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O risco de investir em startups

* Por João Kepler Braga

Muitos empresários e executivos de mercado me perguntam qual o risco de investir em Startups, se vale mesmo a pena, se o retorno pode ser melhor que o investimento padrão, como renda fixa, por exemplo. Pois bem, minha resposta é: SIM e NÃO, porque é de fato um investimento de RISCO, por isso DEPENDE basicamente em QUEM você vai apostar o seu dinheiro, a senha para esse tipo de investimento é ASSERTIVIDADE.

E convenhamos que acertar sempre não é uma tarefa das mais fáceis, por isso, a prática e conhecimento do mercado é essencial para evitar erros desnecessários e apostas furadas. Justamente por se tratar de um investimento de risco, assim como qualquer outro, o ideal é que o investidor nunca comprometa suas reservas por completo ou se desfaça de bens para investir em um negócio que não lhe ofereça garantia de retorno positivo. Não é preciso ser nenhum milionário para investir em startups, mas também não aconselho ninguém a fazer loucuras, principalmente aqueles que esperam retornos altos e em pouco tempo.

Para tornar essa tarefa relativamente mais fácil, alguns pontos cruciais precisam ser analisados tais como: os empreendedores, modelo de negócio, validação, mercado, escala, burn rate, rateio do investimento solicitado, faturamento, margem e saídas futuras, nessa ordem. Mas atenção! Mesmo que esses pontos sejam bons, não adianta investir em qualquer oportunidade, mesmo que ele esteja aparecendo na mídia, seja uma “promessa” futura, que pareça infalível, imperdível e muito incrível aos olhos de “todo mundo”.

Quando se trata de investimento e principalmente do SEU dinheiro, é preciso ir além do óbvio para acertar. O importante é selecionar bem, usar filtros e métricas, verificar pessoalmente a validação no mercado, se é essencial, se resolve realmente um problema, ouvir opinião de especialistas na área e segmento e claro, principalmente seguir quem tem faro, feeling e muita experiência no assunto.

Pode ser ainda que você já tenha experiência na bolsa de valores e busque uma nova opção para diversificar seu capital. Qualquer que seja o seu motivo, a verdade é que você não terá acesso direto a uma startup, por isso co-investir com anjos mais experientes é a principal alternativa para 99% dos investidores em startups. Isso significa também que mesmo que você tenha muito dinheiro e esteja disposto a sair investindo em vários negócios ao mesmo tempo é importante fazer a diligência do de cada um que se pretende investir. E é fundamental conhecer com quem se está investindo, porque o líder da rodada está investindo? Qual é o seu histórico de sucesso? Que valor ele, e outros co-investidores já comprometidos agregam a startup?

Por mais estranho que possa parecer, nem todo mundo investe em uma empresa para ganhar dinheiro (busca por resultados sociais e/ou ambientais). E mesmo quando o objetivo é estritamente financeiro, as pessoas têm expectativas diferentes em relação ao retorno: alguns se dão por satisfeito com retornos na casa de 5x a 10x, outros só investem quando o potencial é de pelo menos 20x o capital aportado. Por isso, o primeiro passo para quem deseja investir é saber quanto você pode direcionar para aquele negócio, mas antes disso é preciso ter total consciência de que qual retorno você terá (se tudo sair como esperado) e em quanto tempo. Muitos investidores ainda se decepcionam hoje em dia porque literalmente apostam em ilusões, não avaliam as reais condições e situação do negócio. Pense bem no que você quer e como pretende conseguir para não entrar para o time dos frustrados.

* João Kepler Braga, Lead Partner da DealMatch e mentor/investidor do Programa InovAtiva Brasil desde 2015.

Investimento anjo: 7 formas de NÃO conseguir um

Por William Ribeiro *

Sim, o título é intencionalmente provocativo. Existe uma maneira bastante eficiente de não se conseguir um investimento-anjo: basta você não querer um. O objetivo deste artigo é evitar o desgaste e perda de tempo ao se contatar um investidor-anjo sem o devido preparo dos empreendedores. Muitas vezes, os fundadores inexperientes que precisam (ou acham que precisam) de dinheiro para impulsionar a sua startup, acabam por minar as chances de investimento simplesmente por não fazerem o dever de casa previamente.

Alguns dos problemas abaixo não chegam a ser um pecado mortal. Os anjos existem justamente para se dar o direcionamento para o empreendedor. Mas, convenhamos, o dinheiro do investidor não está desesperado para ser investido. Criar uma startup de sucesso é algo de altíssimo risco, o que faz do investimento nelas, necessariamente, bastante arriscado para o investidor.

Sendo assim, tenha certeza: o investidor irá avaliar muitas opções de startups. Mesmo aquela julgada por ele como potencial alvo de investimento, será bastante investigada.

Então, por que desgastar o contato com o investidor, logo no início do “namoro”? Como criador da startup, seu objetivo é conquistar o investidor, mostrando-se transparente, dedicado e preparado para ser investido.
Caso você NÃO queira receber um investimento-anjo, é só seguir os passos abaixo. Acredite: funciona mesmo.

Erro #1: Peça para o investidor assinar um NDA para você mostrar a sua ideia

Este é o primeiro e mais clássico dos erros.

Analise a coisa pela ótica do investidor: ele vê centenas (às vezes, milhares) de pitches. Fatalmente, as ideias se repetem de uma banca para a outra. Ele está investindo ou dá mentorias em startups que podem pivotar o modelo de negócios, eventualmente coincidindo com a ideia de outras startups.

Que sentido teria, para ele, assinar um contrato de confidencialidade com você? No começo, se existe algum ponto que você não queira abrir, mas ainda assim o seu negócio possa ser entendido, tudo bem. Você pode tentar omitir o pulo do gato, correndo o risco de o investidor achar que você não sabe como resolver o problema.

Os empreendedores precisam parar de pensar nas ideias e focar na execução do negócio. Será mesmo que sua ideia é tão genial, que não pode ser falada para ninguém? Talvez nem para os investidores ou até mesmo para seus clientes (risos)?

Costuma-se dizer que, em investimento-anjo, apostamos nos jóqueis e não nos cavalos. Mais do que na ideia, estamos interessados nos empreendedores: especificamente na probabilidade de se entregar o produto ou serviço que foi concebido na fase de ideação.

Queremos diminuir o risco do nosso capital, investindo somente em quem tem condições de entregar e aproveitar, mercadologicamente falando, o produto.

Em um mundo com 7 bilhões de pessoas, é um ato racional e de humildade não se achar um gênio da lâmpada. Mesmo os Bill Gates da vida, além de gênios, mostraram uma capacidade de realização incrível para terem sucesso nos seus negócios.

Esqueça, então, o pretenso pioneirismo da sua ideia. Google não foi o primeiro buscador, Facebook não foi a primeira rede social. Em muitos casos, o sucesso veio justamente por virem depois dos pioneiros, surfando na onda de erros e acertos do desbravador do mercado.

Falando em ideias, eis outro problema…

Erro #2: Eu tenho uma ideia! Vou procurar um investidor-anjo para tirá-la do papel!

O erro aqui pode ser o fato de você estar no país errado. Até pode ser possível obter investidores na fase de ideação, mas desconheço iniciativas neste estágio no Brasil.

Existe uma única exceção, em que eu faria o investimento: se a solução for de grande impacto e os empreendedores forem de reconhecida excelência na execução de suas funções. Eventualmente, os fundadores podem ser conhecidos de trabalhos anteriores, configurando uma situação em que o investidor consegue mitigar os maiores riscos de se investir na fase embrionária da startup.

Salvos estes casos, esqueça. Via de regra, você não precisa de investimento-anjo nesta fase. A maioria das soluções pode ser feita e testada dentro de casa mesmo. Mesmo quando é necessário algum dinheiro para a fase de prototipagem (como acontece nas startups de hardware) é de bom tom que os empreendedores empenhem dinheiro próprio para se realizar.

Se configura, nestes casos, o maior interesse dos próprios fundadores no sucesso do negócio. Esta é a premissa básica do sucesso de um investimento-anjo: se os fundadores, majoritários que são, não são os maiores interessados no êxito do negócio, o anjo deveria ser?

Antes de procurar um anjo, mostre pra ele que você consegue fazer um protótipo e que ele seria aceito pelo mercado, através de pequenos testes de aceitação.

Outro exemplo de erro clássico e mortal, que não contribui para demonstrar interesse do empreendedor no negócio, é quando ninguém está disposto a trabalhar em tempo integral na startup. Até pode ser um cenário inicial de um negócio, mas como pedir para que alguém aposte, investindo dinheiro na sua empresa, se nenhum fundador acredita realmente no negócio, a ponto de abandonar seu emprego?

Não tenha a ilusão que o seu dinheiro vale mais do que o dos outros. Se você mesmo duvida que pode conseguir, por que esperar que o anjo assuma esse risco por você?

Erro #3: Nossa equipe é formada apenas por desenvolvedores!

Fazendo novamente o exercício de se colocar na pele do investidor: qual a chance de se vender um produto, com todo mundo sentado, fazendo linhas de código? Você investiria em uma empresa que só tem “produção” e ninguém tem a função de vender?

Se o empreendedor pretende delegar a função de vendedor a um funcionário a ser contratado, temos um outro erro. É primordial que pelo menos um dos fundadores tenha o conhecimento comercial do negócio, para não dizer que este é o principal patrimônio de qualquer empresa.

Então, não faz sentido gastar o dinheiro do investidor em um funcionário que iria exercer uma função que deveria ser feita, pelo menos inicialmente, pelos donos da empresa.

Ao conversar com clientes, negociando e apresentando produtos, é incrível os insights de negócio, valores percebidos pelos clientes, possibilidades de pivotagem do negócio e de features de desenvolvimento que são conseguidos.

Se todos empreendedores têm a formação técnica, trate de identificar quem teria vontade, perfil, habilidades de comunicação e negociação para atuar no comercial da empresa.

Lembre-se que o anjo não será o vendedor da empresa! Alguém tem que fazer este trabalho.
Caso não haja ninguém com esse perfil na sua startup, você provavelmente não fez um bom trabalho ao escolher as pessoas para ser sócio. Não há a complementaridade necessária para tocar as diversas funções de um negócio. Alguns livros sugerem o seguinte modelo de composição societária numa startup:

  • Hacker: É a pessoa dos bits. O fera da programação. Faz tudo impecável, nos backgrounds da coisa.

  • Hipster: Faz com que o trabalho do Hacker pareça a coisa mais legal do mundo, mas para o usuário comum! É o mestre do design.

  • Hustler: É o porta-voz do grupo. Se o hacker gosta dos bastidores, o Hustler adora o palco. É o marqueteiro do nosso grupo. Sobra para o Hustler as funções de vendas, construção de parcerias comerciais, etc.

Este é o perfil geral, com as funções se misturando algumas vezes. Lembrando que deve sobrar para alguém fazer a máquina girar: cuidar das finanças, fornecedores, gestão do negócio, etc…

Times equilibrados, com um fundador técnico e outro voltado a negócios, tendem a levantar 30% mais capital.

Erro#4: Não temos desenvolvedores na nossa startup. Vamos terceirizar esta parte!

Por definição, ao trabalhar com soluções disruptivas, as startups são empreitadas de alto risco. Nem mesmo o investidor-anjo pode ser capaz de prever o melhor feature a ser desenvolvido. Aliás, o negócio pode até mudar totalmente, durante o processo.

Então, flexibilidade é a alma do negócio. Mudar, testar, mudar novamente…. Esse é o jogo.
Agora imagine se o investidor gostaria de empenhar todo o seu rico dinheirinho para um terceiro desenvolver a solução, a cada vez que se detecte uma necessidade de mudança.

No começo, a condição ideal é que estes custos sejam pagos pelo trabalho do empreendedor. O dinheiro do investidor será muito mais útil se destinado, pelo menos em maior parte, para marketing e promoção dos produtos.

Erro#5: Minha ideia é demais!!! Viva!! Prêmios, Mídia, oba-oba!!!

Eu defendo que nenhuma startup deveria ser criada com o primeiro propósito de dar dinheiro. Pode parecer antagônico ouvir isto de um investidor, mas não é. Isto porque é muito difícil enxergar dinheiro antes (ou até na) disruptura. Formas de monetização certamente virão, se o negócio efetivamente resolver o problema das pessoas de uma maneira eficiente.

O que é muito diferente de não ter um plano ou desejo de monetizar a startup. Uma vez verificado que a solução é excelente ao atender um problema do cliente, automaticamente a monetização deve ser discutida. Você pode optar por não usá-la no início, priorizando a captação de usuários. Mas um plano de monetização sempre deve existir e ser disparado ao tempo correto.

Existe uma grande glamourização do empreendedorismo em startups. Prêmios em dinheiro e de reconhecimento, programas de aceleração, festas, encontros, eventos, programas no Vale do Silício, etc…

Claro que tudo isto, a seu tempo e de forma moderada, pode ser interessante. Mas chega a ser incrível dizer isso: alguém da empresa tem que querer ganhar dinheiro. Mudar o mundo é legal, festejar é mais ainda. Mas quem paga as contas, afinal: só o dinheiro do investidor?

Uma startup que não tenha ninguém que ame a ideia a ponto de promovê-la, não merece ser investida. Muito melhor uma ideia razoável, com as métricas de conversão e vendas rodando com excelência, do que uma ideia maravilhosa encravada na tela do computador.

Startups são, acima de tudo, empresas. Se nenhum empreendedor dela gosta de ganhar, o investidor tem horror a perder dinheiro no que não vale a pena. Melhor investir em outra startup.

Erro#6: Precisamos de dinheiro! Não sei pra que, mas precisamos!

Aqui mora um erro inclusive que atinge inclusive muitos investidores iniciantes. Algumas vezes, a ideia é boa, os empreendedores são fantásticos. Por ser uma combinação perfeita e bastante rara, o investidor já sai abrindo a carteira.

Acontece que, sem uma validação mínima de custos de aquisição de usuário, qualquer previsão é um mero chute. Não é raro ver a previsão de burn rate do dinheiro do investidor como uma linha do excel que segue fixa ou cresce “x” mil reais por mês.

Via de regra, a maior parte do dinheiro do investidor será usada para captar mais clientes. E, não havendo planejamento, o risco de o dinheiro acabar em um tempo (runway) menor que o planejado, cresce muito. Em condições extremas, o negócio mostra-se inviável, justamente por apresentar o custo de aquisição maior do que os valores a serem desprendidos pelo cliente.

Com um MVP na mão (às vezes até antes disso), é possível estimar os custos de captura de um cliente e fazer pequenos experimentos de tração. Geralmente não é necessário um investidor-anjo para isso. Custa pouco dinheiro e mostra dedicação, conhecimento do negócio e preparo por parte dos empreendedores.

Um investidor-anjo quer uma empresa que tenha ideia de quem são, quanto custa captar e quanto pagam os seus clientes. Então, entender de Unit Economics faz parte do dever de casa de um empreendedor que deseja um investidor anjo capacitado para o seu negócio.

#Erro 7: Meu Pitch (mesmo cheio de clichês) está fera!!!

Quem participa de bancas de startups já sabe de cor os principais clichês de um pitch. Aliás, eu acho o pitch um negócio chato pra caramba. Ou tem os erros crassos, que vamos falar na sequência, ou é tão lindo, treinado e decorado que dá vontade de namorar o empreendedor. Nunca ouvi falar em ninguém que investiu com base no pitch, embora o misticismo do pitch de elevador leva a crer nesta falácia. Nada substitui uma boa conversa, olho no olho, com os empreendedores.

Tirando estes pitches lindos de morrer, temos também aqueles de se morrer de raiva. Em toda banca de startups aparece essas coisas – se você tem algo assim no seu pitch, trate logo de resolver:

  • “Não tenho concorrentes”. Ué, seu mercado é tão ruim assim que mais ninguém quer saber disso? Geralmente não é o caso: concorrentes indiretos sempre existem. Com mais probabilidade, os diretos também estão aí. Preguiça ou negligência do empreendedor.
  • Tabela de comparativos de features só com “checks” em verde para a startups. Os concorrentes estabelecidos, por uma razão ilógica ou inexplicável, não fazem nada do que a startup se propõe a fazer. Mais honesto seria elencar o que os concorrentes estão fazendo, mesmo que coincida com alguma funcionalidade do projeto.
  • “Meu mercado é de 18 bilhões de reais”, poderia dizer uma startup que traga alguma solução para pets. Coisa linda. Ignora-se, porém, que quase 70% disso é ração e alimentos. A conta deveria começar por este número, partindo-se então para o nicho a ser atingido, etc.
  • “Se atingirmos apenas 1% deste mercado… porque somos conservadores!” Hum…. Virou um mantra para convencer alguém que nada pode dar errado com a startup. Afinal, o que é 1%, não é? Metas são boas quando são ousadas (será que não estão pensando pequeno demais?), porém factíveis (qual o plano para se atingir esta fatia, pretensamente pequena)?
  • “Nossa empresa (que basicamente se resume a este powerpoint) vale R$180 milhões.” Este milagre de valorização de powerpoint ilude muitos empreendedores e até investidores inadvertidos. Nesta conta, o empreendedor pegou 1% de 18 bilhões e acha que este é o valor de sua empresa. É o empreendedorismo mágico de contos de fada.

Conclusão

Conseguir um investimento-anjo pode ser um fator muito importante de alavancagem para o seu negócio. Contudo, ainda são poucos os investidores individuais dispostos a aportar dinheiro em negócios nascentes, como nas startups.

Mesmo quando há sinergia entre investidor e empresa, o processo até a liberação dos recursos geralmente é burocrático e extenso.

Por estas razões, recomenda-se que os fundadores e suas empresas estejam preparados para maximizar as chances e resultados do processo de investimento.

Mas o que fazer quando se acha um anjo em potencial, mas você ainda não desenvolveu ou validou o seu produto? De acordo com as palavras da própria Anjos do Brasil:

“Nos mercados mais consolidados, a figura do advisor é muito forte. Não necessariamente para captar dinheiro, mas para ajudar a entender a necessidade do negócio. No momento certo, ele próprio pode se tornar um investidor.”
Verifique se sua startup tem um “fit” com a tese de investimentos do anjo. Ofereça para o investidor a possibilidade de envio de relatórios de progresso de sua startup. Todo investidor gosta de ver uma empresa trabalhando direito e tracionando o seu negócio.

Não deixe de responder para o investidor. Não se esqueça do anjo e não deixe o anjo esquecer da sua startup.

Ideias disruptivas requerem investimentos, muito maiores do que temos atualmente no Brasil. Para isso, é preciso que startups e investidores-anjo caminhem juntos em um processo de profissionalização desta relação, mitigando riscos, prezando transparência, governança e cumplicidade entre as partes envolvidas.

Só então poderemos começar a construir um ecossistema de startups exuberante e próspero, na mesma proporção das ideias que são criadas por aqui.

* William Ribeiro é engenheiro da Computação pelo INATEL, com MBA em Gestão Empresarial pela FGV. Criou e dirigiu por 15 anos a empresa RWTECH. É educador financeiro (Minha Vida Nova), empresário e investidor.

Podcast Olho de Anjo na Europa: internacionalização de startups é destaque da semana

Sexta-feira chegou e a gente já preparou mais um resumo sobre os principais assuntos abordados no podcast da Olho de Anjo, de Gerson Ribeiro, mentor do InovAtiva Brasil. Nesta semana os podcasts mostraram os resultados e aprendizados adquiridos nos eventos internacionais para startups e ainda uma reflexão que pode ajudar os novos empreendedores a ficarem atentos com os desempenhos futuros de suas startups.

Em um dos podcasts, o mentor destacou que um dos principais erros cometidos por startups que estão começando é na hora da venda do produto. No post, Gerson traz uma reflexão de como as empresas estão trabalhando para o crescimento e mostra pontos positivos e negativos. Um dos conselhos dado por ele é que as startups precisam focar em sua lucratividade.

Em sua passagem pela Europa, Gerson participou de alguns eventos e reuniões sobre o mercado de startups. O último foi o Startup Weekend Luxemburgo que contou com a participação de 17 países. Ele registrou tudo em áudios e vídeos para o canal e mostrou o quanto os estrangeiros valorizam o mercado comercial brasileiro. A grande aposta dos investidores são os mercados de startups, internet das coisas e blockchain.

Em outro post, ele detalhou as principais dúvidas que os startapeiros brasileiro tem em relação aos investidores e mercado internacional. Um bom exemplo foi no Internet Day, evento sobre blockchain, IOT e startups, em Luxemburgo, após revelar que era empreendedor no Brasil, muitos investidores o procuraram para conversar de negócios.

Para conferir todos os podcast e vídeos, acesse o site Olho de Anjo.

 

Os segmentos mais promissores para investidores anjos

Por João Kepler Braga *

Estamos no momento de investir em startups, em inovação, em disrupção, ou seja, em negócios do futuro. É o que retrata o levantamento feito com 5.200 entrevistados com patrimônio acima de 1 milhão de dólares. Eles acreditam ser o setor mais próspero da próxima década.

Só para se ter uma ideia do potencial e da importância do investimento em startups daqui por diante, a pesquisa indica que só vai perder para os Serviços Financeiros, onde 35,7% acreditaram ser o setor que mais renderá milionários nos próximos anos. Em contrapartida 30,9% dos pesquisados, acreditam ser a Alta Tecnologia, o segundo setor mais próspero da próxima década.

E por aqui no Brasil os números são bem otimistas e sintomáticos também e vão de encontro à expectativa mundial. A Anjos do Brasil, divulgou os resultados atualizados de uma pesquisa sobre o perfil dos investidores anjo no país e perspectivas para o cenário 2016/2017 que revelou que o investimento Anjo no Brasil tem potencial de R$1.7 bilhão. A pesquisa mostra um amadurecimento dos investidores, com um número maior de investidores experientes, tendo mais projetos já investidos e uma previsão superior de investimento.

MERCADOS E NEGÓCIOS TRADICIONAIS ESTÃO PERDENDO FORÇA PARA ESTA NOVA ECONOMIA

Veja quais são esses setores e segmentos mais promissores, elencados na ordem do melhor para o pior:

  • – Serviços financeiros – 35,7%
  • – Alta tecnologia: 30,9%
  • – Saúde: 30,1%
  • – Manufatura: 22,3%
  • – Mercado imobiliário: 20,2%
  • – Comunicação: 20,2%
  • – Educação: 19,8%
  • – Mineração e agricultura: 18,9%
  • – Transporte aéreo: 18%
  • – Energia renovável: 17%
  • – Entretenimento: 15%
  • – Varejo: 14%
  • – Transporte: 13,9%
  • – Recursos naturais: 13,5%
  • – Energia e Saneamento: 6,6%
  • – Comida & Hotelaria: 4%

Note ainda que se levarmos em consideração que essa pesquisa da consultoria Capgemini estima que no Brasil haja 148 mil pessoas nessa condição (patrimônio acima de US$ 1 MM), teremos muito recurso direcionado para STARTUPS daqui por diante.

Ainda segundo a Anjos do Brasil, ao final de 2015, foram contabilizados 7.260 investidores anjos no país, com uma previsão de crescimento de 4% ao ano. E o mais interessante, a pesquisa também levantou os setores de interesse dos investidores e que mais uma vez foi de encontro aos resultados apontados pela Capgemini. Cerca de 52% dos entrevistados responderam ter interesse na área de TI; 36% em aplicativos para smartphones; 43% em saúde/biotecnologia; 41% em educação; 36% em e-commerce; 37% em energia; 27% em entretenimento e indústria; e 23% em outros setores.

Resultados e pesquisas como essas só reforçam que cada dia mais investir em startups é o caminho e será o melhor caminho muito em breve. São necessários estímulos para que o investimento anjo atinja seu potencial de incentivo e capitalização para startups inovadoras.

* João Kepler Braga, Lead Partner da DealMatch e mentor/investidor do Programa InovAtiva Brasil desde 2015.

Impactar gerações: o papel do mentor na vida do empreendedor iniciante

Questionar, guiar, orientar e aconselhar. Essas são as palavras-chaves da relação de desenvolvimento entre mentores experientes e empreendedores iniciantes. Todos os dias pessoas discutem novas ideias e conceitos com quem já passou por determinadas situações e no mundo do empreendedorismo não é diferente. Por este motivo, no programa InovAtiva Brasil, empreendedores iniciantes são apoiados por mentores experientes para seus primeiros passos no mercado.

No Bootcamp, realizado neste final de semana, 125 startups de todo o Brasil têm a oportunidade de receber dos empresários mais experientes as informações e opiniões adequadas para dar o melhor seguimento aos seus projetos. O mentor é uma peça fundamental para ajudar os participantes. Através de conversas e debates acerca de assuntos, nem sempre ligados ao trabalho, os startupeiros são questionados e colocados à prova com o apoio dos mentores. Um processo como esse auxilia e possibilita o desenvolvimento criativo e consequentemente os projetos apresentados para possíveis investidores.

Caroline Vlerick, diretora executiva da Harvard Business Angels Brasil, participa como mentora do InovAtiva pela primeira vez esse ano. “Fiquei impressionada com a criatividade e as ideias dos novos empreendedores. Existe muito potencial aqui e fico feliz em contribuir com tudo o que sei sobre o mercado”, ressalta. Para ela, as startups brasileiras precisam se profissionalizar, pois no mercado internacional os pitchs para atrair investidores são bem mais exigentes. ‘‘É necessário que todos estejam com dados embasados e estatísticas sobre os nichos. É preciso deixar bem claro para o investidor aonde você quer chegar e com qual prazo’’, pondera.

Para Daniel Castello, mentor do InovAtiva, ser empreendedor é um desafio. “Ser um empreendedor iniciante é equivalente a entrar em uma floresta grande pela primeira vez. Você tem muita vontade de explorar, mas o mais provável é que seja morto por uma cobra ou uma onça na primeira noite’’, comenta. Para ele, quem está começando sabe apenas as informações obtidas em livros e teorias. ‘‘Com a experiência que obtive ao longo dos anos, sei que posso impactar as novas gerações e apoiá-las nos caminhos que elas pretendem seguir’’, reforça Castello.

Um detalhe importante é que, dentro do programa, os mentores, não recebem nenhum tipo de ajuda financeira. Eles dispõem tempo e vontade de ajudar os novos empreendedores a seguirem em frente. “Acredito na força do empreendedorismo. Tenho crença de que é por meio das empresas de alto impacto que o Brasil vai se tornar o país que merece ser. Faço de coração pois sei que essas empresas vão gerar emprego e renda. No início da minha carreira eu precisei de ajuda, agora eu quero ajudar a nova geração pois tenho a sensação de que histórias incríveis estão sendo escritas aqui”, finaliza Castello.

Preciso de dinheiro! Mesmo? E agora?

* Por Ricardo Fortunato Barcelos

Depois de 8 anos trabalhando com capital para inovação, ou funding para startups, uma conclusão é muito óbvia para mim: financiar sua startup é um assunto extenso, complicado e é impossível de se resumir em um artigo. Mas é algo que vai ser importante para o empreendedor ao longo de toda a existência de sua empresa. Então, meu compromisso neste primeiro artigo para o InovAtiva Brasil 2016 é dar uma orientação geral para que o fundador de um novo negócio possa ter uma ideia de como começar, que tipo de recursos procurar e, finalmente, quais considerar.

Então você tem uma startup iniciando? Talvez já esteja participando de um programa de aceleração como o InovAtiva ou em uma incubadora que dá apoio logístico e estratégico e você pensa: “Preciso de um investidor anjo.” Mas antes de considerar esse passo, recomendo fortemente que você esgote outras duas ou três opções (e veremos o porquê logo em seguida).

– Esse termo complicado vindo do Vale do Silício (EUA) tem um significado muito simples: Usar seu próprio dinheiro (ou amarrar as próprias botas). Isso pode ser feito utilizando suas próprias economias ou gerando algum capital na própria empresa, seja por produtos parcialmente prontos ou atividades paralelas. Parece óbvio! Mas muitos empreendedores ficam encantados com a possibilidade de usar dinheiro dos outros e esquecem que investidores não colocarão dinheiro deles onde nem você colocou o seu próprio.

– Outro termo vindo da meca do empreendedorismo americano: Family, Friends and Fools. Família, amigos e tolos (?!). Isso mesmo! Você consegue imaginar capital mais barato que aquela grana emprestada do tio gente boa e devolvida em 106 vezes a juros de poupança? Ou uma vaquinha entre alguns amigos que comprem a sua ideia? Acredite na sua empresa e no seu potencial: se forem bons mesmo, outros também acreditarão!

Financiamentos, linhas de crédito, subvenção, incentivos etc. – OK! Juros bancários no Brasil são extorsivos e impraticáveis. Principalmente se sua empresa for iniciante e com pouco faturamento. Mas há outras opções para quem tem paciência de pesquisar e se submeter a escrever projetos nos moldes exigidos. BNDES, FINEP, SENAI e SEBRAE são algumas das instituições que eventualmente lançam Editais a fundo perdido ou linhas de crédito acessíveis que podem lhe ajudar. Em alguns estados há opções locais a serem avaliadas, como o Paraná Fomento ou a FAPESP em São Paulo. Às vezes as opções são muito óbvias, como o Cartão BNDES para aquisição de bens e serviços com juros subsidiados. E às vezes nem tanto: você sabia que se sua empresa for de games ou audiovisual você pode pleitear recursos pela Lei Rouanet? E se você trabalha com inovação, porque não buscar linhas de incentivo à pesquisa? Mas a opção ideal para sua empresa pode aparecer só depois de muito trabalho investido na busca.

Vamos finalmente falar de investidor anjo, o que por si só necessita de mais de um artigo para cobrir todo o assunto. Mas podemos falar do básico.

Como o próprio nome já diz, ele é como outro investidor qualquer em um sentido: ele quer retorno! Mas não confunda com agiotas ou aproveitadores: O investidor anjo não vai pedir pró-labore, não vai cobrar juros sobre o investimento e não vai fazer retiradas de lucros periódicas. Se fosse você, eu ficaria longe desse tipo de proposta.

O que chamamos verdadeiramente de investidor anjo deve oferecer três tipos de Capital: Financeiro, Humano e Social. Chamamos isso de Smart Money. O verdadeiro investidor anjo deve oferecer, além de dinheiro, auxílio no direcionamento da startup, aplicando sua experiência e ajudando o empreendedor a não cair em armadilhas que ele já conheça. Deve trazer também um bom networking (o Capital Social), que vai se transformar em abertura de mercados, conquista de novos clientes e geração de parcerias estratégicas para o negócio. O retorno do investidor anjo deve vir com o crescimento do negócio: como ele trocou seu capital por uma parcela da sua empresa, o lucro virá da venda desta parcela valorizada no futuro. Quão valorizada? Cinco, dez, vinte vezes… aqui o céu é o limite.

A busca por um investidor anjo ideal pode ser longa porque envolve uma série de fatores. É necessário encontrar alguém que possa realmente contribuir com o seu negócio. Se tiver experiência naquela área específica, melhor ainda! É também uma relação de confiança mútua que dependerá de abertura de informações, envolvimento e tempo. Por isso, há uma máxima nesse meio: “O melhor momento para se buscar investimento é quando você não precisa de investimento”.  Claro que a vida real é mais complicada que isso e há vezes em que a realidade é dura e a necessidade é imediata. Mas se tiver condições, vá buscar esse capital com calma e planejamento.

Há muito mais sobre o assunto de investimento anjo, assim como as opões de investimento que vêm depois dele: Fundos de Seed Capital, Venture Capital, investidores estratégicos. Além disso há particularidades da realidade de nosso país que só mesmo nós brasileiros entendemos e conseguimos enfrentar. Mas uma coisa é certa: encontrar a melhor forma de financiar seu negócio depende de informação, suor, lágrimas e muitas buscas no Google!

* Ricardo Fortunato Barcelos é consultor de empresas, palestrante e mentor do InovAtiva Brasil. Tem 10 anos de experiência em investimentos, gestão e estratégia, teve passagem por bancos, incubadoras de empresas e fundos de investimento. Foi Coordenador de Empreendedorismo e Capital do Centro Internacional de Inovação do Senai PR. É cidadão global e apaixonado por Startups.

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