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Aislan Menk fala sobre estratégia para a crise do Covid-19 em webinar promovido pelo InovAtiva Brasil

Em meio à pandemia do coronavírus, diversos países adotaram regras de isolamento social como forma de contenção da propagação da doença. Além de alterar as formas de convivência em sociedade, o isolamento causou instabilidade mercadológica na economia mundial. 

Essa inconstância já é conhecida pelas startups, que enfrentam vários desafios para se manter no mercado e precisam inovar para atrair clientes e prosperar. Grandes empresas, no entanto, não estão acostumadas nem prevenidas para tal situação, como explicou o CEO e fundador da Stars Acelerador, Aislan Menk, no webinar “A estratégia para a crise do Covid-19”.

Menk deu dicas de como pequenas e grandes empresas podem superar dificuldades neste momento atípico e, quem sabe, até adotar novas estratégias na organização. Confira:

  1. Faça reuniões rotineiras para saber o andamento de todos os processos da empresa;
  2. Adote uma postura transparente. Torne a comunicação, as pessoas e os projetos acessíveis a todos;
  3. Crie um planejamento estratégico com cursos de capacitação para a equipe e disponibilize um tempo de estudo aos seus funcionários;
  4. Pivote! Pense no que pode desenvolver para se sobressair no mercado;
  5. Repense seu negócio preparando-se para o pós-crise (modelo de negócios, preço, funil de vendas, planejamento de escala, estratégia de comunicação etc.)
  6. Cuide da saúde financeira da sua empresa. Se preciso, reduza seus custos e negocie com fornecedores;
  7. Tenha um relacionamento próximo com sócios e investidores;
  8. Implemente práticas de governança corporativa;
  9. Se mantenha atualizado! No site do InovAtiva Brasil você encontra diversas opções de cursos e ebooks gratuitos para continuar se aprimorando durante a crise.

Ficou interessado? Então assista o webinar completo em: https://www.youtube.com/watch?v=lM6qXdRqrhg

InovAtiva Brasil realiza Demoday online “InovAtiva Conecta: Covid-19”

Buscando conectar startups healthtech que possuem soluções inovadoras para combater o novo coronavírus com instituições – públicas e privadas – envolvidas no enfrentamento à crise, na última quarta-feira (1º/04), o InovAtiva Brasil e a ABstartups realizaram o primeiro Demoday online “InovAtiva Conecta: Covid-19”.
O evento transmitiu ao vivo o pitch de 10 startups – Hilab, Testfy, eLoopz, FullDNA, Carefy, ePHealth, dev4us, Mindify, Triágil e Talent Academy.
As empresas foram selecionadas pela ABstartups a partir de quatro eixos de tecnologia sugeridos pela equipe técnica do Ministério da Saúde: tecnologias, métodos e soluções para testes rápidos; tecnologias para monitoramento de indivíduos infectados; atendimento remoto, telemedicina e telepsicologia; e promoção da saúde em quarentena.
Cada startup teve até três minutos para apresentar sua solução por meio de vídeos previamente gravados. Do outro lado da tela, estavam grandes empresas e potenciais investidores, além de representantes de órgãos como os Ministérios da Economia, Saúde, Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, BNDES, Embrapii, ABDI e Sebrae.
Assim que as apresentações se encerraram, os espectadores fizeram comentários e perguntas, que foram respondidas em tempo real.
O próximo demoday será realizado no dia 9 de abril, às 15h.
Para saber mais, acesse: http://www.inovativabrasil.com.br/coronavirus/
A importância dos Demoday
Muitas startups participam de programas de aceleração para alavancar seus negócios, obter suporte, realizar treinamentos e até mesmo conquistar investimento financeiro. Durante este processo, os empreendedores recebem mentorias e, ao final do programa, participam do Demoday, evento que marca o encerramento do ciclo de aceleração.
Nesta ocasião, os empreendedores têm a oportunidade de apresentar seu negócio, explicando seus produtos ou serviços, diferencial da startup, seu público alvo e o que precisa para a empresa continuar a evoluir. Este momento, chamado de pitch, é de extrema importância para o startupeiro, pois ele será assistido por investidores, representantes de grandes empresas e potenciais parceiros que podem oferecer o que ele necessita.
O tempo de apresentação geralmente é curto, então os expositores devem ser sucintos, fornecer as informações mais importantes sobre a sua startup, expor seu problema e, claro, se fazer entender. Além disso, ele deve estar preparado para as perguntas que os espectadores farão após o pitch.
Veja aqui dicas para montar seu pitch: http://conteudos.inovativabrasil.com.br/cursos-ebooks-gratuitos

As 4 Primeiras Etapas Jurídicas De Uma Startup

Por Luiz Sibahi e Michel Cury

É muito comum aos empreendedores ligados às empresas de tecnologia e inovação, desde o início, não estabelecerem uma estrutura legal para o seu negócio. Este é um erro estratégico que pode comprometer o desenvolvimento da startup e frustrar as oportunidades de negócio que irão surgir.

Apesar da ansiedade em transformar uma ideia em realidade, é muito importante que os fundadores pensem desde o início nas bases jurídicas do negócio. A operacionalização da empresa está sujeita à uma série de procedimento legais, que podem variar bastante para cada desenho de empreendimento.

Abaixo, listamos brevemente as principais etapas que precisam ser implementadas no desenvolvimento de uma startup. Ficando atento a estes fatores desde o início da criação do negócio será possível evitar problemas futuros e dispendiosas batalhas legais.

  • Ato de Constituição e Tipo Jurídico

A primeira decisão que o empreendedor deve considerar são as implicações legais sobre qual tipo jurídico sua startup será constituída. A legislação brasileira de direito societário avançou bastante nos últimos anos e consolidou dois principais tipos jurídicos que organizam a atividade empresarial: a empresa de responsabilidade limitada e a sociedade anônima.

A empresa de responsabilidade limitada é um tipo jurídico bastante usado, composto por dois ou mais sócios. Na empresa limitada, o patrimônio dos sócios é separado do patrimônio da sociedade, que será o único recurso usado para cumprir com as responsabilidades da empresa. Justamente por isso, a principal função deste tipo jurídico é proteger os bens pessoais do sócio. Por outro lado, as sociedades limitadas oferecem opções limitadas para o financiamento e gestão das suas atividades.

Além da sociedade limitada, a legislação atual prevê a figura da EIRELI – empresa individual de responsabilidade limitada. Nesse caso, é possível o desenvolvimento de atividades empresariais por uma única pessoa, no mesmo formato de uma sociedade limitada. Além das mesmas restrições, a EIRELI também requer um capital mínimo no valor de 100 salários mínimos.

Para uma empresa de inovação e tecnologia, começar como uma empresa limitada é uma boa ideia, mas os investidores irão sempre considerar a transformação para uma S.A. Depois que o empreendedor decidiu o melhor desenho jurídico, é preciso obter os registros necessários para o funcionamento da empresa.

  • Registro, inscrições e autorizações

Após a definição do desenho jurídico da startup, o próximo passo é efetuar o registro da sociedade na Junta Comercial do estado em que atua. Somente a partir do registro que a constituição da empresa é válida e ela pode praticar atos em seu nome. Com o registro na Junta, a empresa obtém também a Inscrição Estadual. Depois, é necessário providenciar sua inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, junto à Receita Federal, e as demais inscrições, dependendo do seu tipo de atividade.

Além do registro e inscrições que cada tipo de atividade empresarial requer, é necessário se atentar ao tipo de autorização ou permissão administrativa necessária para sua operação.

Um bom exemplo é o tipo de regulação que as fintechs podem estar sujeitas. O Banco Central do Brasil editou recentemente normas que disciplinam a atividade de prestadoras de pagamento. Então, mesmo uma pequena empresa como uma startup pode estar sujeita a algum tipo de regulação em sua atividade.

  • Acordos de confidencialidade

Startups trabalham com ideias inovadoras. Muitas vezes, a operacionalização da atividade é muito mais simples do que a análise de mercado, a percepção de suas demandas, e a apresentação de uma solução. Por isso, é altamente recomendado que os empreendedores tenham sempre em mente a necessidade de proteger o business soul da sua empresa.

Problematizar o acesso de terceiros aos ativos materiais e imateriais da companhia é bastante complexo, principalmente no começo da operação, quando o empresário está na posição mais dependente de funcionários e possíveis investidores, ao mesmo tempo em que sua ideia é inovadora e precisa ser colocada em prática.

Nesse cenário, a melhor aposta é investir em “Non discousure agreements”, os chamados NDA’s, ou, acordos de confidencialidade. Cada parte envolvida na operação precisa de um documento pensado especificamente para sua atividade. Assim, é bastante recomendável que se negocie os termos da interação entre funcionários, investidores e empresa, de modo a minimizar os riscos decorrentes do envolvimento de outras partes na operação da empresa.

  • Etapa de Investimento

A última etapa jurídica – que eventualmente pode se dar em vários rounds e em diferentes momentos – efetivamente relevante para a startup é o investimento. As empresas de inovação e tecnologia trabalham com ideias disruptivas, por isso podem começar com poucos recursos. Mas conforme cresce, é inevitável considerar a relevância de um aporte de capital, que pode se dar, em geral, de duas maneiras: aumento com reserva de capital ou mútuo conversível.

O aumento com reserva de capital implica na entrada direta dos investidores na empresa, passando assim a integrar o quadro de sócios. Neste caso, há uma diferença entre o valor pago por quota ou ação, e seu valor nominal. Essa diferença irá formar a reserva de capital, que poderá ser usada pela empresa.

O mútuo conversível é a opção mais comum, pois protege o investidor contra os riscos de participar diretamente do capital social da empresa e, por exemplo, serem responsabilizados por alguma obrigação social. Trata-se de um empréstimo conversível em ações da empresa, que pode ser disparado em diversos cenários, conforme negociado pelas partes.

Em todas estas etapas, é sempre recomendável o acompanhamento por assessores jurídicos familiarizados com as particularidades do mercado de startups, assim têm-se mais chances de construir um negócio preparado para crescer.

* Luiz Sibahi é advogado na área de direito societário e M&A da FTCS Advogados, mestrando em Filosofia do Direito pela Universidade de São Paulo – USP, formado pela Universidade de São Paulo – USP.

* Michel Cury é sócio do escritório FTCS Advogados, pós-graduando pela Stanford University em Strategic Decision and Risk Management, mestre em Direito pela Universidade de São Paulo – USP, é mentor do programa InovAtiva Brasil.

Por que ouvir um não pode ser a melhor coisa para seu negócio

* Por Antonio Valerio Netto

Na jornada de empreender é comum se ouvir muitos “nãos”. Os líderes de empresas precisam se expor o tempo todo para defender uma ideia, um propósito, ou basicamente, vender uma solução. Neste caso, o empreendedor precisa entender porque recebeu o “não” e buscar aperfeiçoar o seu discurso, manter a mente serena e melhorar a sua solução para se aproximar da necessidade de um cliente potencial.

A dificuldade que muitos empreendedores têm é de “não” aceitar que seu negócio, “não” interessa a quase ninguém. O grande desafio é se envolver no negócio, mas ter discernimento suficiente para compreender se a solução realmente resolve o problema de alguém e não se trata somente de um devaneio. É por isso da importância de saber ouvir um “não” e não achar que cada “não” é uma ofensa pessoal. Saber ouvir é parte do processo de validação do seu negócio e o grande trunfo é fazê-lo junto aos clientes de forma imparcial.

Quando você recebe um “não”, isto pode doer muito, mas quando você recebe 100 “nãos”, nem tanto

É claro que o primeiro passo para o negócio dar certo é o próprio empreendedor acreditar. Contudo, o segundo passo é fazer com que alguém acredite no seu negócio ao ponto de dizer “sim”, isto vale tanto para clientes quanto investidores. Fazer marketing digital, divulgar em revistas, participar de eventos, publicar semanalmente em sites e blogs na internet são ações importantes e positivas, mas o principal indicador de sucesso do empreendedor é o dinheiro da venda. Não é quantos “likes”, “views”, premiações ou “parabéns” recebeu, mas quantos “nãos” foram convertidos em “sim”. Este é o grande patrimônio que o empreendedor deve construir.

Mas, qual é o momento adequado para buscar o “sim” de um investidor? Antes de responder a esta pergunta, reflita!  Você realmente precisa de um investidor nesta fase que se encontra? Isto é, alguém que acredite no seu trabalho e esforço antes que ela esteja validada no mercado? Na mente de muitos empreendedores, convencer um investidor a dizer “sim” é por que o negócio deve ter algum tipo de valor. É como se buscasse uma constatação antes de se expor ao mercado, contudo isto pode ser uma barreira. Lembre-se, não faça um negócio para investidores; faça para resolver a dor que alguém tem ou terá no futuro. Se for feito de forma adequada, os investidores provavelmente farão fila na sua porta.

O que vem antes, o “ovo” ou a “galinha”? Quem vem antes, o “cliente” ou o “investidor”?

A analogia com o dilema do ovo e da galinha não é à toa, há uma relação simbiótica na “equação clientes e investidores”. Para se conquistar mais clientes é preciso investir dinheiro em marketing, vendas e equipes, ao mesmo tempo para captar investidores é preciso ter clientes. Provavelmente, seja mais difícil convencer um investidor do que um cliente a comprar a sua solução, pois para o cliente você está resolvendo um problema que ele tem ou que ele terá em pouco tempo. Já para o investidor você precisa provar que tem muitos clientes que querem adquirir seus produtos ou serviços.

Muitas vezes os empreendedores estão batendo na porta errada e falando com as pessoas erradas no momento errado. A consequência desses atos quase sempre é um “não”. Isto aconteceu conosco quando entramos no mercado com a solução TIS (simuladores para treinamento interativo para área de segurança). Durante 6 meses levamos nossa tecnologia a campo, visitamos 42 guardas municipais do interior do estado de São Paulo percorrendo mais de 4,5 mil quilômetros. Mesmo com o interesse da grande maioria dos comandantes das guardas municipais (89% se interessaram pela solução), não vendemos sequer um único equipamento. Na época as guardas alegaram que não tinham dinheiro e que apesar de importante, o treinamento dos guardas não era priorizado pela prefeitura, por isto não tinham verba para investir. Ouvir todos estes “nãos” foi importante, pois nos obrigou a buscar alternativas. Assim precisamos “pivotar” nosso modelo de negócio e buscar outros públicos, foi quando decidimos focar em atender as necessidades das empresas de transporte de valores. Com esta mudança conseguimos realizar as primeiras vendas.

Mesmo com todas as dificuldades do mercado, do cenário econômico e das barreiras culturais, o empreendedor precisa estar preparado para que todo “não” impacte de forma positiva e permita a revisão da estratégia de negócio e até mesmo da modelagem técnica da solução. Saber ouvir um “não” do mercado ou dos investidores é muito importante para desenvolver um negócio, por isso, o empreendedor deve controlar a sua ansiedade e nunca perder o entusiasmo.

O conselho de um empreendedor que já ouviu muitos “nãos” é: foque no caminho adequado, amadureça sua solução e identifique os clientes realmente interessados em adquirir seu produto ou serviço. Para fazer isso você precisará saber ouvir alguns “nãos”. Sucesso a todos!

Antonio Valerio NettoDoutor em computação pela USP. Possui MBA em Marketing pela FUNDACE (FEA-RP/USP). Em 2003, fundou a Cientistas, empresa focada no desenvolvimento de sistemas computacionais para as áreas de Energia & Utilities e Segurança que em 2009 foi considerada pelo SEBRAE SP uma das pequenas empresas mais inovadoras do estado de São Paulo. Em 2007, fundou a XBot, primeira empresa de robótica móvel do país para as áreas de educação e entretenimento, que em 2011 foi uma das vencedoras do prêmio nacional de empreendedorismo e em 2012 recebeu o Prêmio MPE Brasil – Estadual São Paulo de destaque em boas práticas de responsabilidade social. É o atual diretor de tecnologia do CIESP. É avaliador ad-hoc do CNPq, FACEPE, FAPESB e Assessor Científico do Fundo Mackenzie. Possui mais de 80 publicações entre livros, etc nas áreas de computação, engenharia, empreendedorismo e inovação. Já realizou mais de 50 palestras e cursos na área de negócios tecnológicos ao longo da carreira. Possui oito patentes requeridas. Coordenou em torno de 15 projetos tecnológicos financiados pela FINEP, CNPq, FAPESP e empresas privadas nos últimos anos.

A tempestade secreta do empreendedor

Por Carolina Rossi Wosiack *

O caminho do empreendedor é muito solitário. Como fundador de uma startup, então, mais ainda. Os recursos financeiros iniciais são de amigos e família. São eles que fazem você seguir adiante e sempre de forma positiva e feliz, transpirando sucesso, motivado, com gás, focado. Alegre e entusiasmado com o desafio de empreender. Isso faz com que as pessoas não saibam que você pode estar passando por uma tempestade, ou melhor, por vários tipos dela, como financeira e emocional, por exemplo. Aliás, todos os tipos de tempestades, quando se está empreendendo.

A gente sabe que essa coragem nem todas têm. Passar por essa “chuvarada”, uma mudança de vida, uma transição de carreira, traz a tempestade que nem todas as pessoas conseguem ver: A tempestade secreta. A empreendedora levanta de manhã, veste sua roupa, coloca sua maquiagem e aciona seu sorriso. Quando você passa por uma tormenta visível, as pessoas lhe assistem, lhe estendem uma mão. Mas, quando você passa por uma tempestade invisível, as pessoas não sabem e não conseguem fazer nada.

E quando as coisas começam parecer que estão indo num bom caminho. Não é sinal que a tempestade acabou, mas sim que está chovendo menos. As pessoas podem até ficar com inveja de você, que acorda às 5 horas da manhã, trabalha até as juntas do corpo doerem, a cabeça latejar e ainda está com o pagamento da parcela do carro atrasada em 3 meses. Eles invejam o seu primeiro cliente, sem saber que desde que você conseguiu esse contrato, não consegue nem mais dormir à noite, tamanho a preocupação em fazer dar certo. Você tem muita tensão e tanta pressão, que repente você está em mais uma tempestade, e ninguém nem ao menos consegue ver.

E é nesses momentos que a gente tende a achar que estamos realmente sozinhos. Mas não estamos. Olhe para o lado. Cada dia há mais pessoas empreendendo. E elas estão no mesmo barco que você, na mesma tempestade. Ou melhor, enfrentando as mesmas tormentas. Mesmo que a chuva esteja tão forte no começo, e que você não veja, e que eles não estejam falando com você no momento, lá estão eles, seus colegas empreendedores.

Foi por isso que, ao invés de falar sobre canais de distribuição e  formalização de vendas e descontos, eu resolvi falar do que eu aprendi como executiva contratando fornecedores, e agora como consultora negociando com empresas. Resolvi abordar como eu passo pelas minhas tempestades também. E abrir o espaço para que vocês empreendedores compartilhem entre si também.

Não foi sem receio, bem parecido com aquele momento em que você tem que fazer um follow-up num cliente. Fiz questão de compartilhar um pouco do que aprendi de compras e vendas com empreendedores no último sábado (24 de setembro) durante o primeiro Bootcamp do ciclo 2016.2 do InovAtiva Brasil, na regional de São Paulo.

Eu contei para eles que ia fazer uma coisa arriscada. Que não queria compartilhar apenas informações encontradas no Google, e que ia ser histórias e dicas da vida real, casos de sucesso e insucesso. Contei da empresa que tinha 100 dias de funcionamento e o primeiro cliente queria pagar em 180 dias. Falamos sobre investidores, programas como Shark Tank, sobre clientes corporativos difíceis e aqueles acolhedores.

Naquele sábado, durante o workshop de vendas, com cerca de 30 empreendedores presentes, pude ver nos olhos de cada um o reconhecimento do que eu contava. Compartilhei que, para mim, as negociações empresariais na verdade são negociações entre pessoas, e que o relacionamento conta muito. E que você tem que nutrir esses relacionamentos. Falei dos diferentes tipos de comunicação que podem se dar. Fiz dinâmicas para eles descobrirem conexões entre eles e criarem rappor. Propus perguntas que eles gostariam de saber respostas e para as quais, honestamente, também gostaria de saber, entre elas: como encurtar o tempo do lead para fechamento? Desenhei dinâmicas para que eles mesmos pudessem trocar entre eles o que havia funcionado até aquele momento.

Toda a vez que eu tenho a oportunidade de escutar um colega empreendedor, do privilégio de ele compartilhar comigo suas histórias e seus sonhos, eu saio mais feliz, mais rica e sinto que compartilhei um guarda-chuva na tempestade.

* Sócia da Innoscience e mentora do Programa InovAtiva Brasil desde 2016.

Entrevista InovAtiva: a importância do Marketing digital para negócios B2C

Gerson Ribeiro, CEO da Angel Eye, se classifica como um empreendedor tático: engenheiro eletrônico pela UFPE, ele fundou quatro startups, é consultor certificado de Marketing Digital pela DM LLC no Texas e palestrante internacional.Ele contou um pouco sobre a sua experiência com estratégias de Marketing Digital para empresas B2C (Business to Consumer, que vendem diretamente ao consumidor final) e citou experiências que viveu com projetos de consultoria. Além disso, deu dicas para quem está começando no mercado, através de startups. Confira abaixo a entrevista com ele, e descubra como realizar a estratégia perfeita para o seu negócio:


INOVATIVA: Conte-nos um pouco sobre a Oficina de Marketing Digital para empresas B2C.

GERSON: Esta oficina eu já realizo há anos. A primeira vez que ministrei foi em San Diego, na Califórnia (EUA), para seis startups locais. Depois disso realizei o aperfeiçoamento do material e, logo em seguida, fui convidado para dar um treinamento no acelerador de startups do Porto Digital, em Recife, na Jump Brasil. O Bootcamp Regional do InovAtiva em junho teve o mesmo conteúdo apresentado no ano de 2015, e apresentei na oficia o passo a passo para atrair clientes e convertê-los em pessoas pagantes. Isto se dará com dicas de análise que vão desde o posicionamento da empresa, até seu faturamento.


INOVATIVA: Como o Marketing Digital pode auxiliar as empresas?

GERSON: O que acontece é que, hoje, nós temos mais de 100 milhões de usuários – só no Facebook – no Brasil. Pelo mundo, estima-se mais de 1 bilhão de usuários. Atribui-se então que “quem não está nas redes sociais não existe”. A mídia mudou, tornou-se mais democrática graças as redes sociais. As pessoas escolhem o que querem ver de acordo com seu interesse, o que torna mais barato investir no meio online, por conta do direcionamento mais assertivo do produto. E isso independe do negócio. O Marketing Digital auxilia construindo uma base de clientes em larga escala. Porém, não é só criar fan pages, ou perfis em redes sociais diversas, é preciso montar uma estratégia para cada campo e para cada intenção.


INOVATIVA: Marketing Digital pode ser usado somente para vendas em e-commerce? Por quê?

GERSON: Não. O Marketing Digital pode ser usado para qualquer tipo de venda, mesmo que não seja uma transação direta na internet. Ele pode auxiliar para a venda de produtos em campos físicos, por exemplo, ou até para assinaturas, como é o caso das mídias tradicionais. O Marketing digital nada mais é do que a aplicação de conceitos de marketing, no mundo virtual. Isso permite que você use para atrair clientes, para qualquer tipo de produto. Um exemplo bem claro disso são as campanhas políticas. Com o Marketing Digital bem aplicado é possível informar aos eleitores, as propostas e planos de um governante e estimular o voto, por exemplo. Hoje se tem acesso a uma quantidade muito grande de pessoas através dos aplicativos, e isso gera vendas para qualquer negócios e não apenas para e-commerce.


INOVATIVA: Como definir bem um objetivo para a realização do marketing B2C?

GERSON: Eu acredito que o objetivo maior deva ser venda. Deva ser: gerar receita. Deve-se entender que nenhuma empresa sobrevive sem receitas, então, é necessário definir bem um objetivo. Defina o quanto quer faturar e em quanto tempo. Construa uma estratégia, um funil de vendas, otimize, invista em tráfego, invista em anúncios, até que atinja o objetivo de faturamento que visou no início. Isso pode demorar meses. Construa toda a estratégia focada no seu objetivo. Entenda que seu objetivo deve seguir a estratégia SMART, ou seja, deve ser específica (specific), mensurável (measurable), alcançável (attainable), relevante (relevant) e temporal (time-bound).


INOVATIVA: Que tipo de estratégia pode ser adotada na hora de realizar o marketing B2C?

GERSON: Qualquer tipo de estratégia pode ser adaptada. Na verdade, para cada coisa você vai construir estratégias diferentes. O Marketing Digital é apenas uma das peças de uma empresa e ele sempre existirá. Estratégia de atração, vendas e até de compartilhamento podem ser criadas. É necessário ver quais as estratégias se adaptam ao que sua empresa precisa e testá-las. Deve-se criar um plano de ação, testar, aprender, otimizar e continuar fazendo isso sempre.


INOVATIVA: Como mensurar os resultados B2C?

GERSON: Existem vários resultados possíveis de serem medidos. Cliques, conversões, interações, são alguns exemplos de resultados que podem ser analisados através das ferramentas das redes sociais. O Facebook, por exemplo, permite essa análise diretamente em sua ferramenta de anúncios. O Google Analytics, através de sua interface completa de análise de websites. Então, tudo depende do que você quer medir, para que depois seja definido como fazê-la.


INOVATIVA: Quais exemplos de cases e resultados você pode citar?

GERSON: Em maio deste ano, eu construí uma estratégia interessante para um congresso, chamado Brasil Startup Summit. Nós construímos uma base de 10 mil participantes para o congresso, 100% online, que contou com a presença de mais de 50 palestrantes, com os maiores especialistas do mundo. Dentre eles, Arielle Zuckerberg, a irmã do criador do Facebook. Só tivemos essa quantidade de inscritos, graças as estratégias de Marketing Digital aplicadas.


INOVATIVA: Conte-nos alguma experiência que teve com os trabalhos de marketing B2C – e um exemplo de melhoria notável.

GERSON: Em todos os meus negócios eu uso fortemente as estratégias de Marketing Digital B2C. Uma experiência boa foi que há alguns dias atrás eu lancei meu podcast, chamado Startups de Alto Impacto, no iTunes, e rapidamente ficamos rankeados entre os 10 melhores do Brasil, na área de negócios. Isto se dá devido ao trabalho realizado em outras plataformas, como o Facebook e YouTube, onde – neste último – já passamos dos 2.600 inscritos.


INOVATIVA: Cite 5 dicas que podem auxiliar na hora do marketing B2C.

GERSON: Há várias dicas. Vou salientar as cinco que considero mais importantes:

  1.   Tenha um posicionamento muito claro de quem você é, o que é a sua empresa e o que você faz. Isso deve ser feito em apenas uma frase. Seja direto!
  2.   Tenha uma estratégia bem delimitada e tenha um passo-a-passo bem definido. Não imite outras empresas. Você pode se basear em outras estratégias, porém, entenda como adaptá-las para o seu negócio. Só assim você saberá o que funciona para você.
  3.   Seja pessoal. As redes sociais não são locais em que as pessoas querem interagir com as empresas, elas querem interagir com pessoas. Um exemplo disso é a minha empresa, Angel Eye, onde possuo uma fanpage. Toda a divulgação que realizo, faço direto da minha página pessoal, o que gera uma empatia melhor entre mim e os usuários que, posteriormente, são acionados pelo meu perfil pessoal, levando-os para a minha empresa.
  4.   Ter um funil de vendas bem definido também é importante. Tenha as etapas claras, teste, entenda cada uma e detalhe cada uma delas. Comece simples, veja o que dá resultado, gere receita e escale de acordo com sua necessidade.
  5.   Escale. Tenha foco em uma construção autossustentável da sua base, invista em anúncios, impulsione sua estratégia e tenha em mente que isso é um investimento. Profissionais investem em tráfego, então – invista.


INOVATIVA: Há algo que gostaria de salientar que não questionamos?

GERSON: Bom, tudo é teste. Não adianta discutir o que funciona ou não. É necessário estudá-los dentro da sua startup, dentro da sua necessidade empresarial. Existem metodologias comprovadas e é interessante utilizá-las, mas enquanto elas não trouxerem resultados para o seu negócio, elas não funcionam pra você. Na prática, a teoria é outra. Veja o que funciona, o que não funciona, otimize e faça seu negócio crescer. É um trabalho de escala. Não existe fórmula mágica. Existem fórmulas e metodologias, mas que não funcionam magicamente. Você tem que estar ali, trabalhando, melhorando e corrigindo aquilo que não deu certo. Enquanto não colocar em prática, não passa de conversa.

Quer saber mais sobre Marketing Digital? O InovAtiva Brasil está com o curso online aberto sobre o assunto até dia 11/09. Acesse aqui.

Três dicas indispensáveis para criar apresentações para conquistar investidores

Por Rodrigo Gutierres *

É normal que as pessoas tenham muitas dúvidas na hora de criar um slide de apresentação que servirá de apoio para a captação de recursos. Embora o medo possa ser um sentimento constante, é preciso ter segurança e um preparo minucioso. É preciso pensar desde o conteúdo que estará presente na sua apresentação, a identidade visual e, enfim, atentar-se à postura adotada ao se expressar à sua audiência.

Preparei três dicas que podem ser muito úteis e que vão lhe tranquilizar – sem minimizar as responsabilidades – na hora de ganhar seus prospectos investidores.

1 – Pense o seu conteúdo

As pessoas tendem a entupir os slides de textos, gráficos e diversos conteúdos que poderiam ser excluídos da apresentação. E isso pode se dar por diversos fatores, sobretudo, para mostrar “aprendizado” ou “estudo”. Vou propor que você inicie pelo caminho inverso. Aí, você vai me perguntar: mas como?

Comece pensando na estrutura da sua história. Por mais sério que seja seu público alvo – como CEO’s de empresas – o emocional também pode estar em jogo na hora de ganhá-los. Atente-se ao fato de que, quando compramos algo, geralmente somos levados pela emoção e não pela razão. Tendemos a racionalizar demais em apresentações ditas como “formais” e esquecemos que quem nos assiste são pessoas. Talvez virar seus questionamentos para o quanto essa audiência conhece seu produto ou se já está familiarizada com ele seja o melhor a se fazer.

Na vida, quando falamos para uma criança agimos de uma maneira. E com adultos temos outro comportamento. No mundo dos negócios não é diferente! É preciso ir à fundo e conhecer o máximo possível de quem vai lhe ouvir, para ganhar pelo saber e pela emoção. A razão servirá, somente, como afirmação de decisão. Depois de pensar na sua audiência, defina um objetivo e vá afunilando os questionamentos.

Por exemplo:

“Eu preciso de recursos para minha startup”. Ótimo, mas quanto? Pra que? Em quanto tempo? Assim conseguirás definir o que chamo de “propósito”. Dele tirarás seu foco principal. Feito isso, será possível preparar então a estrutura do seu conteúdo – com início, meio e fim.

Depois, é necessário elaborar o seu discurso que, quando apresentado no slide, solicitará, por si, só os dados – sejam gráficos, imagens, boxes etc.

Na hora de criar slides temos a tendência de iniciar diretamente no programa de criação de apresentações. Se você está fazendo isso, pare agora! Comece redigindo o “discurso oral”. Exatamente! Aquilo que você vai falar – e só depois crie os slides. A sua apresentação deve servir como apoio e deve ser um benefício, não um sonífero ou foco de desinteresse para quem assiste. Seja sucinto e coloque apenas o que REALMENTE for necessário. Não se torne refém do seu slide. Através da escrita do discurso – a priori – conseguirás definir o que é assunto principal, o que é de fato “oratória” e o que é ruído, ou seja, o que não será utilizado e que poderá ser descartado.

2 – Pense sua identidade visual

Depois de já conter tudo que abordará e todo o conteúdo que usará na apresentação, é necessário preparar seu slide de fato. É fundamental criar uma identidade, algo que as pessoas se identifiquem, algo que elas recordem – algo que as faça investir em você e na sua ideia. Como falei há pouco, as pessoas possuem o lado racional e emocional – use os dois. Pense desde cor até imagem. De estilo de fonte à tamanho. Deixe a sua marca!

Definir as cores é importante e para isso você pode utilizar as de sua empresa para que, quem lhe ouve, registre quem fala – ou até utilizar a psicologia das cores. A imagem abaixo traz algumas sensações as quais nosso cérebro emite de acordo com o que vemos. Use este fator para ativar o subconsciente das pessoas. Sempre que usar uma cor, procure absorvê-la para todo o conteúdo, bem como o uso de boxes ou elementos gráficos. Evite uma apresentação bipolar.

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Crédito: Mundo da Psico

Você também pode escolher imagens que servirão de gatilhos mentais. Usar uma foto que remeta ao seu conteúdo pode fazer com que seu investidor grave do que se trata, perceba a importância ou se identifique com a sua startup. Porém, é necessário ter cuidado para não usar imagens que já estejam saturadas – use metáforas.

Pensar na diagramação, ou seja, a distribuição da informação no seu slide também é algo fundamental. Torne essa distribuição didática e clara – você pode fazer isso aproveitando bem os espaços. Isso pode ser melhor explorado com animações. Mas evite usá-las para dar “show” ao seu produto, use-a para guiar seu discurso.

3 – Pense sua postura

Não adianta usar uma técnica para parecer mais confiante. É necessário ESTAR confiante! Questione-se sobre seu conteúdo, sobre o quanto ele está completo e qual diferença ele faz à quem assiste. Lembre-se que é necessário ensaiar para que conheças o assunto. Não há outro jeito. Separe um bom tempo para ensaios e saiba apresentar seu conteúdo em vários tempos diferentes. Tenha domínio sobre o assunto!

Há uma técnica que pode lhe auxiliar a ganhar confiança. Chamo de “modo elevador”. Abra uma janela de 30 segundos para explicar seu conteúdo. Conseguiu? Então perceba que você já tem seu gatilho principal. Foque nele! Agindo assim, conseguirás improvisar para acasos que podem acontecer, como a mudança da audiência ou redução do tempo. A única pessoa que sabe o que haverá no conteúdo é você mesmo. Garanta que o principal seja falado e atente-se para o fato de que, se você esqueceu algo, talvez não fosse tão importante.

E eu sei que a audiência também pode dar medo e soar desconfortável. Mas garanta que todos estejam prestando atenção. Perceba que se olhares para alguém da sua audiência por mais ou menos 3 segundos, por exemplo, essa pessoa deve fazer um sinal positivo com a cabeça. É clássico – esse é o aviso para mudar seu olhar para outra pessoa. Fale com todos e para todos. Seja você mesmo – com cuidados – e saiba reconhecer seu modo apresentador. Depois é só apertar a mão de seus novos investidores.

* Designer, sócio-fundador da Convés Criativo e mentor do Programa InovAtiva Brasil.

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