de existir. O Gympass não prega o corpo perfeito, nem o ditado “no pain, no gain”. Pelo contrário, respeitamos a diversidade, os diferentes estilos e os limites de cada um. Com um propósito bem estabelecido e que inspire as pessoas, o desafio passa a ser definir e aprimorar o modelo de negócio para de fato colocar a empresa na direção do propósito. Mas reforçamos que não existe uma receita pronta.

  1. Existe algo que você gostaria de acrescentar?

Seguindo nosso propósito de ajudar as pessoas a serem mais saudáveis, este ano lançamos nosso serviço para Pequenas e Médias Empresas (PME), para que negócios com menos de 1 mil funcionários também possam contratar o Gympass. Todo o processo é digital: em poucos minutos a empresa consegue contratar o Gympass, e, em poucos dias, já lança o benefício para seus funcionários.

Este ano também nos tornamos uma empresa com presença em todos os estados do país e reforçamos nosso time no Norte, Nordeste, Sul, Centro-Oeste e interior de São Paulo para melhor atender nossos clientes corporativos. Também gerarmos mais benefícios aos nossos parceiros de academias e ampliamos a equipe que atende o setor público. Já temos como exemplo a AFPESP, a Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo, com mais de 250 mil vidas.

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