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Empreendedores brasileiros ultrapassam a marca de 8 milhões

O estudo da consultoria McKinsey, realizado em parceria com o evento Brazil at Silicon Valley, apontou que o Brasil é um país empreendedor, com 39% de sua população economicamente ativa dona do seu próprio negócio. Nos últimos cinco anos, o número de MEIs no país cresceu mais de 120%.

Em 2018, segundo o Serasa Experian, foram abertas 2,5 milhões de novas empresas, sendo que 81,4% destas são MEIs. Elas faturaram até R$ 81 mil por ano (ou R$ 6,7 mil por mês) e tinham no máximo um funcionário. Hoje, os pequenos negócios (que incluem microempreendedores individuais, micro e pequenas empresas e produtores rurais) correspondem a mais de 99% das empresas brasileiras.

Apenas nos quatro primeiros meses do ano, o Brasil ganhou mais de 525 mil novos microempreendedores individuais (MEIs), fazendo com que o número de donos do próprio negócio ultrapassasse a marca de 8 milhões, fechando abril com 8.301.074 cadastros, segundo dados do Portal do Empreendedor do Governo Federal.

De acordo com o Serasa Experian, 81,1% dos jovens que empreenderam montou sua empresa do zero; 15,4% herdaram o empreendimento de um familiar; e apenas 3,2% compraram. Contudo, eles representam apenas 22% do total de empreendedores brasileiros. A maior parte é formada por pessoas de 31 a 40 anos (31%).

Segundo dados do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), a maioria dos empreendedores brasileiros é do sexo masculino (28 milhões), mas o país conta com 24 milhões de mulheres que têm o próprio negócio. Isso faz com que elas representem a sétima maior proporção do mulheres empreendedoras do mundo.

Esses dados mostram que o empreendedorismo no Brasil está em franca expansão. Por isso, se tiver uma ideia inovadora, coloque-a em prática! Suas chances de ser bem sucedido se administrar bem o negócio são enormes.

Conheças as implicações jurídicas de cada modalidade de investimento

*Por Luiz Sibahi e Michel Cury

Não basta ter uma boa ideia, o empreendedor precisa saber como colocar em prática e fazer seu plano funcionar, planejando e organizando toda a sua atividade, o que implica em pensar na gestão, pessoal, processos e produtos que serão utilizados no desenvolvimento de sua operação.

Além de toda essa estruturação técnica, há a necessidade básica de financiamento, alinhado com os propósitos do negócio.

Em geral, uma Startup passa por várias etapas durante seu desenvolvimento, cada qual comum tipo de financiamento mais adequado. A forma que o empreendedor irá escolher para bancar os custos de suas atividades irá variar não só pela natureza de sua operação, como também pela maturidade do negócio.

Importante lembrar que não há uma definição rígida para cada tipo de financiamento, como se uma determinada forma fosse aplicável apenas para certo momento. As peculiaridades do caso concreto são sempre fluídas, e por isso é recomendável que tanto a escolha como a negociação que a empresa enfrentará sejam devidamente assessoradas por um especialista. Neste artigo, pretendemos abordar as principais formas de financiamento que uma Startup pode utilizar, e as eventuais implicações jurídicas a elas relacionadas.

Assim, elencamos as diferentes formas de financiamento de uma Startup associando um determinado momento de sua trajetória, mas com a ressalva de que não se trata de algo rígido. Além disso, iremos entender quais são os principais riscos e vantagens do ponto de vista jurídico a elas relacionadas.

Recursos Informais

Podemos chamar de recursos informais aqueles obtidos com parentes ou amigos, geralmente no início da operação. É uma opção preferível para “botar de pé” a empresa sem comprometer grandes quantias ou enfrentar o custo de um financiamento. Em um contexto de confiança, é comum que se recorra às pessoas próximas para obter recursos. Quando se acredita na proposta, então as partes podem celebrar algum tipo de acordo, como um empréstimo, mas que dificilmente é formalizado, justamente por estar dentro de um contexto de pessoalidade.

Nesse caso, junto com a reflexão de envolver pessoas próximas na sua atividade, cabe ao empresário a habilidade de separar as atividades negociais de sua vida pessoal, linha tênue que pode prejudicar não só o futuro da empresa, como a relação das partes, e ainda dar origem à disputas judiciais desgastantes.

Assim, se optar por essa via, é bastante recomendável que o empresário prepare um instrumento jurídico, mesmo que simples, que delimite os principais pontos do acordo celebrado. O fato de se dar algum formalismo à relação não implica em enrijecer sua estrutura, de modo que os benefícios que ela traz, como ausência de juros, prazos longos e reajustáveis, permanece. O que importa aqui é formalizar um documento que clarifique, sobretudo para terceiros, as características da relação que se formou, e garanta segurança jurídica para a empresa.

Empréstimo Bancário

O empréstimo bancário não é uma forma nova de financiar a empresa. Contudo, no atual cenário econômico, pode se tornar não só bastante custoso como de difícil acesso. Primeiro porque muitos dos serviços financeiros oferecidos por um banco trazem quantidades variáveis de taxas e juros, que se acumulam no caso de alguma eventualidade no sucesso da operação. Em segundo lugar, os bancos solicitam garantias, que nem sempre o empresário pode ou deseja oferecer. Por isso, o financiamento bancário é uma opção desaconselhável na fase embrionária da empresa.

Tratam-se de organizações cuja operação é toda formalizada, de modo que, do ponto de vista jurídico, existem duas principais preocupações: os tipos de garantias oferecidas, e os casos de resolução antecipada ou obrigatória dos contratos. Essas hipóteses não consistem em riscos propriamente, mas são os pontos de atenção que qualquer investidor irá observar quando analisar os contratos da Startup. Por isso, é preciso prestar bastante atenção para não oferecer garantias essenciais ao negócio, ou aceitar condições resolutivas abusivas.

Crowdfunding

O crowdfunding é uma forma bastante recente de financiamento, pela qual um grupo relativamente anônimo se dispõe a financiar um projeto, com ou sem contrapartidas – como um produto ou serviço oferecido pela empresa. Também chamada de “financiamento coletivo”, ele é usado para todo tipo de empreendimento, não apenas Startups. Em geral, o sucesso desses projetos depende de um apelo social e de um grande impacto, capaz de fazer as pessoas se engajarem nele. Se bem-sucedido, tem um custo relativamente baixo para levantar a empresa com uma contrapartida adequada.

Apesar de bastante sedutor, o financiamento coletivo sofre do mesmo problema que a obtenção de recursos informais: a falta de segurança jurídica. Assim, a maior atenção reside na falta da devida preocupação formal, que se mostra ainda mais complexa, pois deve abranger além de questões societárias, também de propriedade intelectual.
A sugestão, portanto, é buscar se precaver, principalmente em plataformas digitais de financiamento, por meio de acordos de confidencialidade, pelo qual se possa responsabilizar por qualquer dano sofrido.

Investimento anjo

A figura do investimento anjo foi regulada pela Lei Complementar 155/2016. Você pode ler um artigo específico e mais detalhado apenas sobre essa lei clicando neste link.

Na forma da Lei, o investidor-anjo é separado da administração da empresa, e seu aporte fica fora do capital social, o que significa que ele não pode ser responsabilizado legalmente pelas obrigações da empresa. Apesar de diminuir os riscos, a Lei estabelece limites para esse tipo investimento, o pode acabar engessando a relação.

Na prática do mercado, contudo, muitas vezes a Startup busca um investidor que possa contribuir na atividade da empresa, além de aportar recursos, vulgarmente também chamado de investidor-anjo. Nesse caso, o investimento não precisa respeitar os termos da Lei, mas também não recebe sua proteção.

Fundos de Investimento: Seed Capital, Venture Capital e Private Equity

A empresa pode levar um tempo variável até confirmar sua viabilidade econômica. Quando a Startup alcança um patamar mais robusto e já possui estrutura, faturamento e pessoal, já é possível dar um passo além na busca por maiores projetos. Contudo, mesmo com um faturamento que chegue à casa dos milhões, ainda há uma grande imprevisibilidade e riscos econômicos que os possíveis investidores levam em conta.

Os fundos de investimentos acabam se especializando em determinadas etapas do desenvolvimento das empresas, em relação ao tipo de aporte que desejam fazer. Com base nessa perspectiva os fundos de investimento recebem sua denominação. O Seed Capital por ter como objetivo empresas ainda em etapa inicial e precisam de investimento; o Venture Capital é um tradicional capital de risco, que apostam num gap de grande valorização; e os fundos de Private Equity buscam empresas substancialmente maiores para investir.

Vemos então que, apesar da diferença na estratégia econômica, os três são muito próximos do ponto de vista da estratégia jurídica. Todos eles são caracterizados pela mesma formalidade, inexistindo grandes diferenças na técnica jurídica que será operacionalizada nos aportes feitos.

Do ponto de vista legal, podemos falar em um “ritual jurídico” seguido pelos Fundos de Investimento. Todo esse ritual, inclusive pelo tamanho das empresas, deve ser sempre negociado junto de assessores legais devidamente capacitados. Os principais documentos que compõem esse processo são: Acordo de Confidencialidade, Termo de Compromisso, Carta de Intenções, Memorando de Entendimentos. Esses documentos preparam a entrada do Fundo na empresa, que deverá executar uma diligência legal para apurar detalhes e então executar os documentos finais. Assim, finalmente, pode-se chegar a um acordo de Compra e Venda, ou um Acordo de Subscrição de novas ações, assim como um Acordo de Acionistas, dependendo do que for negociado.

Em todas essas etapas, o empreendedor deve estar preparado para negociação e saber se proteger de qualquer eventualidade. Por isso, a assessoria especializada faz diferença, desde o primeiro estágio de uma Startup, quando busca os primeiros recursos, durante seu desenvolvimento, até nas etapas mais avançadas, como uma operação de fusão ou aquisição.

* Luiz Sibahi é advogado na área de direito societário e M&A da FTCS Advogados, mestrando em Filosofia do Direito pela Universidade de São Paulo – USP, formado pela Universidade de São Paulo – USP.

* Michel Cury é sócio do escritório FTCS Advogados, pós-graduando pela Stanford University em Strategic Decision and Risk Management, mestre em Direito pela Universidade de São Paulo – USP, é mentor do programa InovAtiva Brasil.

Para ler outro artigo da dupla acesse aqui.

O risco de investir em startups

* Por João Kepler Braga

Muitos empresários e executivos de mercado me perguntam qual o risco de investir em Startups, se vale mesmo a pena, se o retorno pode ser melhor que o investimento padrão, como renda fixa, por exemplo. Pois bem, minha resposta é: SIM e NÃO, porque é de fato um investimento de RISCO, por isso DEPENDE basicamente em QUEM você vai apostar o seu dinheiro, a senha para esse tipo de investimento é ASSERTIVIDADE.

E convenhamos que acertar sempre não é uma tarefa das mais fáceis, por isso, a prática e conhecimento do mercado é essencial para evitar erros desnecessários e apostas furadas. Justamente por se tratar de um investimento de risco, assim como qualquer outro, o ideal é que o investidor nunca comprometa suas reservas por completo ou se desfaça de bens para investir em um negócio que não lhe ofereça garantia de retorno positivo. Não é preciso ser nenhum milionário para investir em startups, mas também não aconselho ninguém a fazer loucuras, principalmente aqueles que esperam retornos altos e em pouco tempo.

Para tornar essa tarefa relativamente mais fácil, alguns pontos cruciais precisam ser analisados tais como: os empreendedores, modelo de negócio, validação, mercado, escala, burn rate, rateio do investimento solicitado, faturamento, margem e saídas futuras, nessa ordem. Mas atenção! Mesmo que esses pontos sejam bons, não adianta investir em qualquer oportunidade, mesmo que ele esteja aparecendo na mídia, seja uma “promessa” futura, que pareça infalível, imperdível e muito incrível aos olhos de “todo mundo”.

Quando se trata de investimento e principalmente do SEU dinheiro, é preciso ir além do óbvio para acertar. O importante é selecionar bem, usar filtros e métricas, verificar pessoalmente a validação no mercado, se é essencial, se resolve realmente um problema, ouvir opinião de especialistas na área e segmento e claro, principalmente seguir quem tem faro, feeling e muita experiência no assunto.

Pode ser ainda que você já tenha experiência na bolsa de valores e busque uma nova opção para diversificar seu capital. Qualquer que seja o seu motivo, a verdade é que você não terá acesso direto a uma startup, por isso co-investir com anjos mais experientes é a principal alternativa para 99% dos investidores em startups. Isso significa também que mesmo que você tenha muito dinheiro e esteja disposto a sair investindo em vários negócios ao mesmo tempo é importante fazer a diligência do de cada um que se pretende investir. E é fundamental conhecer com quem se está investindo, porque o líder da rodada está investindo? Qual é o seu histórico de sucesso? Que valor ele, e outros co-investidores já comprometidos agregam a startup?

Por mais estranho que possa parecer, nem todo mundo investe em uma empresa para ganhar dinheiro (busca por resultados sociais e/ou ambientais). E mesmo quando o objetivo é estritamente financeiro, as pessoas têm expectativas diferentes em relação ao retorno: alguns se dão por satisfeito com retornos na casa de 5x a 10x, outros só investem quando o potencial é de pelo menos 20x o capital aportado. Por isso, o primeiro passo para quem deseja investir é saber quanto você pode direcionar para aquele negócio, mas antes disso é preciso ter total consciência de que qual retorno você terá (se tudo sair como esperado) e em quanto tempo. Muitos investidores ainda se decepcionam hoje em dia porque literalmente apostam em ilusões, não avaliam as reais condições e situação do negócio. Pense bem no que você quer e como pretende conseguir para não entrar para o time dos frustrados.

* João Kepler Braga, Lead Partner da DealMatch e mentor/investidor do Programa InovAtiva Brasil desde 2015.

Investimento anjo: 7 formas de NÃO conseguir um

Por William Ribeiro *

Sim, o título é intencionalmente provocativo. Existe uma maneira bastante eficiente de não se conseguir um investimento-anjo: basta você não querer um. O objetivo deste artigo é evitar o desgaste e perda de tempo ao se contatar um investidor-anjo sem o devido preparo dos empreendedores. Muitas vezes, os fundadores inexperientes que precisam (ou acham que precisam) de dinheiro para impulsionar a sua startup, acabam por minar as chances de investimento simplesmente por não fazerem o dever de casa previamente.

Alguns dos problemas abaixo não chegam a ser um pecado mortal. Os anjos existem justamente para se dar o direcionamento para o empreendedor. Mas, convenhamos, o dinheiro do investidor não está desesperado para ser investido. Criar uma startup de sucesso é algo de altíssimo risco, o que faz do investimento nelas, necessariamente, bastante arriscado para o investidor.

Sendo assim, tenha certeza: o investidor irá avaliar muitas opções de startups. Mesmo aquela julgada por ele como potencial alvo de investimento, será bastante investigada.

Então, por que desgastar o contato com o investidor, logo no início do “namoro”? Como criador da startup, seu objetivo é conquistar o investidor, mostrando-se transparente, dedicado e preparado para ser investido.
Caso você NÃO queira receber um investimento-anjo, é só seguir os passos abaixo. Acredite: funciona mesmo.

Erro #1: Peça para o investidor assinar um NDA para você mostrar a sua ideia

Este é o primeiro e mais clássico dos erros.

Analise a coisa pela ótica do investidor: ele vê centenas (às vezes, milhares) de pitches. Fatalmente, as ideias se repetem de uma banca para a outra. Ele está investindo ou dá mentorias em startups que podem pivotar o modelo de negócios, eventualmente coincidindo com a ideia de outras startups.

Que sentido teria, para ele, assinar um contrato de confidencialidade com você? No começo, se existe algum ponto que você não queira abrir, mas ainda assim o seu negócio possa ser entendido, tudo bem. Você pode tentar omitir o pulo do gato, correndo o risco de o investidor achar que você não sabe como resolver o problema.

Os empreendedores precisam parar de pensar nas ideias e focar na execução do negócio. Será mesmo que sua ideia é tão genial, que não pode ser falada para ninguém? Talvez nem para os investidores ou até mesmo para seus clientes (risos)?

Costuma-se dizer que, em investimento-anjo, apostamos nos jóqueis e não nos cavalos. Mais do que na ideia, estamos interessados nos empreendedores: especificamente na probabilidade de se entregar o produto ou serviço que foi concebido na fase de ideação.

Queremos diminuir o risco do nosso capital, investindo somente em quem tem condições de entregar e aproveitar, mercadologicamente falando, o produto.

Em um mundo com 7 bilhões de pessoas, é um ato racional e de humildade não se achar um gênio da lâmpada. Mesmo os Bill Gates da vida, além de gênios, mostraram uma capacidade de realização incrível para terem sucesso nos seus negócios.

Esqueça, então, o pretenso pioneirismo da sua ideia. Google não foi o primeiro buscador, Facebook não foi a primeira rede social. Em muitos casos, o sucesso veio justamente por virem depois dos pioneiros, surfando na onda de erros e acertos do desbravador do mercado.

Falando em ideias, eis outro problema…

Erro #2: Eu tenho uma ideia! Vou procurar um investidor-anjo para tirá-la do papel!

O erro aqui pode ser o fato de você estar no país errado. Até pode ser possível obter investidores na fase de ideação, mas desconheço iniciativas neste estágio no Brasil.

Existe uma única exceção, em que eu faria o investimento: se a solução for de grande impacto e os empreendedores forem de reconhecida excelência na execução de suas funções. Eventualmente, os fundadores podem ser conhecidos de trabalhos anteriores, configurando uma situação em que o investidor consegue mitigar os maiores riscos de se investir na fase embrionária da startup.

Salvos estes casos, esqueça. Via de regra, você não precisa de investimento-anjo nesta fase. A maioria das soluções pode ser feita e testada dentro de casa mesmo. Mesmo quando é necessário algum dinheiro para a fase de prototipagem (como acontece nas startups de hardware) é de bom tom que os empreendedores empenhem dinheiro próprio para se realizar.

Se configura, nestes casos, o maior interesse dos próprios fundadores no sucesso do negócio. Esta é a premissa básica do sucesso de um investimento-anjo: se os fundadores, majoritários que são, não são os maiores interessados no êxito do negócio, o anjo deveria ser?

Antes de procurar um anjo, mostre pra ele que você consegue fazer um protótipo e que ele seria aceito pelo mercado, através de pequenos testes de aceitação.

Outro exemplo de erro clássico e mortal, que não contribui para demonstrar interesse do empreendedor no negócio, é quando ninguém está disposto a trabalhar em tempo integral na startup. Até pode ser um cenário inicial de um negócio, mas como pedir para que alguém aposte, investindo dinheiro na sua empresa, se nenhum fundador acredita realmente no negócio, a ponto de abandonar seu emprego?

Não tenha a ilusão que o seu dinheiro vale mais do que o dos outros. Se você mesmo duvida que pode conseguir, por que esperar que o anjo assuma esse risco por você?

Erro #3: Nossa equipe é formada apenas por desenvolvedores!

Fazendo novamente o exercício de se colocar na pele do investidor: qual a chance de se vender um produto, com todo mundo sentado, fazendo linhas de código? Você investiria em uma empresa que só tem “produção” e ninguém tem a função de vender?

Se o empreendedor pretende delegar a função de vendedor a um funcionário a ser contratado, temos um outro erro. É primordial que pelo menos um dos fundadores tenha o conhecimento comercial do negócio, para não dizer que este é o principal patrimônio de qualquer empresa.

Então, não faz sentido gastar o dinheiro do investidor em um funcionário que iria exercer uma função que deveria ser feita, pelo menos inicialmente, pelos donos da empresa.

Ao conversar com clientes, negociando e apresentando produtos, é incrível os insights de negócio, valores percebidos pelos clientes, possibilidades de pivotagem do negócio e de features de desenvolvimento que são conseguidos.

Se todos empreendedores têm a formação técnica, trate de identificar quem teria vontade, perfil, habilidades de comunicação e negociação para atuar no comercial da empresa.

Lembre-se que o anjo não será o vendedor da empresa! Alguém tem que fazer este trabalho.
Caso não haja ninguém com esse perfil na sua startup, você provavelmente não fez um bom trabalho ao escolher as pessoas para ser sócio. Não há a complementaridade necessária para tocar as diversas funções de um negócio. Alguns livros sugerem o seguinte modelo de composição societária numa startup:

  • Hacker: É a pessoa dos bits. O fera da programação. Faz tudo impecável, nos backgrounds da coisa.

  • Hipster: Faz com que o trabalho do Hacker pareça a coisa mais legal do mundo, mas para o usuário comum! É o mestre do design.

  • Hustler: É o porta-voz do grupo. Se o hacker gosta dos bastidores, o Hustler adora o palco. É o marqueteiro do nosso grupo. Sobra para o Hustler as funções de vendas, construção de parcerias comerciais, etc.

Este é o perfil geral, com as funções se misturando algumas vezes. Lembrando que deve sobrar para alguém fazer a máquina girar: cuidar das finanças, fornecedores, gestão do negócio, etc…

Times equilibrados, com um fundador técnico e outro voltado a negócios, tendem a levantar 30% mais capital.

Erro#4: Não temos desenvolvedores na nossa startup. Vamos terceirizar esta parte!

Por definição, ao trabalhar com soluções disruptivas, as startups são empreitadas de alto risco. Nem mesmo o investidor-anjo pode ser capaz de prever o melhor feature a ser desenvolvido. Aliás, o negócio pode até mudar totalmente, durante o processo.

Então, flexibilidade é a alma do negócio. Mudar, testar, mudar novamente…. Esse é o jogo.
Agora imagine se o investidor gostaria de empenhar todo o seu rico dinheirinho para um terceiro desenvolver a solução, a cada vez que se detecte uma necessidade de mudança.

No começo, a condição ideal é que estes custos sejam pagos pelo trabalho do empreendedor. O dinheiro do investidor será muito mais útil se destinado, pelo menos em maior parte, para marketing e promoção dos produtos.

Erro#5: Minha ideia é demais!!! Viva!! Prêmios, Mídia, oba-oba!!!

Eu defendo que nenhuma startup deveria ser criada com o primeiro propósito de dar dinheiro. Pode parecer antagônico ouvir isto de um investidor, mas não é. Isto porque é muito difícil enxergar dinheiro antes (ou até na) disruptura. Formas de monetização certamente virão, se o negócio efetivamente resolver o problema das pessoas de uma maneira eficiente.

O que é muito diferente de não ter um plano ou desejo de monetizar a startup. Uma vez verificado que a solução é excelente ao atender um problema do cliente, automaticamente a monetização deve ser discutida. Você pode optar por não usá-la no início, priorizando a captação de usuários. Mas um plano de monetização sempre deve existir e ser disparado ao tempo correto.

Existe uma grande glamourização do empreendedorismo em startups. Prêmios em dinheiro e de reconhecimento, programas de aceleração, festas, encontros, eventos, programas no Vale do Silício, etc…

Claro que tudo isto, a seu tempo e de forma moderada, pode ser interessante. Mas chega a ser incrível dizer isso: alguém da empresa tem que querer ganhar dinheiro. Mudar o mundo é legal, festejar é mais ainda. Mas quem paga as contas, afinal: só o dinheiro do investidor?

Uma startup que não tenha ninguém que ame a ideia a ponto de promovê-la, não merece ser investida. Muito melhor uma ideia razoável, com as métricas de conversão e vendas rodando com excelência, do que uma ideia maravilhosa encravada na tela do computador.

Startups são, acima de tudo, empresas. Se nenhum empreendedor dela gosta de ganhar, o investidor tem horror a perder dinheiro no que não vale a pena. Melhor investir em outra startup.

Erro#6: Precisamos de dinheiro! Não sei pra que, mas precisamos!

Aqui mora um erro inclusive que atinge inclusive muitos investidores iniciantes. Algumas vezes, a ideia é boa, os empreendedores são fantásticos. Por ser uma combinação perfeita e bastante rara, o investidor já sai abrindo a carteira.

Acontece que, sem uma validação mínima de custos de aquisição de usuário, qualquer previsão é um mero chute. Não é raro ver a previsão de burn rate do dinheiro do investidor como uma linha do excel que segue fixa ou cresce “x” mil reais por mês.

Via de regra, a maior parte do dinheiro do investidor será usada para captar mais clientes. E, não havendo planejamento, o risco de o dinheiro acabar em um tempo (runway) menor que o planejado, cresce muito. Em condições extremas, o negócio mostra-se inviável, justamente por apresentar o custo de aquisição maior do que os valores a serem desprendidos pelo cliente.

Com um MVP na mão (às vezes até antes disso), é possível estimar os custos de captura de um cliente e fazer pequenos experimentos de tração. Geralmente não é necessário um investidor-anjo para isso. Custa pouco dinheiro e mostra dedicação, conhecimento do negócio e preparo por parte dos empreendedores.

Um investidor-anjo quer uma empresa que tenha ideia de quem são, quanto custa captar e quanto pagam os seus clientes. Então, entender de Unit Economics faz parte do dever de casa de um empreendedor que deseja um investidor anjo capacitado para o seu negócio.

#Erro 7: Meu Pitch (mesmo cheio de clichês) está fera!!!

Quem participa de bancas de startups já sabe de cor os principais clichês de um pitch. Aliás, eu acho o pitch um negócio chato pra caramba. Ou tem os erros crassos, que vamos falar na sequência, ou é tão lindo, treinado e decorado que dá vontade de namorar o empreendedor. Nunca ouvi falar em ninguém que investiu com base no pitch, embora o misticismo do pitch de elevador leva a crer nesta falácia. Nada substitui uma boa conversa, olho no olho, com os empreendedores.

Tirando estes pitches lindos de morrer, temos também aqueles de se morrer de raiva. Em toda banca de startups aparece essas coisas – se você tem algo assim no seu pitch, trate logo de resolver:

  • “Não tenho concorrentes”. Ué, seu mercado é tão ruim assim que mais ninguém quer saber disso? Geralmente não é o caso: concorrentes indiretos sempre existem. Com mais probabilidade, os diretos também estão aí. Preguiça ou negligência do empreendedor.
  • Tabela de comparativos de features só com “checks” em verde para a startups. Os concorrentes estabelecidos, por uma razão ilógica ou inexplicável, não fazem nada do que a startup se propõe a fazer. Mais honesto seria elencar o que os concorrentes estão fazendo, mesmo que coincida com alguma funcionalidade do projeto.
  • “Meu mercado é de 18 bilhões de reais”, poderia dizer uma startup que traga alguma solução para pets. Coisa linda. Ignora-se, porém, que quase 70% disso é ração e alimentos. A conta deveria começar por este número, partindo-se então para o nicho a ser atingido, etc.
  • “Se atingirmos apenas 1% deste mercado… porque somos conservadores!” Hum…. Virou um mantra para convencer alguém que nada pode dar errado com a startup. Afinal, o que é 1%, não é? Metas são boas quando são ousadas (será que não estão pensando pequeno demais?), porém factíveis (qual o plano para se atingir esta fatia, pretensamente pequena)?
  • “Nossa empresa (que basicamente se resume a este powerpoint) vale R$180 milhões.” Este milagre de valorização de powerpoint ilude muitos empreendedores e até investidores inadvertidos. Nesta conta, o empreendedor pegou 1% de 18 bilhões e acha que este é o valor de sua empresa. É o empreendedorismo mágico de contos de fada.

Conclusão

Conseguir um investimento-anjo pode ser um fator muito importante de alavancagem para o seu negócio. Contudo, ainda são poucos os investidores individuais dispostos a aportar dinheiro em negócios nascentes, como nas startups.

Mesmo quando há sinergia entre investidor e empresa, o processo até a liberação dos recursos geralmente é burocrático e extenso.

Por estas razões, recomenda-se que os fundadores e suas empresas estejam preparados para maximizar as chances e resultados do processo de investimento.

Mas o que fazer quando se acha um anjo em potencial, mas você ainda não desenvolveu ou validou o seu produto? De acordo com as palavras da própria Anjos do Brasil:

“Nos mercados mais consolidados, a figura do advisor é muito forte. Não necessariamente para captar dinheiro, mas para ajudar a entender a necessidade do negócio. No momento certo, ele próprio pode se tornar um investidor.”
Verifique se sua startup tem um “fit” com a tese de investimentos do anjo. Ofereça para o investidor a possibilidade de envio de relatórios de progresso de sua startup. Todo investidor gosta de ver uma empresa trabalhando direito e tracionando o seu negócio.

Não deixe de responder para o investidor. Não se esqueça do anjo e não deixe o anjo esquecer da sua startup.

Ideias disruptivas requerem investimentos, muito maiores do que temos atualmente no Brasil. Para isso, é preciso que startups e investidores-anjo caminhem juntos em um processo de profissionalização desta relação, mitigando riscos, prezando transparência, governança e cumplicidade entre as partes envolvidas.

Só então poderemos começar a construir um ecossistema de startups exuberante e próspero, na mesma proporção das ideias que são criadas por aqui.

* William Ribeiro é engenheiro da Computação pelo INATEL, com MBA em Gestão Empresarial pela FGV. Criou e dirigiu por 15 anos a empresa RWTECH. É educador financeiro (Minha Vida Nova), empresário e investidor.

As 4 Primeiras Etapas Jurídicas De Uma Startup

Por Luiz Sibahi e Michel Cury

É muito comum aos empreendedores ligados às empresas de tecnologia e inovação, desde o início, não estabelecerem uma estrutura legal para o seu negócio. Este é um erro estratégico que pode comprometer o desenvolvimento da startup e frustrar as oportunidades de negócio que irão surgir.

Apesar da ansiedade em transformar uma ideia em realidade, é muito importante que os fundadores pensem desde o início nas bases jurídicas do negócio. A operacionalização da empresa está sujeita à uma série de procedimento legais, que podem variar bastante para cada desenho de empreendimento.

Abaixo, listamos brevemente as principais etapas que precisam ser implementadas no desenvolvimento de uma startup. Ficando atento a estes fatores desde o início da criação do negócio será possível evitar problemas futuros e dispendiosas batalhas legais.

  • Ato de Constituição e Tipo Jurídico

A primeira decisão que o empreendedor deve considerar são as implicações legais sobre qual tipo jurídico sua startup será constituída. A legislação brasileira de direito societário avançou bastante nos últimos anos e consolidou dois principais tipos jurídicos que organizam a atividade empresarial: a empresa de responsabilidade limitada e a sociedade anônima.

A empresa de responsabilidade limitada é um tipo jurídico bastante usado, composto por dois ou mais sócios. Na empresa limitada, o patrimônio dos sócios é separado do patrimônio da sociedade, que será o único recurso usado para cumprir com as responsabilidades da empresa. Justamente por isso, a principal função deste tipo jurídico é proteger os bens pessoais do sócio. Por outro lado, as sociedades limitadas oferecem opções limitadas para o financiamento e gestão das suas atividades.

Além da sociedade limitada, a legislação atual prevê a figura da EIRELI – empresa individual de responsabilidade limitada. Nesse caso, é possível o desenvolvimento de atividades empresariais por uma única pessoa, no mesmo formato de uma sociedade limitada. Além das mesmas restrições, a EIRELI também requer um capital mínimo no valor de 100 salários mínimos.

Para uma empresa de inovação e tecnologia, começar como uma empresa limitada é uma boa ideia, mas os investidores irão sempre considerar a transformação para uma S.A. Depois que o empreendedor decidiu o melhor desenho jurídico, é preciso obter os registros necessários para o funcionamento da empresa.

  • Registro, inscrições e autorizações

Após a definição do desenho jurídico da startup, o próximo passo é efetuar o registro da sociedade na Junta Comercial do estado em que atua. Somente a partir do registro que a constituição da empresa é válida e ela pode praticar atos em seu nome. Com o registro na Junta, a empresa obtém também a Inscrição Estadual. Depois, é necessário providenciar sua inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, junto à Receita Federal, e as demais inscrições, dependendo do seu tipo de atividade.

Além do registro e inscrições que cada tipo de atividade empresarial requer, é necessário se atentar ao tipo de autorização ou permissão administrativa necessária para sua operação.

Um bom exemplo é o tipo de regulação que as fintechs podem estar sujeitas. O Banco Central do Brasil editou recentemente normas que disciplinam a atividade de prestadoras de pagamento. Então, mesmo uma pequena empresa como uma startup pode estar sujeita a algum tipo de regulação em sua atividade.

  • Acordos de confidencialidade

Startups trabalham com ideias inovadoras. Muitas vezes, a operacionalização da atividade é muito mais simples do que a análise de mercado, a percepção de suas demandas, e a apresentação de uma solução. Por isso, é altamente recomendado que os empreendedores tenham sempre em mente a necessidade de proteger o business soul da sua empresa.

Problematizar o acesso de terceiros aos ativos materiais e imateriais da companhia é bastante complexo, principalmente no começo da operação, quando o empresário está na posição mais dependente de funcionários e possíveis investidores, ao mesmo tempo em que sua ideia é inovadora e precisa ser colocada em prática.

Nesse cenário, a melhor aposta é investir em “Non discousure agreements”, os chamados NDA’s, ou, acordos de confidencialidade. Cada parte envolvida na operação precisa de um documento pensado especificamente para sua atividade. Assim, é bastante recomendável que se negocie os termos da interação entre funcionários, investidores e empresa, de modo a minimizar os riscos decorrentes do envolvimento de outras partes na operação da empresa.

  • Etapa de Investimento

A última etapa jurídica – que eventualmente pode se dar em vários rounds e em diferentes momentos – efetivamente relevante para a startup é o investimento. As empresas de inovação e tecnologia trabalham com ideias disruptivas, por isso podem começar com poucos recursos. Mas conforme cresce, é inevitável considerar a relevância de um aporte de capital, que pode se dar, em geral, de duas maneiras: aumento com reserva de capital ou mútuo conversível.

O aumento com reserva de capital implica na entrada direta dos investidores na empresa, passando assim a integrar o quadro de sócios. Neste caso, há uma diferença entre o valor pago por quota ou ação, e seu valor nominal. Essa diferença irá formar a reserva de capital, que poderá ser usada pela empresa.

O mútuo conversível é a opção mais comum, pois protege o investidor contra os riscos de participar diretamente do capital social da empresa e, por exemplo, serem responsabilizados por alguma obrigação social. Trata-se de um empréstimo conversível em ações da empresa, que pode ser disparado em diversos cenários, conforme negociado pelas partes.

Em todas estas etapas, é sempre recomendável o acompanhamento por assessores jurídicos familiarizados com as particularidades do mercado de startups, assim têm-se mais chances de construir um negócio preparado para crescer.

* Luiz Sibahi é advogado na área de direito societário e M&A da FTCS Advogados, mestrando em Filosofia do Direito pela Universidade de São Paulo – USP, formado pela Universidade de São Paulo – USP.

* Michel Cury é sócio do escritório FTCS Advogados, pós-graduando pela Stanford University em Strategic Decision and Risk Management, mestre em Direito pela Universidade de São Paulo – USP, é mentor do programa InovAtiva Brasil.

KlipBox recebe investimento de um dos anjos mais reconhecidos do mercado

O investidor-anjo João Kepler participou do Demoday InovAtiva do primeiro Ciclo de Aceleração de 2016, realizado em agosto, onde teve a oportunidade de assistir ao pitch de dezenas de startups em busca uma parceria para impulsionar os negócios. Na ocasião, conheceu os fundadores da KlipBox , uma empresa de monitoramento de notícias online. A conversa começou no evento e terminou em um investimento pela Bossa Nova Investimentos, empresa da qual Kepler está à frente atualmente. “Os empreendedores participaram do curso de modelagem financeira que eu ministrei e a partir daí começou a conversa que resultou em investimento e o início de uma parceria que com certeza renderá muitos bons frutos”, pontua Kepler.

A KlipBox é uma ferramenta de monitoramento de notícias online que ajuda seus clientes a se manterem atualizados sobre tudo o que está sendo dito online sobre sua empresa, seu mercado, concorrentes e/ou clientes importantes. A empresa realiza o monitoramento de mais de 20 mil fontes do mundo para que seus clientes fiquem sempre sabendo o que está acontecendo e sendo dito no Brasil e no mundo. Dante Sarmento, sócio-fundador da KlipBox, conta que o próximo passo é adotar ações para atração de mais leads e, consequentemente, que eles se convertam em novos clientes. A expectativa é, em seis meses, aumentar em dez vezes o valuation da startup. “O InovAtiva foi um passo muito importante pois tivemos a chance de validar muitas das nossas decisões e implementar melhorias. Isso só foi possível ao passar pela aceleração, sempre se dedicando muito a ela. O investimento acabou como uma consequência disso”, afirmou.

João Kepler destacou a importância do InovAtiva Brasil na conexão de startups com investidores. “Este é o resultado de iniciativas assim, é necessário promover encontros entre investidores e startups para que o ecossistema empreendedor se desenvolva com bases sólidas e de forma constante. Este ano o InovAtiva recebeu o dobro do número de inscrições de startups em relação a 2015, o que demonstra que os empreendedores já perceberam que eventos assim são uma excelente oportunidade para apresentar seus negócios e buscar novos parceiros e investidores”, explica Kepler. “Os números do negócio são bem expressivos: mais de 80 milhões de notícias indexadas, mais de 1.500 usuários e eles têm mais de 20 mil fontes de notícias. Além disso, a startup tem abrangência internacional, inteligência de mercado, análise de mídia e monitoramento em tempo real”, conclui o investidor.

Como calcular a taxa de retorno sobre um Investimento em Startup?

Por João Kepler Braga *

Ganhar dinheiro investindo em Startup nos dias de hoje é sem dúvida um desafio maior do que era há 10 anos. O principal “culpado” por essa realidade foi o aumento considerável no tempo que leva para uma startup ser adquirida ou vendida.

Para se ter uma ideia de como chegamos nestes números e entender melhor o cenário atual, o fato é que desde o fim do boom da Internet 1.0 em 2001, o tempo médio de retorno do investimento no capital de risco duplicou, de 3,3 anos para 6,8 anos, com um retorno médio de 5x o dinheiro dos investidores, ou seja, gerava no passado uma TIR (Taxa Interna de Retorno) ou IRR (Internal Rate of Return) de 62,9%. Esses dados  são da National Venture Capital Association.

E o que tudo isso significa? O que principalmente um investidor tradicional realmente precisa considerar e saber? Que atualmente o tempo médio para sair (exit) é de 6,8 anos e que o seu retorno será em média 5x, assim o investidor receberá uma (TIR) de 26,7%, ou seja, trata-se de um percentual atraente e superior aos obtidos em outras formas de investimentos disponíveis no mercado. Mais ainda, algumas empresas têm conseguido alcançar melhores taxas no mercado de capital de risco no Brasil. Na Bossa Nova Investimentos, por exemplo, o IRR anual calculado na média de 60 startups é de 43.7%.

Mas antes de falar e explicar como calcular o TIR ou IRR é importante considerar que os ganhos devem vir de mais de um investimento em Startup. Ou seja, quanto mais startups investir, maiores serão suas chances de ter retorno. Apenas como referência, a aceleradora 500 startups com seu Fundo III teve IRR de 20.3% e o mais recente report da Angel apresentou um resultado do Syndicate em 61 startups com IRR de 46%. Muitas vezes, algo em torno de apenas 10% do portfólio total, suporta o ganho de todas as demais startups.

Mas então como calcular o IRR ou TIR (Taxa Interna de Retorno)?

A técnica por assim dizer é fundamentada com análises que remetem mais ao futuro que o presente. A TIR é calculada com base no fluxo de caixa do projeto e para efeitos práticos. Isso significa que quanto maior a TIR, melhor e mais lucrativo será o projeto ou novo negócio. Para facilitar, pense na TIR como a taxa de juros que uma aplicação financeira precisaria render para ser tão lucrativa quanto o projeto ou novo negócio. Uma taxa de juros implícita numa série de pagamentos (saídas) e recebimentos (entradas), que tem a função de descontar um valor futuro ou aplicar o fator de juros sobre um valor presente, conforme o caso, para trazer ou levar cada valor do fluxo de caixa para uma data focal (data base de comparação de valores correntes de diversas datas).  

Quer ter essas informações também na sua Startup e atrair investidores? Acesse o Curso Modelagem Financeira!!

É importante compreender ainda que durante o projeto o fluxo de caixa é negativo. Isto é, há somente saída de recursos financeiros. Ao fim do projeto, quando o produto ou serviço está pronto e é comercializado, em tese, o fluxo de caixa é positivo. Há entrada de dinheiro. Resumindo para não deixar nenhuma dúvida, durante o ciclo de vida do projeto, há despesa/investimento e durante o ciclo de vida do produto/serviço há receita ou recuperação do investimento feito no projeto.

Os investidores qualificados esperam que seus rendimentos sejam superiores a 30%, portanto, os investimentos em startups que se preocupam com isso, conseguem taxas melhores e consequentemente são mais atraentes, apesar do alongamento do tempo e valuations mais elevados.

Por isso o investimento em startups tem se tornado cada vez mais procurado por investidores considerados tradicionais/conservadores do mercado, porque eles já compreenderam que assim como em qualquer outro investimento existem riscos, mas que o retorno financeiro é maior, bem como a forma de atuação neste mercado crescente ser ainda mais satisfatória e contundente.

* João Kepler Braga, Lead Partner da DealMatch e mentor/investidor do Programa InovAtiva Brasil desde 2015.

InovAtiva Brasil divulga as 125 finalistas do segundo ciclo de aceleração de 2016

O InovAtiva Brasil anunciou nesta segunda-feira (17) a lista das 125 startups selecionadas para a segunda etapa do Ciclo de aceleração 2016.2. Nessa fase, as finalistas receberão mais sete semanas de mentoria e capacitação online, fechando com dois dias de treinamento intensivo antes do Demoday InovAtiva, em que apresentarão seus negócios na maior banca de startups do país, em dezembro.

O Secretário de Inovação e Novos Negócios do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Marcos Vinícius de Souza, destacou que este ano foi um divisor de águas para o programa pois, pela primeira vez, foram realizados dois ciclos de aceleração, dobrando a capacidade de empresas aceleradas. “O nosso desafio sempre foi realizar um programa em larga escala sem perder a qualidade das startups selecionadas. Isso garante o sucesso delas durante a conexão com os investidores e grandes empresas, que acontece nesta etapa final”, afirma.

Como ocorre desde 2014, o Demoday InovAtiva será realizado junto com a Conferência Nacional da Anjos do Brasil, no dia 5 de dezembro. Nos dias 3 e 4/12, sábado e domingo, o InovAtiva finaliza a preparação delas com mentorias individuais, treinamentos temáticos e simulação do pitch no Bootcamp final, que ocorrerá no Sebrae/SP. Co-realizador do programa desde o início de 2016, o Sebrae tem consultores que atuam como mentores, orientando esses novos empreendedores a estabelecerem seus negócios.  O presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, destaca que os pequenos negócios possuem capacidade maior de inovar. “Não podemos esquecer que a criatividade está no pequeno negócio, pois o grande compra pronto”, afirma.

A região Sudeste teve o maior número de selecionadas (52), seguida das regiões Sul (43), Nordeste (14),Centro-Oeste (12) e Norte (4). Dezessete Estados estão representados na lista, com destaque para São Paulo (28 empresas), Santa Catarina (18), Minas Gerais (15), Rio Grande do Sul (13) e Paraná (12). A abrangência multissetorial das startups do InovAtiva foi novamente o destaque, com empresas de 17 segmentos distintos, com destaque para Tecnologia da Informação e Comunicação (45 startups selecionadas), Serviços (16), Agronegócio (10), Saúde (10), Educação (7), além de diversas áreas da indústria como Energia, Química, Automotivo, Bens de capital e Construção Civil.

Na avaliação de Leandro Carioni, diretor do Centro de Empreendedorismo Inovador da Fundação CERTI, a nova etapa da aceleração é a grande chance para as startups alcançarem investimentos, o que vai ajudá-las a conquistar o mercado. “Quase todas as startups já têm protótipo ou produto para oferecer ao público, mas apenas 30% declararam ter recebido algum investimento anteriormente”, ressalta. Outro destaque é que as startups finalistas desse ciclo também estão mais focadas em negócios com outras empresas, já que 70% atuam em B2B.

Entre os selecionados está o Sistema Olho do Dono, que utiliza câmeras 3D para realizar a pesagem do gado nos pastos. Para Pedro Henrique Mannato Coutinho, sócio-fundador da startup, as mentorias individuais e o Demoday vão abrir muitas portas para o projeto. “Vai ser uma oportunidade única de debater estratégias com mentores de alto nível e apresentar o sistema para investidores de um patamar que, até então, não tínhamos alcançado”, afirma. A solução desenvolvida pela startup otimiza tempo e recursos no processo de pesagem do boi e ainda auxilia o produtor na tomada de decisões como alimentação e momento de venda. “Hoje em dia, isso é feito de maneira demorada e por amostragem. Além disso, exige muita mão-de-obra e causa grande stress no animal, que pode chegar a perder peso. Nossa proposta é utilizar tecnologia de ponta para obter dados mais fieis, de maneira mais rápida e eficiente”, completa.

A lista completa das finalistas está disponível no link: http://www.inovativabrasil.com.br/lista-de-empresas-aprovadas-etapa-2-ciclo-2016-2/.

Confira alguns momentos do Bootcamp Final e Demoday InovAtiva Brasil – Ciclo 2016.1!

Aconteceu nos dias 27, 28 e 29 de agosto, em São Paulo, o Bootcamp Final e Demoday do primeiro Ciclo de aceleração do InovAtiva Brasil 2016!

Confira alguns momentos desse evento que reuniu 214 empreendedores, 115 startups e 117 investidores e mentores!

Mais informações sobre o programa InovAtiva Brasil em nosso site:www.inovativabrasil.com.br

Um programa de aceleração com capacitação de qualidade, mentorias nacionais e internacionais e muitas conexões com parceiros e investidores.

“O primeiro passo para qualquer startup do Brasil captar recursos e conquistar clientes”.

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InovAtiva Na Mídia: Empresas inovadoras atraem atenção de repórteres brasileiros

As startups aceleradas pelo programa InovAtiva Brasil seguem ganhando destaque nos portais brasileiros. Sites como Startupi, Tribuna do Ceará e Correio de Uberlândia apresentaram matérias que mostram como as empresas inovadoras ganharam reconhecimento no  programa nacional do MDIC.

A TÁQUION, startup cearense, foi tema da semana nos portais Tribuna do Ceará e Vermelho. Os sites abordaram a importância do sistema desenvolvido pela empresa para auxiliar médicos em consultas e diagnósticos. Além disso, os dois sites ressaltaram que a startup está entre as 12 empresas mais atrativas para investimentos, após participação no Bootcamp Nacional em São Paulo, no final de de agosto.

O Correio de Uberlândia trouxe uma matéria sobre a startup Forleven e sua participação no Demoday InovAtiva. A empresa oferece uma plataforma de Gestão Educacional em que as empresa conseguem identificar as dificuldades dos alunos e propor soluções automatizadas para que o aluno tenha um aprendizado eficaz.

Algumas empresas aceleradas pelo InovAtiva Brasil participaram do 3º Demo Day Apex-Brasil & Start-Up Brasil, em São Francisco na Califórnia. O site Startupi mostrou a oportunidade que os empreendedores tiveram de apresentar seus projetos para uma banca de jurados formada por investidores e para o público do evento, assim como foi no Demoday InovAtiva.

As matérias na íntegra podem ser conferidas no site: mjournal.net.br/inovativa

inovativa@inovativabrasil.com.br