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A força feminina no empreendedorismo inovador

Celebrado no dia 8 de março, o Dia da Mulher nos traz uma reflexão sobre o papel feminino no empreendedorismo. Embora a presença da mulher tenha crescido no mundo dos negócios, este número ainda é pequeno em comparação com a atuação masculina. E é justamente esse fator que se torna um combustível a mais para que elas lutem por mais espaço. O empreendedorismo feminino conquistou o Brasil e as mulheres mostraram que nos negócios não existe sexo frágil. Pensando em homenagear essas mulheres, o programa InovAtiva Brasil entrevistou algumas empreendedoras de sucesso que são exemplo de superação e determinação para outras mulheres e traz esse registro para vocês.


‘‘Já avançamos bastante, mas a luta só chega ao fim no dia em que os números forem equivalentes’’ – Renata Chemin, CEO da Bonuts – Curitiba/PR


Atriz, que trabalha desde criança, chegou a fundar sua própria companhia de teatro em Curitiba/PR, mas foi como empreendedora que se destacou. Ela criou o Bonuts, uma ferramenta de marketing digital que transforma conteúdo gerado pelo usuário em branding para marcas de qualquer porte. A ferramenta também oferece analytics completo das ações da marca e pode ser totalmente personalizável. Perguntamos quando ela identificou o potencial empreendedor e ela nos respondeu que sua carreira é diferente do comum. ‘‘Sou atriz desde os 8 anos e me formei em pedagogia. Tirando os estágios durante a faculdade, eu nunca tive um emprego comum e sempre fui dona do meu negócio, mesmo sem saber o que era empreender. Tive minha própria Cia Teatral e meu próprio Espaço Cultural em Curitiba. Acho que quem identificou o meu potencial foi o meu atual sócio, quando me chamou para fundarmos nossa primeira startup em 2013. A partir desse momento, comecei a estudar mais sobre empreendedorismo e percebi que eu tinha feito isso a vida inteira. Quanto à mulher empreendedora no Brasil, já avançamos bastante mas a luta só chega ao fim no dia em que os números forem equivalentes. Somos 50% da população brasileira, mas apenas 11% de CEOs são mulheres. Sou fundadora de duas startups, CEO de uma delas, ganhei competições internacionais de pitch e continuo lutando para vencer e é isso que nós mulheres devemos fazer. Somos fortes e estamos prontas para o mercado sim’’.


‘‘Acredito que podemos ser tudo aquilo que desejarmos se tivermos convicção e, sobretudo, resiliência’’ – Silmara Neves, Fundadora da IQX-Inove Qualyx – São Paulo/SP


Doutora em Química pela Unicamp, Silmara Neves é uma pesquisadora que já contribuiu para a formação acadêmica de muitos estudantes, mas deixou prevalecer o desejo de desenvolver, produzir e comercializar produtos inovadores e atrelados à sustentabilidade. Silmara criou a IQX-Inove Qualyx, uma empresa do setor de química, dedicada à inovação tecnológica na área de resinas poliméricas, aditivos e especialidades. Perguntamos a ela qual a inspiração para seguir se destacando no mercado e ela nos respondeu que a inspiração é decorrente das inúmeras possibilidades de atuação. ‘‘Há muita carência de inovação no mercado nacional e muito a fazer. As dificuldades são enormes, principalmente, pela falta de cultura inovadora, mas cada passo nessa direção nos dá muita alegria e inspiração para continuar. Não posso deixar de mencionar que a competência e alegria da minha sócia Carla Fonseca, ao desenvolver os produtos IQX, são contagiantes e, sem dúvida, inspiradores”. Silmara acredita que as mulheres podem ser tudo aquilo que desejarem se tiverem convicção e, sobretudo, resiliência. ‘‘Muitas e muitas vezes é necessário enfrentar e superar grandes obstáculos para que uma ideia inovadora se concretize e tenha aceitação, inclusive comercial. Portanto, é preciso desenvolver a capacidade de lidar com problemas, adaptar a mudanças, superar obstáculos, e claro, resistir à pressão de situações adversas. O sucesso virá como consequência desta postura”.


‘‘Com o passar dos anos, as mulheres estão ganhando espaço e os homens estão percebendo nosso potencial” – Barbara Nicolau, CEO da Dreamkid Studio – Manaus/AM


Quem comanda a empresa focada na produção de conteúdo digital lúdico e educativo para o público infantil é a manauense Barbara Nicolau. Formada em Design e CEO da startup Dreamkid Studio, Barbara desenvolveu a startup com o objetivo de auxiliar no aprendizado de crianças, através de jogos, histórias, vídeos e atividades que ajudem no seu desenvolvimento físico, psicológico, intelectual e social. Para ela, as empreendedoras brasileiras estão subindo degraus importantes com o decorrer dos anos, porém ainda existe um obstáculo a ser vencido. ‘‘Nascemos dentro de uma cultura em que os homens assumem posições de liderança e destaque. Adquirimos por muito tempo uma herança de homens confiantes e mulheres cautelosas. Mas com todas as oportunidades e programas de conscientização, estamos superando esse obstáculo. A transformação de uma cultura requer tempo. Com o passar dos anos, as mulheres estão ganhando espaço e os homens estão percebendo nosso potencial”. Questionamos então sobre qual o papel do homem na vida de uma mulher que busca empreender e Barbara nos deu a seguinte resposta:

“O homem da minha vida me escuta, apoia e sempre reflete comigo sobre os aprendizados que posso retirar de momentos difíceis, que podem variar entre alteração de humor ou quando me deparo com surpresas realmente desagradáveis. Tem dias que eu não quero levantar da minha cama, mas ele me apoia e seguimos juntos. Precisamos de homens que nos ajudem a pensar com a razão, entendam nossos compromissos e que nos impulsionem a trilhar caminhos de sucesso”.


‘‘Acredito que qualquer mulher e qualquer homem possa ser um empreendedor de sucesso. Grandes ideias dependem de competência’’ – Vanessa Alekssandra, Fundadora da Startup Espichamos.com – São Paulo/SP


Publicitária e mãe, Vanessa encontrou uma forma de promover o consumo consciente ao desenvolver um marketplace por meio da venda, compra, troca e doação de artigos infantis e de um serviço de Chá de Bebê online que reverte em dinheiro os presentes para o enxoval. Perguntamos se ela encontrou o sucesso e ela nos respondeu que o sucesso é algo que pode ter significados diferentes de pessoa para pessoa. ‘‘Hoje, para mim, ter sucesso significa ter qualidade de vida, ficar mais tempo com meus filhos, poder acompanhar a educação deles e trabalhar em um negócio em que acredito com todas as minhas forças. Independentemente disso, acredito que qualquer mulher e qualquer homem possa ser um empreendedor de sucesso, já que a história de tantas empresas e seus líderes e criadores têm mostrado que grandes ideias não dependem de faculdade, de herança, ou de determinadas qualidades comportamentais. Dependem de competência’’.

E, pensando em todas as empreendedoras do país, o Sebrae está com as inscrições abertas para o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2017. O Sebrae reconhece e premia as melhores iniciativas femininas no empreendedorismo no Brasil. As candidatas vão concorrer a um troféu, ao selo de de vencedora e a uma capacitação em território nacional. O prazo final para se inscrever é 31 de março de 2017 no site http://www.mulherdenegocios.sebrae.com.br/. Participem!

Inovativa Brasil quer capacitar mais mulheres empreendedoras em 2017

O maior programa de aceleração do Brasil apoia a estruturação de startups do segmento do empreendedorismo feminino, que cresceu 16%

Mais de 5 milhões, com 72,9% no comando de micro e pequenas empresas é o contingente de mulheres empreendedoras no Brasil, segundo levantamento divulgado em 2015 pela Serasa Experian. O InovAtiva Brasil reconhece o potencial do empreendedorismo feminino para o crescimento do País e, por isso, pretende aumentar o número de startups compostas por mulheres a serem aceleradas em 2017.

Um estudo conduzido pelo Banco Mundial, revelou que, nos últimos 10 anos, o empreendedorismo feminino cresceu 16% (contra 7% dos homens). 84% das profissionais eram assalariadas antes de empreender no negócio atual e 71,5% delas está nos ramos de comércio e serviço. Em 2015, dobrou o número de páginas de negócios criadas por mulheres no Facebook e no Instagram, assim como as mensagens enviadas a elas.

Para Marcos Vinícius de Souza, secretário de Inovação e Novos Negócios do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), startups compostas por mulheres revelam características interessantes ao trazer maturidade e potencial para conquistarem mercados. “Notamos que, entre os empreendedores, o público feminino tem, cada vez mais, buscado apoio e melhores meios para estruturar e formalizar seus negócios, contribuindo substancialmente com a movimentação da economia do País”, reforça o secretário.

Nos exemplos de mulheres que compõem o time, encontramos a empresa Espichamos.com, uma empresa com perfil digital, idealizado e conduzido por mulheres. A plataforma é colaborativa e pretende promover o consumo consciente e a economia colaborativa entre famílias. Finalistas do Ciclo 2016.2, a startup se enquadra no segmento do empreendedorismo feminino. “Todo o treinamento e apoio que recebemos dos mentores ao logo dos meses de aceleração foram importantíssimos para estruturarmos melhor o nosso negócio. A preparação, especialmente para a apresentação à banca de investidores durante o Bootcamp Final, foi vital”, afirmou Vanessa Delpy, sócia e cofundadora da Espichamos.com. “Estamos muito orgulhosas por termos chegado até a reta final e, principalmente, por termos atraído a atenção dos executivos, que nos abordaram com tantas ideias e dicas interessantes. Essa conexão com investidores será essencial para acelerar a nossa evolução”.

Já Fernanda Davidovici, gestora da Caravel Corporate Finance e mentora do programa no ciclo 2016.1, comenta que é preciso ser hábil para mostrar o impacto que as mulheres têm para apoiar. ‘‘A qualidade das empresas participantes do InovAtiva cresce a cada ano e as mulheres são fortes. Todas possuem propostas incríveis e são capazes de competir de forma igual com os homens. É um futuro promissor para o público feminino’’, reforça.  

Uma recente pesquisa divulgada pela Rede Mulher Empreendedora (RME) apontou que 79% das profissionais tem formação superior completa (ou mais) e que 39,1 anos é a média de idade. A maioria é casada, com filhos e apresenta um grau de escolaridade um pouco maior do que as que planejam empreender (que tem média 36,5 anos), sendo que 30% pertence a Classe C, enquanto 35% das mais velhas pertencem a classe A.O Sebrae aponta que 8 milhões dessas trabalhadoras são formais, mas a RME indica que o contingente de informais ultrapassa 22 milhões no Brasil.

E mesmo com todo o discurso negativo da crise atual do País, os negócios de mais da metade (63%) das empreendedoras está melhor do que há três anos, com fortes perspectivas de melhoria para os próximos três (dados RME).

Texto* Espichamos.com com informações InovAtiva

Minha história: e o que eu aprendi na mentoria do InovAtiva Brasil

Por Carolina Rossi Wosiack *

Nem todo mundo sabe mas venho de uma família de empreendedores. Do tempo em que empreender não era cool como hoje em dia. Na época que saí da faculdade de administração de empresas era bem arriscado você abrir sua própria empresa e muita gente só fazia se não tivesse opção de um emprego em uma corporação.

Aos 19 anos eu precisava empreender por causa de uma situação familiar. É óbvio eu tinha outras alternativas (emprego numa vídeo locadora?, estagiária numa empresa local?). Para mim a que pareceu mais óbvia foi juntar alguns recursos que tínhamos disponíveis (conhecimento, relacionamento com pessoas chave e um casa da família) para montar um negócio.

Plano de negócio? No segundo ano da escola de administração e tendo uma família de empreendedores eu achava que eu tinha tudo o que eu precisava. Montamos a empresa. Abrimos as portas. E daí aconteceu tudo o que é tipo de coisa que você pode imaginar.

Clientes não vêm, como faço um balanço (só tinha feito introdução a contabilidade), preciso demitir a secretária que recém contratei porque ela tem medo de falar ao telefone. O que você conseguir imaginar, a gente passou. Foram dois anos até que a empresa começou a se sustentar financeiramente. Daí a sócia que trazia mais volume de negócios decidiu sair da empresa. Reestruturamos, fomos para uma garagem e não mais para uma casa e o negócio continuo por mais 6 anos. Nada mal para o primeiro negócio. Mas o custo de aprendizagem emocional foi muito alto.

Eu tomei uma decisão, quando saísse da escola de administração eu iria para uma empresa. A minha tinha sobrevivido, mas já tinha histórico de falência na família, em que eu por falta de capacidade e conhecimento ( além de ter acabado de sair da adolescência), não pude fazer nada. Iria para uma grande corporação, de preferência multinacional. E com 3 objetivos claros: 1) aprender com os melhores sobre negócios; 2) criar minha rede de relacionamentos; e 3) capitalizar.

Fui trainee, especialista, gerente e officer. Estabeleci funções, trabalhei em vários países. Enfim, chegou o momento que alguns diriam “ótimo, você é reconhecida e agora é só capitalizar em cima do que você construiu em 13 anos”. Mas… sabe aquele sentimento, aquele chamado que você tem na vida? De que você precisa fazer algo diferente? Ele foi ficando forte e cada vez mais latente em mim.

Comprei uma franquia com minha mãe e uma amiga. Logo compramos a segunda. Modelos de negócios vinham em minha mente o tempo todo. Comecei a aplicar ferramentas de inovação para testar minhas hipóteses. Estruturei propostas de valor para clientes. Fiz escolhas e segui adiante. Hoje estou com duas startups em andamento e mais três outras na gaveta.

Quando faço mentoria no InovAtiva acho que posso ajudar. Aprendi coisas na minha caminhada, conheci pessoas. Hoje, como consultora, ajudo empresas a inovar, a empreender, a crescer. Tudo o que aprendi através do trabalho e também dos estudos.

Mas, o mais interessante para mim foi entender que quando você faz uma mentoria, seu mentorado te desafia. Faz com que você pense mais sobre os próprios modelos. Se questione. Te provoque intelectualmente. Faça com que você lembre de histórias.

Lembrando de histórias, lembrei da minha. E o que começou com um pensamento –  “será que perdi tempo demais no mundo executivo” – tornou-se num sentimento de gratidão com todos que aprendi e passaram pela minha história. Porque eles me tornaram uma profissional mais completa e mais humana.

Hoje sinto que quando mentoro alguém, sou mentorada também. E eu só tenho a agradecer.

* Sócia da Innoscience e mentora do Programa InovAtiva Brasil desde 2016.

A força das mulheres no mercado de startups do Brasil

O empreendedorismo feminino alcançou notoriedade nos últimos anos e trouxe mudanças para o mundo empresarial. Atrás da equidade e equiparação de direitos, as mulheres têm reivindicado reconhecimento como protagonistas de um mercado antes alcançado, em sua maioria, apenas por homens.

De acordo com o Anuário das Mulheres Empreendedoras, elaborado pelo Sebrae em 2013, a participação feminina em micro e pequenas empresas aumentou consideravelmente em uma década. A média de mulheres cresceu em ritmo superior aos dos homens, 7,2% contra 5,4% ao ano, respectivamente. No programa InovAtiva Brasil de 2016, 16% das mentores são mulheres e no grupo dos empreendedores, 13% são do público feminino.

Nos exemplos de mulheres que compõem o time de empreendedoras, encontramos Melina Guelman, CEO do Menu for Tourist, um aplicativo que reúne cardápios de restaurantes brasileiros traduzidos em até oito idiomas. Com 28 anos, a publicitária acredita que as mulheres podem alcançar o que quiserem em todas as áreas de trabalho. ‘‘Eu vejo mulheres reclamando de preconceito, mas nós temos que ser ágeis e provar que somos capazes. Quando uma mulher se encanta por algo, existe um diferencial. Quando ela lidera, o projeto tem uma visibilidade diferente’’, reforça.

A ideia da plataforma surgiu há um ano e meio, quando Melina notou as críticas dos turistas que estiveram na Copa do Mundo de 2014 reclamando da falta de acesso aos cardápios. ‘‘Quando o turista veio para as Olímpiadas no Rio de Janeiro, o surpreendemos com um diferencial: um aplicativo oficial com toda a facilidade que o visitante precisa’’. E como a função de uma startup é realmente solucionar problemas, a mentorada pelo programa InovAtiva Brasil exalta a importância da troca de ideias que acontece na aceleração. ‘‘Temos uma conexão maravilhosa com os mentores e também podemos trocar ideias com todos os empreendedores e ver as soluções que surgem. Todos torcem um pelo outro e isso é realmente incrível’’, comemora.

Fernanda Davidovici, gestora da Caravel Corporate Finance e mentora do programa, já teve experiências complicadas no mercado. ‘‘Uma vez fui mentora de quatro homens, todos mais velhos que eu. A sensação que eu tinha era que eles me olhavam se questionando como eu podia ajudá-los’’, comenta. Segundo ela, foi preciso ser hábil para mostrar que estava ali para ajudar. ‘‘Me posicionei de forma que eles soubessem que eu os respeitava e mostrei que meu lado era apoiá-los. No final, foi algo engraçado pois eles queriam entrar no mercado da moda que é um mercado muito mais feminino que masculino. Então nós fomos ajustando e chegamos a um final tranquilo’’, brinca Fernanda.

Para ela, o trabalho do mentor vai além de qualquer diferença entre os gêneros. ‘‘É muito legal ouvir que as pessoas estão desenvolvendo coisas novas, pois, além de mentora, eu também sou empreendedora’’. Para ela, isso acontece não só pelo fato de se impressionar com as criações, mas como essas inovações estão intimamente ligadas com o desenvolvimento do país. ‘‘São novas cabeças pensantes, trazendo coisas geniais para o mundo. É muito bom pois eu posso compartilhar minha visão e o que eu tenho aprendido por aí com outras pessoas’’, enfatiza Fernanda.

Ela finaliza com o pensamento de que todos os mentores disponibilizam tempo para apoiar os empreendedores. ‘‘Pode parecer clichê, mas realmente estamos aqui pois acreditamos nos projetos. Assim como eu tenho um mentor que me apoia na minha startup, eu também posso colaborar com o meu conhecimento. Ninguém sabe tudo. A ideia é aprender com todos. O nome disso é cooperação’’, conclui.

inovativa@inovativabrasil.com.br