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Como utilizar o modelo financeiro para acelerar seu negócio

Por Marconi de Assis Silva *

Vejo muitos empreendedores se preocupando com o modelo financeiro apenas quando estão buscando obter o valor da sua empresa valuation através de investidores. Na verdade, o primeiro investidor de qualquer negócio é sempre o idealizador da ideia e, portanto, o modelo financeiro deve ser estruturado para atender às necessidades dos próprios empreendedores antes de qualquer coisa. Esta ferramenta, que na minha visão é bastante subutilizada, poderá ser extremamente útil na tomada de decisão e no planejamento do seu negócio. Aqui vão algumas dicas para que você consiga estruturar o seu modelo de forma a se beneficiar como o principal cliente desta ferramenta.

Modelo financeiro

Na estruturação de uma empresa a partir de uma ideia, várias validações são importantes. Validam-se hipóteses sobre o problema, o perfil do cliente, a solução, dentre outras. Tão importante como todas estas, é a validação se o seu modelo de negócio irá gerar resultados. A maneira menos dolorosa de fazer essa validação é através de simulações em um modelo financeiro. Use o seu modelo financeiro para verificar se o seu negócio trará de fato resultados positivos.

Alavancas que mais geram resultados

Além de permitir avaliar os resultados do seu negócio, o modelo financeiro pode ser uma importante ferramenta para se avaliar quais os meios irão te levar àqueles resultados. Faça uma boa reflexão sobre quais parâmetros precisarão ser considerados nas suas simulações e busque ligar os resultados diretamente a estes parâmetros. Desta maneira, vão ficar bastante claras quais as principais alavancas geradoras de resultado do seu negócio e ficará muito mais simples trabalhar as projeções a partir dos parâmetros. Alguns destes parâmetros deverão se tornar indicadores a serem acompanhados para verificar se a empresa está indo na direção planejada.

Diferença entre lucro e gerar caixa

Para alguns pode parecer óbvio, mas grande parte dos empreendedores não é familiarizada com os conceitos de caixa e competência, o que pode levar a algumas trapalhadas na gestão do negócio. Busque entender claramente as diferenças entre estes dois conceitos e utilize o modelo financeiro para verificar tanto se o seu negócio será capaz de gerar lucros quanto qual será a dinâmica do caixa da sua empresa.

Projete parâmetros e avalie os resultados

Um dos grandes desafios ao se fazer simulações de uma empresa startup é a alta incerteza sobre as premissas e parâmetros simulados. Ao se iniciar um negócio, principalmente algo inovador, tem se pouca ou nenhuma base histórica para ser utilizada como referência. Buscando tornar o modelo o menos impreciso possível, é fundamental que se tenha muito claro e bem documentado quais são as fontes de dados e/ou o raciocínio utilizado por trás de todas as premissas utilizadas. Mesmo com os parâmetros bem embasados, busque sempre avaliar de maneira bastante crítica se os resultados finais estão fazendo sentido e, se possível, peça alguém para lhe ajudar a criticar os números. Uma visão externa pode ajudar a encontrar algumas distorções que talvez estejam passando despercebidas.

Modelo para o dia a dia

É muito comum o modelo financeiro ser esquecido “na gaveta” após sua estruturação. O modelo financeiro deve ser uma importante ferramenta para a tomada de decisão no dia a dia do seu negócio. Utilize-o para avaliar como os resultados serão impactados pelas decisões a serem tomadas ou para simular diferentes cenários antes de definir uma direção a ser seguida. Com isto você tomará decisões mais bem embasadas e potencialmente mais assertivas. Dito isto, é fundamental manter os dados do seu modelo o mais atualizados possíveis. No começo, muitos dos parâmetros simulados ainda são incertos e à medida que a empresa vai sendo estruturada você terá mais segurança para realimentar o modelo com parâmetros mais assertivos e consequentemente aumentar a acurácia do seu modelo.

O modelo financeiro pode ser um suporte muito importante na estruturação do seu negócio. Cabe a você, empreendedor, tratá-lo apenas como uma planilha ou como uma ferramenta decisiva na tomada de decisão. Utilizar as dicas aqui propostas, empenhar-se em estruturar um bom modelo e utilizá-lo dentro da sua rotina irá tornar o caminho para o sucesso menos incerto.

* Marconi de Assis Silva é Partner na Abenten Partners e mentor do Programa Inovativa Brasil desde 2016.

Minha história: e o que eu aprendi na mentoria do InovAtiva Brasil

Por Carolina Rossi Wosiack *

Nem todo mundo sabe mas venho de uma família de empreendedores. Do tempo em que empreender não era cool como hoje em dia. Na época que saí da faculdade de administração de empresas era bem arriscado você abrir sua própria empresa e muita gente só fazia se não tivesse opção de um emprego em uma corporação.

Aos 19 anos eu precisava empreender por causa de uma situação familiar. É óbvio eu tinha outras alternativas (emprego numa vídeo locadora?, estagiária numa empresa local?). Para mim a que pareceu mais óbvia foi juntar alguns recursos que tínhamos disponíveis (conhecimento, relacionamento com pessoas chave e um casa da família) para montar um negócio.

Plano de negócio? No segundo ano da escola de administração e tendo uma família de empreendedores eu achava que eu tinha tudo o que eu precisava. Montamos a empresa. Abrimos as portas. E daí aconteceu tudo o que é tipo de coisa que você pode imaginar.

Clientes não vêm, como faço um balanço (só tinha feito introdução a contabilidade), preciso demitir a secretária que recém contratei porque ela tem medo de falar ao telefone. O que você conseguir imaginar, a gente passou. Foram dois anos até que a empresa começou a se sustentar financeiramente. Daí a sócia que trazia mais volume de negócios decidiu sair da empresa. Reestruturamos, fomos para uma garagem e não mais para uma casa e o negócio continuo por mais 6 anos. Nada mal para o primeiro negócio. Mas o custo de aprendizagem emocional foi muito alto.

Eu tomei uma decisão, quando saísse da escola de administração eu iria para uma empresa. A minha tinha sobrevivido, mas já tinha histórico de falência na família, em que eu por falta de capacidade e conhecimento ( além de ter acabado de sair da adolescência), não pude fazer nada. Iria para uma grande corporação, de preferência multinacional. E com 3 objetivos claros: 1) aprender com os melhores sobre negócios; 2) criar minha rede de relacionamentos; e 3) capitalizar.

Fui trainee, especialista, gerente e officer. Estabeleci funções, trabalhei em vários países. Enfim, chegou o momento que alguns diriam “ótimo, você é reconhecida e agora é só capitalizar em cima do que você construiu em 13 anos”. Mas… sabe aquele sentimento, aquele chamado que você tem na vida? De que você precisa fazer algo diferente? Ele foi ficando forte e cada vez mais latente em mim.

Comprei uma franquia com minha mãe e uma amiga. Logo compramos a segunda. Modelos de negócios vinham em minha mente o tempo todo. Comecei a aplicar ferramentas de inovação para testar minhas hipóteses. Estruturei propostas de valor para clientes. Fiz escolhas e segui adiante. Hoje estou com duas startups em andamento e mais três outras na gaveta.

Quando faço mentoria no InovAtiva acho que posso ajudar. Aprendi coisas na minha caminhada, conheci pessoas. Hoje, como consultora, ajudo empresas a inovar, a empreender, a crescer. Tudo o que aprendi através do trabalho e também dos estudos.

Mas, o mais interessante para mim foi entender que quando você faz uma mentoria, seu mentorado te desafia. Faz com que você pense mais sobre os próprios modelos. Se questione. Te provoque intelectualmente. Faça com que você lembre de histórias.

Lembrando de histórias, lembrei da minha. E o que começou com um pensamento –  “será que perdi tempo demais no mundo executivo” – tornou-se num sentimento de gratidão com todos que aprendi e passaram pela minha história. Porque eles me tornaram uma profissional mais completa e mais humana.

Hoje sinto que quando mentoro alguém, sou mentorada também. E eu só tenho a agradecer.

* Sócia da Innoscience e mentora do Programa InovAtiva Brasil desde 2016.

O papel da gestão na ideação, modelagem e validação da proposta de valor de um negócio

Por Fabio Zoppi Barrionuevo *

Experimente você dirigir seu carro por alguns meses, encobrindo totalmente a visão do painel com qualquer artefato. Encobrindo mesmo, sem sabotar! Tenho a certeza que notará a ansiedade aflorar, às vezes tomar conta, quando passar por um radar verificador de velocidade, sem saber se está acima da velocidade permitida, ou desacelerar tanto a ponto de causar transtorno ou acidente no trânsito. Aflorará, também, ao ser negligente em uma curva, quando se está atrasado para algum compromisso, quando o carro parar por falta de combustível, ou até mesmo se o motor fundir, se algo acontecer com a pressão do óleo ou água do radiador.

Tenho por hábito usar esta analogia, como docente, consultor e mentor do Programa InovAtiva, chamando a atenção do empreendedor quando o assunto é avaliação dos riscos, antes de assumi-los, e o papel da GESTÃO em um negócio. Um empreendedor é reconhecido pela capacidade de assumir riscos ponderados, e tolerância a eles, em um negócio, assim como pelos comportamentos derivados disto no processo de empreendê-lo. Nada errado até aí, porém, não é aceitável deixar o poderoso e habitual feeling conduzir as decisões determinantes do negócio. Pode, e se for, será desastroso! Talvez, e neste sentido, o exemplo prático mais conhecido do que representou a falta da gestão em um empreendimento foi o Projeto Lisa, da Apple, considerando também o fato disso ter ocorrido em 1978, quando muitos conceitos, técnicas e ferramentas de apoio à gestão ainda não existiam, ou estavam em desenvolvimento.

De forma ampla, é possível afirmar que não há gestão em um negócio sem definição de metas, assim como não é possível definir metas sem realizar medições. E sem gestão o negócio fica vulnerável ao que acontece nos ambientes interno e externo. O empreendedor, desde o início, deve perseguir a medição sistemática dos dados que compõe seu negócio, transformando-o em informações, para assim compor o conhecimento e por final a inteligência do negócio. Desta forma, terá condições de tomar as decisões com a maior efetividade possível.

Mas como colocar isso em prática, entendendo, também, que não existe um único conceito ou técnica de gestão que garanta 100% dos resultados pretendidos? No início de um negócio é normal não haver muito conhecimento, referências e histórico pronto. Entretanto, o empreendedor deve ter a atitude de produzir essas referências, sempre baseadas no mercado-alvo, e não no produto, serviço ou solução a ser oferecida. Não por acaso, uma boa ideia vêm à cabeça com sucessivas frustrações enquanto cliente, contudo, quando as ideias surgem, a cultura brasileira, infelizmente, acredita que não se deva contá-las a ninguém. Claro, é necessário precaução com isso, porém, estruturar uma pesquisa simplificada ajudará o empreendedor a obter informações preciosas para tomar decisões lá na frente.

Por fim, uma vez que a ideia toma corpo, é altamente recomendável o empreendedor aplicar os conceitos de Lean Startup (http://www.theleanstartup.com), método desenvolvido por Eric Ries, que considera a eliminação constante de desperdícios, e se baseia na tríade Construir, Medir e Aprender. De forma geral, as sugestões são:

1 – Aplicação do Canvas, para modelagem proposta de valor (parte do Canvas seguinte, porém mais detalhado);

2 – Aplicação do Canvas, para modelagem do negócio;

3 – Definição do produto mínimo viável (MVP, do Inglês Minimum Viable Product);

4 – Pivotagem do negócio, considerando os 10 tipos apresentados por Eric Ries;

5 – Validação da proposta de valor do negócio.

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* especialista em inovação, competitividade e internacionalização de empresas. Também é docente, consultor e mentor do InovAtiva Brasil.  

inovativa@inovativabrasil.com.br