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O que é, afinal de contas, Open Innovation?

Open Innovation… tenho certeza de que você, caro empreendedor, já ouviu falar sobre esse termo em algum momento nos últimos anos, certo?! Pois bem! Como aqui no InovAtiva nosso papel é ajudar e fomentar conexões e conhecimentos, batemos um papo com Demian Talil, Mentor InovAtiva, sobre esse conceito que ganha cada vez mais destaque nas mesas de negociações mundo afora.

Demian é formado em Engenharia Mecatrônica, onde teve seu primeiro contato com o mundo do empreendedorismo, fundando a Empresa Júnior de Engenharia, na PUC/MG. Contabiliza também passagem pela EMBRAER, fundou a Explore Viagens, entre outras experiências. Já nessa época, Demian era abordado para contar sobre sua coragem de sair do mundo corporativo e empreender. Atualmente, V é CEO da FCJ, um dos maiores grupos de venture building do Brasil.

“Uma das coisas que sempre falava nessa época é que se você quer empreender, pense que você não vai fazer apenas aquilo que você gosta. Você precisará cuidar da parte financeira, departamento pessoal, entre outros departamentos. Com isso eu acabava dando um, vamos dizer assim, banho de água fria. Na verdade, minha intenção era mais dar um banho de realidade, para que a pessoa tivesse uma visão real daquilo onde iria entrar”, explica. 

Demian Talil, CEO da FCJ e Mentor InovAtiva (Foto: Divulgação)

 

Em linhas gerais, Open Innovation significa a mudança nas formas de desenvolver ideias e soluções dentro de grandes empresas. Segundo Talil, Inovação Aberta tem ligação com buscar soluções ‘fora de casa’, ou seja, pensar fora da caixa usando recursos que não estejam, necessariamente, dentro da própria empresa. 

“Um dos pontos interessantes é observar que inovação aberta pode ir muito além de envolver outras pessoas e empresas na solução de problemas. Hoje vemos muitas empresas que abrem hackathons para envolver o próprio cliente nesses processos. Ou seja, você consegue buscar na fonte as necessidades de cada consumidor”, comenta.

Demian também comenta que a aplicação da Inovação Aberta pode ser um bom caminho para a geração de novos negócios, com uma redução de risco. Isso porque nesse processo é possível criar um funil de relacionamento com diferentes iniciativas inovadoras, onde é possível observar quais serão as melhores oportunidades geradas e quais mereçam mais investimentos e atenção.

Outro ponto interessante é que quando se fala de Inovação Aberta no que tange a contratar empresas/startups, muitas vezes você é um dos primeiros clientes ou ainda o ‘cliente beta’, ou seja, aquele que valida o produto/serviço. Dessa forma, a startup dedicará atenção total às suas necessidades e demandas, além de estarem abertas a adaptar os produtos. Melhor dizendo, há uma real integração entre ambas as partes, gerando resultados muito mais relevantes.

Portanto, pensando sobre quais os benefícios de uma empresa apostar em Open Innovation, podemos listar o fortalecimento de estratégias corporativas, principalmente para aquelas que estão em processo de transformação digital; identificação de novas tendências tecnológicas; ampliação da cadeia de valor; entre diversos outros aspectos que podem ser otimizados.

“Atuando diariamente nessa linha de frente de conectar startups e empresas, gerando a aplicação eficiente do Open Innovation, notei que muitas companhias chegam a nós falando que querem muito entrar nesse universo, mas não estão sequer preparadas para isso. Por isso é importante destacar que se você é incapaz de acolher ideias do seu próprio time, todo o processo será mais doloroso. Mesmo que seja não estruturado, a empresa precisa ter já um mindset de aceitação de novas propostas”, conta Demian.

O mentor também destaca que quando uma empresa decide, de fato, apostar em Inovação Aberta ela precisa ter claro que busca novos negócios, mudar a mentalidade de toda a sua equipe, exercitar a adoção de novas práticas, fazer sua promoção, no sentido de se ‘mostrar para o mundo’ como uma empresa diferenciada e desenvolver melhor as áreas de P&D.

Vale salientar também que Inovação Aberta não se trata de um processo de compra e venda. Trata-se de uma integração forte entre as empresas na criação e desenvolvimento de produtos/serviços para problemas reais. Além disso, muitas empresas aplicam esses processos para atrair e identificar novos talentos no mundo tecnológico.

O importante é que todos os envolvidos nesse processo entendam que não há uma receita de bolo. É preciso ser aberto, testar, errar… enfim, fazer com que novas ideias façam parte da cultura da empresa, envolvendo todos os níveis hierárquicos da companhia. Daí a importância de, antes de qualquer passo, passar a aceitar as novas propostas internas e só depois abrir as portas para startups e suas novas ideias.

Além dos pontos citados, a Inovação Aberta proporciona também formas de promover sua marca, destacando sua empresa como inovadora, aberta aos diálogos, a ouvir a opinião de seus clientes e, claro, isso pode corroborar para um posicionamento estratégico junto a diferentes stakeholders, incluindo a grande mídia.

Por fim, Demian dá uma dica para quem ainda não começou seu processo de Open Innovation. “Pegue um fornecedor que você já tenha bom relacionamento, explique que deseja alterar algum produto/serviço e abra suas ideias. Pergunte suas opiniões, contrate um mediador para conduzir esse processo se achar necessário. Quando esses fornecedores perceberem que você está aberto às novas ideias, com certeza desejarão se integrar e desenvolver novos produtos”.

 

Healthtechs: tendências e destaque do semestre

No mês de agosto comemoramos no Brasil o Dia Mundial da Saúde. Para celebrar a ocasião da nossa forma InovAtiva, vamos explorar um pouco o assunto das healthtechs – as startups que prometem revolucionar a área da saúde no Brasil e no mundo.

Para falar sobre o tema, contamos com a participação de Alexandre Hashimoto, mentor InovAtiva com 12 anos de experiência na área da saúde e CEO da Health Prime, consultoria especializada no desenvolvimento e gestão de projetos de sustentabilidade para negócios.

“Se tratando de qualquer tipo de negócio, a inovação está baseada naquilo que eu chamo de ‘tripé do futuro das organizações’, que consiste no desenvolvimento estratégico pautado em sustentabilidade, experiência do cliente e transformação digital”, afirma o mentor.

Atuação na saúde e na pandemia

Mais especificamente sobre a área da saúde, as healthtechs podem atuar em três frentes: prevenção, diagnóstico e tratamento. “Para se destacar no mercado, as soluções precisam focar em facilitar a vida do cliente”, explica, complementando que costuma usar o termo “clientes” porque as startups não somente tratam com pacientes, mas também se relacionam com equipes hospitalares e de outros serviços de saúde.

Estas empresas devem estar intimamente ligadas à pesquisa e desenvolvimento, ter uma base tecnológica forte e também precisam atuar no que chama de “diversos gargalos de nosso sistema de saúde”: “não adianta desenvolver soluções que funcionam maravilhosamente bem em um hospital de ponta, mas que não consigam se adequar a serviços com recursos limitados.”

O profissional nota tendências nas healthtechs mais bem-sucedidas no mercado nacional e internacional. Entre elas, Alexandre aponta a utilização de inteligência artificial, internet das coisas, realidade virtual e aumentada, e a cirurgia robótica. “Hoje vemos muitas empresas utilizando Big Data. As tomadas de decisão não são mais baseadas em pesquisas de opinião, mas no tratamento e análise de dados em grande escala”, observa.

Alexandre concorda com outros mentores do hub quando questionado sobre as inovações tecnológicas no período da pandemia da Covid-19. “Embora muita gente acredite que a telemedicina e o trabalho remoto tenham surgido agora, o movimento de transformação digital só foi acelerado em razão dessa urgência”, discorre sobre a pesquisa já realizada anteriormente não somente na área da saúde, mas em todos os segmentos de mercado.

No entanto, reconhece as healthtechs como fundamentais na assistência da população neste momento de crise sanitária. Como exemplos, ele menciona os atendimentos remotos, que permitiram o acesso a diagnóstico e tratamento evitando aglomerações, as plataformas de reuniões virtuais que mantiveram a conexão e engajamento de equipes de apoio e administrativas, além da inteligência artificial que apoiou processos de pré-triagem para atendimentos médicos.

O negócio das healthtechs

O ecossistema de inovação na saúde tem seus “players” específicos. Para o mentor, os principais agentes que podem acelerar ou represar o crescimento das healthtechs são os governos e órgãos reguladores. No Brasil, ele menciona o Ministério da Saúde, a Agência Nacional da Vigilância Sanitária e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). “Estes órgãos regulam todo o ecossistema de saúde brasileiro, desde prestadores de serviços a grandes hospitais.”

“Os hubs de inovação são fundamentais para fomentar o desenvolvimento das healthtechs, mas também existem hospitais tradicionais como o Albert Einstein, que já tem uma cultura robusta de inovação aberta e parcerias com startups”, diz.

Mentoria especializada em saúde

Em suas mentorias no InovAtiva Brasil, Alexandre comenta uma lacuna central que observa dentre muitos negócios inovadores que teve contato. “Falta total clareza quanto ao modelo de negócio e o momento da empresa com relação ao mercado. Muitos empreendedores já estão pensando em rodadas de investimento sem ao menos validar suas soluções: uma etapa indispensável no processo.”

“Dificilmente um investidor embarca no seu empreendimento se ele não entende perfeitamente qual é o seu objetivo”, continua. Segundo o profissional, é indispensável que o empreendedor tenha um planejamento claro, modelagem financeira e também deve delimitar o potencial de mercado. “Construa uma rede de contatos ampla e qualificada no segmento e desenvolva seu pitch constantemente. É preciso saber vender o que a sua empresa pode resolver de forma simples e objetiva.”

Outra questão a ser definida é se a startup trabalha unicamente com uma solução com alto potencial de escalabilidade e lucro, ou se ela almeja ser parte de um contexto de saúde pública. “Isso muda completamente o modelo de negócio da empresa, as parcerias que o empreendedor vai buscar, o público consumidor e a acessibilidade que ela deve proporcionar.”

Uma healthtech para ficar de olho

Startup destaque no InovAtiva Experience 2021.1, a Vigilantes do Sono é uma healthtech que promete revolucionar os padrões de descanso do usuário, dispensando completamente o uso de remédios. Sua solução se baseia em uma Terapia Cognitivo-Comportamental para insônia embasado em mudanças de hábito, agindo, então, nas causas da insônia.

Inovação e tecnologia em Negócios de Impacto

Anualmente, o hub InovAtiva seleciona  até 80 negócios inovadores para o programa InovAtiva de Impacto Socioambiental. Mas o que significa a inovação e a tecnologia envolvidas neste tipo específico de empreendimento?

Para explicar um pouco melhor sobre este assunto, Luciana Homrich, Mentora e Líder de Comunidade no InovAtiva, compartilha seu conhecimento especializado por anos de experiência como CEO na Conecta Projetos, negócio social que visa fortalecer e mobilizar o Ecossistema de Inovação e Impacto Social brasileiro.

“A tecnologia não deve ser vista como um fim, mas como um meio”, destaca a profissional, explicando que, na verdade, os processos tecnológicos nas soluções precisam ser influenciados pelo potencial de impacto, não o contrário. Ou seja, primeiro vem a definição da demanda, e só depois, a forma de resolvê-la.

Ao longo de anos de trabalho, a Conecta Projetos desenvolveu uma lista de seis princípios para definir o que significa inovação no âmbito de negócios de impacto.

Seis princípios para definir inovação no âmbito de negócios de impacto

1.Gestão Eficiente

“Qualquer organização, independentemente do setor de atuação, precisa ter uma gestão eficiente para que possa cumprir com a finalidade a que se propõe”, afirma. “Dentro do possível, quanto mais horizontalizada for a gestão, melhor. Isso contribui para atribuir funções e compromissos, e fazer com que todos tenham responsabilidades equivalentes. Assim, todos os colaboradores podem sentir o mesmo comprometimento na entrega de resultados.”

2. Qualificação

Este princípio se refere à qualificação dos próprios gestores e também de todos os colaboradores e parceiros que fazem parte do funcionamento do negócio de impacto. Além disso, ela frisa que a qualificação deve ser entendida enquanto capacitação, hardskills e softskills. “É muito importante pensar no todo. Porque, sem qualificação, não se sabe fazer projetos, executar ações, prestar contas, nem identificar oportunidades”, diz.

3. Captação

“Quero dizer a captação de recursos em geral, não somente financeiros”.  Luciana inclui  neste princípio também pessoas, em relações de parcerias e voluntariado. “Forme um  processo consistente que permita com que o seu negócio consiga evoluir de forma eficiente e demonstrando os resultados que se espera.”

4. Avaliação

A avaliação de negócios de impacto é uma das questões que os separa de outros tipos de organizações. Aqui, não é necessário só demonstrar o retorno financeiro, quanto também verificar se a finalidade da empresa está sendo cumprida. “Este valor é medido principalmente por meio de transformações na realidade, durante ou após a realização de uma ação, evento, projeto ou programa. Elas podem acontecer de diferentes formas, de acordo com os princípios que estão relacionados com o trabalho de cada empreendimento”, diz. Para métricas de avaliação, Luciana sugere a utilização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e o Impact Reporting & Investment Standards (IRIS).

5. Transparência

“Garanta transparência a todos os processos e principalmente aos resultados. Ou seja, saiba comunicar a informação da melhor forma possível. Seja sobre impactos, resultados ou os valores e missões da empresa. Por que estamos aqui? Qual transformação eu quero efetivar na realidade?”

6. Engajamento

O último dos princípios listados pela mentora trata sobre a formação de uma rede de parceiros comprometidos com o negócio de impacto. “É imprescindível engajar para fazer gestão, qualificar, captar, dar transparência e também para ampliar os impactos. Porque, sozinho, é até possível gerar impacto positivo. Mas você é um grãozinho dentro de um saco de arroz. Juntos, podemos fazer com que essa transformação seja muito mais significativa e efetiva”, ressalta.

Luciana finaliza esclarecendo que o impacto real nunca está isolado no âmbito social ou ambiental. “Todo impacto passa a ser socioambiental porque melhorar o ambiente natural é importante para o ser humano, e as populações estão incluídas no nosso ambiente: uma coisa não está separada da outra. No nosso trabalho, mobilizamos diferentes atores, desde o setor público até empresas e sociedade civil.”

Aceleração InovAtiva: conheça a diferença entre os programas e qual o melhor para seu negócio inovador

O InovAtiva é um hub de inovação que promove uma série de programas gratuitos para aceleração e conexão de negócios inovadores. Mas, com uma gama enorme de possibilidades, é preciso filtrar e entender qual é o mais adequado para seu negócio. Entenda melhor sobre cada um deles e decida em qual se inscrever!

InovAtiva Brasil

O InovAtiva Brasil é o maior programa de aceleração de startups da América Latina. Ele tem dois ciclos por ano e, em 2021, o número de projetos selecionados por ciclo cresceu para até 400. 

As chamadas são abertas a projetos de negócios inovadores nas fases de validação, operação ou tração de todo o país, de qualquer área de atuação. Os ciclos são divididos em duas etapas e todas as selecionadas passam pela primeira, a de Aceleração, que dura 3 meses. Mediante uma segunda avaliação, as empresas mais promissoras passam para uma segunda fase, a etapa Conexão, que possui um mês de duração.

Ao longo do programa, os empreendedores passam por uma série de atividades: mentorias coletivas e individuais, cursos exclusivos, treinamentos de pitch e pitch deck, além da oportunidade de se apresentar, ao final do ciclo, a uma banca de investidores no InovAtiva Experience. 

Rafael Wandrey, Coordenador-Geral de Empreendedorismo Inovador e Novos Negócios do Ministério da Economia explica um detalhe importante: “os projetos elegíveis para o InovAtiva Brasil, não necessariamente devem ter tecnologia atrelada. A inovação pode estar relacionada à tecnologia, mas também pode ser no modelo de negócio, do próprio produto ou serviço, ou até mesmo na relação com o cliente. O conceito de inovação é muito mais amplo”.

O resultado dos projetos aprovados para o Ciclo 2021.2 do programa será divulgado no dia 16/08. Se quiser saber mais sobre a divulgação, acompanhe as redes sociais do InovAtiva

InovAtiva de Impacto Socioambiental

“O InovAtiva de Impacto Socioambiental é bem parecido estruturalmente com o InovAtiva Brasil, mas é focado em negócios inovadores que procuram solucionar problemas socioambientais e ainda assim ter como meta a geração de lucro.”, diz Diego Peruchi, Coordenador de Projetos de Empreendedorismo Inovador pela Fundação Certi.  

Ou seja, o ciclo de Impacto oferece oportunidades semelhantes às do InovAtiva Brasil – cursos de negócios, mentorias coletivas e individuais, treinamentos de pitch e pitch deck e a chance de se apresentar a investidores no InovAtiva Experience. 

O desenvolvimento de negócios de impacto tem suas próprias oportunidades e desafios. Por isso, o ciclo é concebido com mentores que possam apoiar os empreendedores nestas especificidades. 

É oferecido um ciclo por ano para o InovAtiva de Impacto para projetos nas fases de validação, operação ou tração. Veja aqui o regulamento do ciclo de 2021 e se prepare para o ano que vem. 

Ideiaz Powered by InovAtiva 

O Ideiaz Powered by InovAtiva é uma iniciativa que foi lançada em 2021 pelo hub InovAtiva. Diferentemente dos dois acima, ele seleciona somente projetos em estágio inicial, em fase de ideação ou criação, ou seja, cujo modelo de negócio ainda não esteja consolidado e ainda não tenham clientes. O programa também tem abrangência nacional e, em sua primeira rodada – iniciada em fevereiro deste ano – selecionou 150 empreendedores. Agora, para o segundo e terceiro ciclo do Ideiaz, até 425 projetos poderão participar de cada chamada. 

“O Ideiaz Powered by InovAtiva é voltado para quem sonha em empreender, mas não sabe como começar. O programa oferece apoio gratuito de incubadoras e aceleradoras credenciadas para o desenvolvimento de futuras startups de todo o país”, diz Guila Calheiros, Superintendente da ANPROTEC, realizadora do Ideiaz Powered by InovAtiva.   

O programa tem a finalidade de atender em escala ideias e projetos de pequenos negócios inovadores por meio da conexão gratuita com os mecanismos de geração de empreendimentos existentes em todas as regiões do país. Eles podem ser de qualquer nicho de mercado. 

Cada empreendimento selecionado recebe individualmente, no mínimo, 18 horas de apoio ao seu desenvolvimento, entre mentorias, consultoria organizacional, suporte tecnológico, e suporte para formalização do negócio e qualificação empreendedora. 

Ficou interessado? O programa está com inscrições abertas para sua 2ª chamada! Acesse o link, confira o regulamento e saiba mais sobre a iniciativa.

O que é o Marco Legal de Startups e como ele impacta o ambiente de inovação nacional

Foi instituído, em Junho de 2021,  um grande avanço na legislação brasileira no sentido de fundamentar o crescimento do empreendedorismo inovador no país: o Marco Legal das Startups. Para entender um pouco melhor o tema, o Blog InovAtiva conversou com o Coordenador de Empreendedorismo Inovador do Ministério da Economia, Luiz Felipe Gondin Ramos.

Na entrevista, o coordenador explicou alguns detalhes sobre a lei e falou sobre como e por que ela foi concebida. Confira alguns destaques da conversa:

O que é uma startup

Segundo o texto da lei, são consideradas startups as organizações empresariais ou societárias com atuação na inovação aplicada a modelo de negócios ou a produtos e serviços ofertados. Essas empresas devem ter receita bruta anual de até R$ 16 milhões e até dez anos de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ).

“O propósito dessa definição é, basicamente, melhorar a segurança jurídica para todos os agentes envolvidos no ecossistema de inovação brasileiro”, afirma Luiz, no sentido de garantir transparência sobre o tema para que ele seja levado ao debate público e não seja mais um assunto exclusivo de um só setor da sociedade. “É importante definir as regras do jogo: ter a clareza de quais são os atores, os procedimentos e expectativas para que seja possível construir planejamentos a longo prazo.”

Alguns recursos previstos no Marco Legal das Startups

A partir da nova legislação, as startups poderão receber investimentos de pessoas físicas ou jurídicas que resultarão ou não em participação no capital social da startup, a depender da modalidade escolhida pelas partes.

O investidor que fizer o aporte de recursos sem ingressar no capital social não será considerado sócio. Essa medida afasta a responsabilização do investidor, que não responderá por qualquer dívida da startup, exceto em caso de conduta dolosa, ilícita ou de má-fé por parte do investidor.

As startups passam por diversos tipos de investimento em sua jornada. Dentre eles, o investidor anjo é uma figura essencial, reconhecida juridicamente desde 2016, mas reforçada no Marco Legal das Startups. “Nós procuramos aperfeiçoar, expandir e reforçar a liberdade contratual entre os investidores e os beneficiados. Desta forma, damos mais segurança a essas relações e facilitamos os investimentos para ajudar a fortalecer o ecossistema”, esclarece Luiz.  

“A ausência de uma definição jurídica clara para esta relação pode gerar muita insegurança quanto à responsabilização de investidores por eventuais questões judiciais envolvendo os gestores da organização. Por isso, nos propusemos a aperfeiçoar essa segmentação de responsabilidade. Justamente porque o investidor anjo é fundamental, especialmente no início da jornada da startup”, ressalta Luiz.  

Por que a ênfase em inovação?

É reconhecida, desde a Constituição Federal de 1988, a necessidade do tratamento diferenciado para micro e pequenas empresas. “Elas enfrentam dores e barreiras diferentes do que empresas já consolidadas e, para elas, o custo da burocracia é muito grande. Tratando-se de startups, estas dificuldades são ainda maiores”, explica Luiz. 

“A inovação sempre está atrelada a uma série de incertezas. Apesar de encontrar competitividade no mercado, a solução inovadora ainda não tem dados suficientes para a análise segura de riscos por parte dos investidores. É diferente de abrir uma lavanderia, que é um negócio que já conhecemos bem e podemos calcular probabilidades baseadas em um histórico já consolidado.”

Luiz também explora a possibilidade do próprio risco tecnológico. “É desenvolvida uma nova tecnologia que parece muito interessante, e pode funcionar perfeitamente, mas também pode fracassar. É por isso que as startups enfrentam dificuldades maiores do que outros tipos de empresas – o que não invalida sua relevância na economia nacional.” 

Ambiente experimental

Outro ponto que o Marco Legal traz é a criação do ambiente regulatório experimental, o chamado “sandbox regulatório”. É um regime diferenciado onde a empresa pode lançar novos produtos e serviços experimentais com menos burocracia e mais flexibilidade no modelo.

No sandbox, órgãos ou agências com competência de regulação setorial podem afastar normas para que empresas inovadoras experimentem modelos de negócios inovadores e testem técnicas e tecnologias, com acompanhamento do regulador. Cabe aos órgãos e agências definir os critérios de seleção das empresas participantes, as normas que poderão ser suspensas e o período de duração.

Contratação pela Administração Pública

A nova legislação também disciplina a licitação e a contratação de soluções inovadoras pela Administração Pública, facilitando para o governo a aquisição de soluções de startups. A legislação vigente de compras públicas inviabiliza a contratação de soluções inovadoras desenvolvidas por startups devido às especificidades das exigências.

Reconhecimento internacional

O levantamento europeu Digital Riser Report 2021 apontou o Brasil como o terceiro país do G20 que mais avançou no Ranking Global de Competitividade Digital, entre 2018 e 2020. E mais do que isso: o Marco Legal das Startups, os programas InovAtiva Brasil e StartOut Brasil, e o Comitê de Startups, foram identificados no relatório como algumas das políticas que contribuíram para esse resultado. 

“Comemoramos muito essa indicação, porque ela demonstra que estamos conseguindo atingir nosso objetivo principal. Somos um dos únicos países do mundo que têm um Marco Legal de Startups. Esta é uma sinalização, tanto para o mercado brasileiro quanto para a concorrência global, de que o Brasil considera esse tema prioritário. Estamos jogando para nos posicionar bem dentre esses pólos de inovação mundiais”, comenta Luiz. 

Um olhar para o futuro

Luiz Felipe Gondin afirma que, apesar de uma grande conquista,  o Marco Legal das Startups não é o fim, mas o início de uma jornada de aquecimento do empreendedorismo inovador no Brasil. “Esperamos que ele produza efeitos reais e positivos no ecossistema, gerando mais segurança para aumentar os investimentos em inovação e que essas relações sejam cada vez mais intensas e diversificadas”, diz, referindo-se tanto localmente quanto nacionalmente. 

“Também é esperado que este debate seja a base para novas ideias e evoluções legislativas e que fundamente a criação de novas ações, tanto públicas como privadas. Falar sobre a segurança jurídica de startups é abordar o desenvolvimento econômico, porque também significa geração de emprego, renda e relações comerciais”, conclui.  

Negócios de Impacto Socioambiental: o que saber antes de começar

Em 2020, a Global Impact Investing Network (GIIN), calculou em sua publicação anual que o tamanho do mercado atual de investimentos de impacto no mundo é de US$715 bilhões. Devido ao interesse de investidores e à crescente demanda social em negócios dessa área, não é de se espantar que cada vez mais eles tenham surgido no ecossistema mundial. Entretanto, os negócios de impacto socioambiental têm desafios e oportunidades específicas que devem ser exploradas desde sua idealização.

Gabriela Werner, CEO do Impact Hub Florianópolis e uma das palestrantes do InovAtiva Day, ofereceu sua perspectiva para explicar melhor como começar a empreender na área. Segundo a especialista, o grande desafio dos negócios de impacto é que o empreendedor precisa se atentar a duas questões com o mesmo comprometimento: a financeira e o propósito. “A gente precisa que a conta feche e a empresa se mantenha financeiramente saudável, porém, a intenção principal não é gerar o máximo de lucro possível para os seus fundadores, mas resolver um problema socioambiental relevante. Então, os indicadores de sucesso devem  demonstrar ambos os pilares.”

Acerca da definição deste tipo específico de empreendimento, Gabriela detalha que ele deve ter na sua missão a solução de pelo menos um dos pontos listados nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. “A lista é um consenso mundial de tópicos mais importantes que a humanidade precisa tratar até 2030, com o propósito de construir um mundo mais justo e mais sustentável”, diz.

O Mapa 2021 de Negócios de Impacto Socioambiental da Pipe.Labo organizou os nichos de atuação dos negócios estudados de acordo com os ODS e os três principais temas encontrados foram: Consumo e produção responsáveis (39%), Saúde e bem-estar (36%) e Trabalho decente e crescimento econômico (35%).

Gabriela comenta que o consumo responsável e o trabalho decente sempre representaram nichos de interesse naturalmente significativos para o mercado brasileiro, mas que a área da saúde apresentou um grande crescimento durante a pandemia da Covid-19. Segundo a pesquisa, 52% dos entrevistados identificaram na crise uma oportunidade de desenvolvimento de novos produtos e serviços, e novos mercados alcançados.

Entre Verticais de Impacto, outro dos indicadores pesquisados, os principais foram Tecnologias verdes (49%) e Civic Techs (40%).

Ainda segundo o levantamento, o dinheiro é o principal motivo de pedidos de ajuda para os negócios estudados (44%). Enquanto isso, 51% dos empreendedores já buscaram/estão buscando por processos de aceleração sem sucesso. Entretanto, este dado pode ser explicado por outra parte muito interessante da pesquisa: 42% ainda não definiram indicadores de acompanhamento de impacto, 33% definiram mas ainda não os utilizam; e 64% não declararam relatórios de emissões de gases de efeito estufa.

Esta porcentagem de negócios de impacto social que não realizam estes dois tipos de levantamentos é problemática. Gabriela comenta que esta é uma questão que certamente dificulta a obtenção de investimento, porque este tipo específico de investidor procura justamente por este recorte nos indicadores das empresas.

Por isso, a especialista frisa que uma das principais dicas para quem está começando um empreendimento de impacto é procurar a sua turma: “encontrar pessoas que já encontraram caminhos para chegar ao sucesso, como um sistema de apoio, é essencial, porque existe uma série de questões e oportunidades únicas deste tipo de negócio. Portanto, crescer em comunidade é sempre muito legal”, diz.

“É enriquecedor para os empreendedores vivenciarem os  altos e baixos dessa trajetória em conjunto, aprender uns com os outros e conhecer esses caminhos que são tão úteis. Nesse contexto, o InovAtiva de Impacto é uma excelente oportunidade para as pessoas terem contato com alguns dos melhores mentores, professores e outras pessoas que já possuem esse conhecimento. Além disso, ele é gratuito e pode ser acessado em qualquer canto do Brasil”, conta Gabriela, que incentiva a candidatura de pessoas de qualquer região, com todos os tipos de organizações. “A diversidade também traz muita relevância para o programa e isso pode fazer a diferença na sociedade”, conclui.

InovAtiva Brasil está com inscrições abertas para o ciclo 2021.2 do programa de aceleração

As inscrições para o Ciclo 2021.2 do InovAtiva Brasil estarão abertas até 19/07 para todos os negócios inovadores interessados no  programa de aceleração no segundo semestre  A equipe de seleção procura projetos que desenvolvem soluções inovadoras em produtos ou serviços em estágio de validação, operação e tração que estejam em busca de conexão com o mercado e investidores.

O InovAtiva Brasil oferece conteúdos e treinamentos valiosos para empresas que estão buscando se firmar no Brasil. Até 360 empreendedores serão escolhidos para a primeira etapa, de aceleração. Nesta, são oferecidas mentorias coletivas e individuais baseadas em entrevistas personalizadas com os gestores do programa para entender melhor quais as necessidades específicas de cada participante. A plataforma desenvolvida aos empreendedores selecionados em cada ciclo também disponibiliza cursos de modelagem financeira, validação da proposta de valor, acesso ao mercado e capital e compartilhamento de propriedade intelectual.

Após a primeira etapa, até 140 empresas serão escolhidas para avançar para a Etapa de Conexão. Nela, são oferecidos conteúdos mais específicos para seu nicho de atuação e treinamentos de pitch, além da chance de participar do InovAtiva Experience, evento de encerramento do ciclo, no qual os empreendedores têm a oportunidade de apresentar seus negócios para uma banca de investidores, grandes empresas e aceleradoras.

Os benefícios do InovAtiva Brasil

O InovAtiva Brasil é um dos programas de aceleração e conexão de negócios inovadores do InovAtiva, hub de inovação que promove um conjunto de iniciativas de apoio ao desenvolvimento do ecossistema de empreendedorismo inovador no Brasil. Em 2020, o InovAtiva foi eleito, pelo segundo ano consecutivo, o principal fomentador do ecossistema de inovação do país pelo ranking 100 Open Startups – plataforma internacional de maior impacto na geração de negócios entre grandes empresas e startups. Em 2017, foi considerado como benchmark de política de inovação pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

“Os negócios inovadores que participam dos ciclos de aceleração do programa se beneficiam muito com as oportunidades de conexão e visibilidade, que trazem a elas várias oportunidades de negócio.” diz Gabriel Pignat, gestor de aceleração do InovAtiva Brasil.

Segundo o gestor, o InovAtiva tem a maior rede de mentores do Brasil. E é com estes profissionais que os empreendedores selecionados têm a oportunidade de aprender a lidar com seus negócios. “Além de todo o conteúdo compartilhado com os selecionados, os participantes que chegam até o final da segunda fase têm a oportunidade de se apresentar para uma banca de investidores e conseguirem, eventualmente, um aporte financeiro e parceiro estratégico para o seu negócio”, pontua Gabriel, como uma das principais vantagens dos ciclos.

Passadas as atividades obrigatórias da primeira fase do ciclo, os negócios participantes recebem o selo de Acelerada pelo InovAtiva. Aqueles que forem selecionados para a segunda fase  e que cumprirem todo o cronograma de atividades, chegando ao final do ciclo, recebem outro selo: Graduada pelo InovAtiva. Além de todo o conhecimento oferecido aos empreendedores, esses selos têm muito valor no mercado.

“Como o maior programa de aceleração de startups da América Latina, o InovAtiva Brasil tem um reconhecimento muito grande. Por isso, as companhias  que recebem os selos, tanto de Aceleradas, quanto de Graduadas InovAtiva, já se destacam conseguindo conexões com atores chave, bem como credibilidade e visibilidade”, diz Gabriel.

Conheça mais sobre o InovAtiva Brasil

O InovAtiva Brasil é o maior programa de aceleração de startups da América Latina. Voltado para negócios inovadores de todo o país, em todos os segmentos de atuação, o InovAtiva Brasil seleciona a cada ciclo até 400 negócios que estejam nas fases de validação, operação ou tração. São realizados, por ano, dois ciclos de aceleração de 4 meses de duração cada um.

Empreendedora há mais de 12 anos, Ariane Pelocioli já participou do InovAtiva Brasil em três ciclos, cada um com uma empresa diferente. Em 2014, ingressou com a Piipee. “Na época, o InovAtiva foi um divisor de águas, pois ainda não vendíamos o produto e participar do programa nos despertou a urgência de colocar o produto no mercado”, comenta.

Em 2018, participou com a Boletão e, em 2020, com a iUPay. “Além de todo o conteúdo que nos auxilia nas diferentes fases e estágios da startup, o InovAtiva sempre trouxe muito networking. Essas são conexões que permanecem e continuam dando resultados sensacionais mesmo após o final da aceleração, além da credencial super relevante de ser uma startup acelerada Inovativa. Por isso, toda startup precisa participar”, compartilha Ariane.

“Estar do InovAtiva significa ganhar prêmios do começo ao fim. Sua startup recebe esses prêmios em forma de mentorias, material para leitura, cursos, contatos com os mentores – muita coisa boa! Para mim o principal e maior benefício que nossa startup recebeu foi o conhecimento adquirido”, diz Eugênio Marques, fundador da Sysvale Softgroup, startup de soluções tecnológicas para a área da saúde, acelerada no ciclo 2020.2 do InovAtiva Brasil.

Desde 2013, o programa já acelerou 1195 negócios inovadores. “É muito gratificante acompanhar a evolução e o amadurecimento das startups ao longo de todo o processo de aceleração, inscrição no programa até a apresentação para a banca de investidores no evento final do ciclo, e saber que o trabalho da Equipe InovAtiva fez a diferença não somente na vida dos empreendedores, mas também no fortalecimento do ecossistema como um todo”, comemora Gabriel Pignat.

 

Inscrições abertas Ciclo 2021.2: Inscreva-se até 19/07

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InovAtiva Day: conheça a história da Rocket.chat, startup brasileira presente em mais de 170 países

“Ao longo de uma noite em claro, regada a Red Bull e pizza”. É assim que o CEO e fundador da Rocket.chat, Gabriel Engel, descreve o início de sua empreitada empreendedora durante o painel de abertura do InovAtiva Day, evento organizado pelo InovAtiva, que aconteceu no último dia 19. Dando, assim, origem ao aplicativo multiplataforma de código aberto de comunicação corporativa que tem feito sucesso nos quatro cantos do mundo, marcado pela ideia da colaboração em todas as suas etapas de crescimento.

O projeto nasceu com a simples concepção de que “a comunicação só funciona quando todos podem acessar a todos em uma só plataforma”, conta Gabriel em sua apresentação, referindo-se ao diálogo entre empresa e clientes, mas também entre funcionários dentro de uma organização.

“Estávamos tão entusiasmados com essa ideia, que decidimos torná-la de código aberto. Publicamos a fonte do programa da internet para que qualquer pessoa pudesse baixar, alterar e nos ajudar a construir. Com essa contribuição de desenvolvedores ao redor do mundo, almejamos criar uma plataforma melhor do que poderíamos criar sozinhos. Mas, nunca poderíamos imaginar o que aconteceu depois. Em pouco mais de 24 horas, alguém publicou nosso código na Hacker News, um agregador de notícias da Y Combinator, uma das maiores incubadoras do mundo. Quando a gente viu, começamos a ter mais de 30 mil pageviews de uma hora para outra”, compartilha Gabriel.

A partir daí, o projeto ficou cada vez mais conhecido nos círculos de desenvolvedores, justamente pela característica do código aberto, e o fundador começou a ser convidado para apresentar seu trabalho em fóruns internacionais. Foi assim que Gabriel fez conexões valiosas para pedir conselhos de empreendedores de sucesso internacional e então fazer crescer seu negócio.

Uma das suas primeiras conexões foi um dos fundadores do Git Hub, para quem Gabriel já tinha uma lista de perguntas, no caso de conhecê-lo. Segundo ele, a principal foi como era seu processo de tomada de decisões. A resposta: “tento sempre maximizar o quão interessante será minha vida depois de cada decisão.” Este conselho foi levado a sério e pautou a jornada do empreendedor com sua empresa.

Uma das principais dúvidas dele era como monetizar um produto gratuito e de código aberto, característica que não queria deixar de lado. “Chegamos a um ponto que começamos a perder dinheiro, mesmo com cada vez mais pessoas utilizando a plataforma”, compartilha. Neste momento, a própria comunidade de usuários começou uma “vaquinha” de doações para que a Rocket.chat pudesse continuar. “Foi aí, que percebemos que estávamos fazendo a coisa certa”, diz.

O produto continuou chamando a atenção da comunidade até que um grande investidor, Harry Weller, entrou em contato com Gabriel, interessado em investir na Rocket.chat. “O cara era uma lenda. Infelizmente, fomos seu último investimento, porque ele faleceu logo depois”. O aporte financeiro que receberam garantiu que o trabalho continuasse e que eles pudessem, de fato, criar um mecanismo para monetizar o produto sem perder a característica essencial do compartilhamento com desenvolvedores ao redor do mundo.

“O código aberto funciona como nosso topo do funil. Ele é gratuito, um monte de gente pode usar, mas a partir daí o usuário tem acesso ao nosso marketplace, onde tem novas funcionalidades gratuitas e pagas. Então, aquele usuário que mesmo que está hoje usando o serviço de graça, às vezes, decide que precisa de mais segurança ou mais suporte e opta por comprar a versão Bronze, Silver ou Gold do nosso chat ou Pro Enterprise do nosso que é o produto instalado do teu próprio computador ou servidor”, explica Gabriel.

A Rocket.Chat atualmente

Hoje, a Rocket.chat tem um time de mais de cem pessoas espalhadas pelo mundo: “toda hora tem alguém acordado em algum lugar”, brinca. Apesar do trabalho remoto devido não só à distância, mas também à pandemia da Covid-19, o CEO ainda defende o quão importante é o contato presencial dos funcionários de uma empresa.

“As pessoas sempre trabalham melhor depois que elas se conhecem. As companhias precisam investir em criar situações nas quais as pessoas possam, um dia, sair para tomar uma cerveja, jantar, fazer uma aventura e se conhecer. Nos encontramos pelo menos uma vez por ano.”  E ela continua crescendo. Hoje, com quase quinze milhões de usuários registrados, quase um milhão de servidores instalados no mundo, as perspectivas só aumentam para o futuro.

Gabriel aconselha novos empreendedores a pensar em modelos de negócios diferentes e não terem medo de arriscar. “Na medida do possível já comece pensando em nível global. Muitas vezes, pelo Brasil ser um país tão grande, as pessoas ficam acomodadas e pensam somente no mercado nacional. Mas a única forma de crescer é já iniciar o planejamento com a concepção de atuar internacionalmente”, finaliza.

 

Confira os principais resultados do primeiro evento InovAtiva Day: InovAtiva Day em números

Startup ajuda supermercados a reduzirem o prejuízo com alimentos vencidos em até 94%

A startup Total Strategy desenvolveu um aplicativo capaz de identificar itens que estão se aproximando da data de validade e oferecer aos supermercados alternativas para evitar que os produtos sejam descartados.

O app conta com três ferramentas. A primeira, chamada Big, disponibiliza dados sobre o supermercado e, a partir do acompanhamento desses dados, fornece informações sobre como dar um fim adequado aos produtos. A ferramenta Box faz a gestão da informação e avisa o supermercadista sobre os itens que precisam ser repostos, auxiliando em serviços gerais. A terceira ferramenta é a Eco, loja online em que as mercadorias próximas do vencimento são colocadas em promoção ou doadas para ONGs.

“Em média, os supermercados jogam fora R$3 mil em produtos vencidos por mês. Conseguimos ajudá-los na economia de 80% a 94% deste valor.”, comenta Cynara Bahia, CEO da Total Strategy.

A startup foi criada em 2016. Na época, Cynara e seus dois sócios, Ricardo Crispim e Waltenes Sardinha, criaram um aplicativo que permitia que promotores de venda e repositores cadastrassem o código de barras, a data de validade e a foto dos produtos que existiam em suas lojas. “Quando disponibilizamos essa ferramenta, em instantes já tínhamos 3 mil downloads e promotores de venda contando as suas experiências”, conta a empreendedora.

Em 2019, a startup mudou seu foco e passou a oferecer a tecnologia diretamente para os supermercados, uma vez que são eles os prejudicados com o vencimento dos produtos. Em busca de qualificação técnica para atingir esse público, os empreendedores decidiram inscrever a startup em programas de aceleração.

No segundo semestre de 2020, participou simultaneamente dos programas InovAtiva de Impacto e InovAtiva Brasil e foi destaque na categoria Tecnologia da Informação e Comunicação.

De acordo com Cynara, a participação no InovAtiva a ajudou no processo de organização e gestão da equipe. “Todo o conhecimento adquirido foi aplicado em seguida. Parece até inexplicável a nossa evolução de 1º de janeiro de 2020 para 31 de dezembro de 2020. Nós participamos de todas as atividades do InovAtiva, mesmo as não obrigatórias, porque acreditamos que sempre temos algo para aprender”, destaca a CEO.

Em 2020, a Total Strategy participou também do Programa Centelha, do programa de aceleração da Cotidiano e do Conecta Startup Brasil.

Para 2021, um dos objetivos da startup é se preparar para participar de programas internacionalização (conheça o StartOut Brasil, programa de apoio à internacionalização de startups brasileiras).

Programa InovAtiva de Impacto viabiliza parceria entre startups durante ciclo de aceleração

Incentivar a conexão e o networking é um dos principais valores dos programas de aceleração do InovAtiva. Em 2020, as startups Sharity e PWTech aproveitaram a oportunidade de integração e firmaram uma parceria enquanto participavam do InovAtiva de Impacto Socioambiental.

Quem deu o primeiro passo em busca de novos contatos foi Gustavo Henriques, CEO da Sharity, plataforma de crowdfunding com foco em impacto social. Segundo Henriques, a inscrição no programa InovAtiva de Impacto foi feita com o objetivo de aumentar a visibilidade da solução e estabelecer conexões com mentores e com outras startups.

“Quando foram divulgadas as 40 empresas selecionadas, verifiquei o que cada uma delas fazia. Percebi que muitas delas tinham sinergia com o que a gente queria oferecer ou que poderiam utilizar o nosso produto. A partir disso, fui chamando as pessoas para conversar”, relembra.

Uma das startups contactadas foi a PWTech, desenvolvedora de um equipamento que realiza a purificação de água. Ela estava em busca de uma plataforma que a ajudasse a lançar uma campanha de arrecadação de fundos para a instalação de seis desses dispositivos na Ilha do Bororé, um bairro localizado na Zona Sul do município de São Paulo. A iniciativa, desenvolvida em conjunto com a Associação de Moradores da Ilha do Bororé e a Sapiência Ambiental, tinha o objetivo de garantir o abastecimento de água potável para cerca de 300 pessoas.

Para Maria Helena Azevedo, diretora comercial na PWTech, a parceria foi importante para o processo de formatação e lançamento da campanha. Nesse período, a Sharity compartilhou dicas sobre quais estratégias de comunicação devem ser adotadas em plataformas de crowdfunding “Com a ajuda, conseguimos arrecadar parte dos recursos para o projeto, que busca reduzir significativamente a ocorrência de doenças relacionadas à falta de saneamento e contribuir para o bem-estar dos moradores da região”, comenta a empreendedora.

Conheça os programas de aceleração InovAtiva Brasil e InovAtiva de Impacto e saiba como eles ajudam startups a desenvolverem suas soluções.

Sobre a Sharity

Criada em junho de 2019, a Sharity é uma plataforma de crowdfunding com foco em impacto social, que usa gamificação para incentivar as pessoas a interagirem com causas sociais. Com a pandemia da COVID-19, teve um crescimento de mais de 500% entre março e abril devido a projetos criados dentro da plataforma com o objetivo de doar comida para moradores de rua ou fornecer máscaras aos mais necessitados. Hoje, com pouco mais de um ano de operação, está próxima de atingir R$3 milhões em causas viabilizadas.

Sobre a PWTech

A PWtech é desenvolvedora do sistema PW5660, capaz de transformar água contaminada em água potável. O equipamento é capaz de purificar até 5 mil litros de água por dia e, até o momento, já impactou 1300 pessoas.

inovativa@inovativabrasil.com.br