Posts

Sigalei é aportada por investidores anjo que conheceu no InovAtiva Conecta

No primeiro semestre do ano, a Sigalei, plataforma online que permite o monitoramento de ambientes político, social e regulatório, participou do InovAtiva Conecta: COVID-19. Durante sua apresentação, despertou o interesse de investidores anjo como GV Angels, Allievo Capital e SL Anjos. Pouco tempo depois, a empresa recebeu um aporte de R$ 1,3 milhão para dar agilidade e profundidade ao desenvolvimento dos robôs que fazem o acompanhamento das regulamentações brasileiras em diversos setores. 

Frederico Oliveira, CEO da Sigalei, conta que já conhecia o programa InovAtiva Brasil, mas nunca tinha participado de nada relacionado à marca. “Foi uma excelente experiência. Tivemos a oportunidade de conversar com pessoas importantes para a startup e, graças ao InovAtiva Conecta, conhecemos a GVAngels e levantamos nossa primeira rodada de investimentos”, comenta o empreendedor.

O Presidente do Comitê de Seleção de Startups da GV Angels, Wlado Teixeira, diz que, quando começou a se aprofundar no que a empresa faz, achou muito interessante. Ela é uma startup Camelo, que dá lucro desde o começo, é sólida e, por isso, ultravalorizada.

“A Sigalei tem robô que fica o tempo inteiro atrás de palavras-chaves que possam ser do interesse de determinada empresa em relação ao que estiver em tramitação dentro da Câmara. De acordo com os clientes dela, é um enorme benefício, porque faz com que eles tenham tempo de contestar a informação. Essa é uma das grandes dores que empresas relacionadas a macropolítica têm”, explica.

Segundo Wlado, outro fato que chamou a atenção na startup foi que ela estava com o captable totalmente íntegro, ou seja, ainda não havia recebido nenhum tipo de investimento. Agora, com mais de 65 usuários, tração e um produto validado no mercado, a Sigalei busca expandir sua base de clientes e as funcionalidades de seu produto.

Último webinar da série de Covid-19 aborda a captação de investimento em tempos de pandemia

Durante os meses de abril e maio, o InovAtiva Brasil promoveu uma série de webinars com dicas e orientações para minimizar o impacto do Covid-19 aos empreendedores. No último bate-papo da série, Daniel Izzo, CEO da Vox Capital, e Brenda Kutnikas, que faz o Relacionamento com Empreendedores e Parceiros na Anjos do Brasil, abordaram a questão do investimento durante e pós-pandemia do novo coronavírus.

De acordo com eles, está na hora das empresas adaptarem seus modelos de negócios para continuar prosperando e, consequentemente, conquistando investimentos. “Temos visto que toda empresa que tem oferecido uma alternativa para o contato social tem crescido. Tanto é que a grande maioria do portfólio ativo dos nossos fundos está vivendo os melhores meses, em termos de faturamento, da vida delas”, comentou Izzo.

Mesmo os investidores anjo, que são pessoas físicas, decidiram continuar aportando, porém com valores melhores e focando em startups que entendam as novas necessidades e, por isso, pivotaram seus negócios. De acordo com Brenda, essas são as soluções vistas como mais promissoras por investidores.

“Mais do que nunca, os investidores estão querendo acompanhar o comportamento dos empreendedores em relação ao que está acontecendo agora. Quanto melhor a startup mostrar o que está dando certo e o que está dando errado, mais vai ter a confiança do investidor e mais chances terá de conseguir uma conversa sobre aporte”, completou Brenda. 

Quando questionados por Vinícius Aguiar, Community Manager do InovAtiva Brasil, que intermediou o webinar, sobre conselhos para quem busca investimento em meio a todo esse contexto, os convidados disseram que os empreendedores precisam demonstrar proatividade, transparência e paciência. Além disso, devem ter um plano bem estruturado, uma visão clara e alicerces robustos.

“O mercado tem liquidez, os fundos estão com dinheiro e a taxa de juros está baixa, então há incentivos para o investimento. Portanto, não adianta ir com sede ou desespero ao pote agora. Os empreendedores devem enxergar o próprio valor, se resguardar e ter calma para encontrar investidores alinhados com o propósito da empresa”, finalizou Izzo.

Série de webinars sobre COVID-19

De 02 de abril a 28 de maio, o InovAtiva Brasil promoveu nove webinars com especialistas para falar sobre estratégias para o contexto atual, soluções para o combate ao novo coronavírus, processo de vendas no isolamento, home office e gestão de equipes, financeiro e tributário em tempos de crise, saúde mental, negociação com fornecedores, marketing e gestão de crise e, para finalizar, o que muda em relação a captação de investimento. 

Realizados às quarta-feira às 17h, as exibições ao vivo tiveram duração média de 52 minutos e contaram com cerca de 405 visualizações. Para ver ou rever algum episódio da série, basta acessar a página do InovAtiva Brasil no Youtube.

Conheça a história do Gympass, um dos unicórnios brasileiros

Em junho de 2019, após receber um aporte de U$300 milhões liderado pelo Softbank, o Gympass passou a fazer parte da lista dos unicórnios brasileiros. Com uma rede composta por mais de 50 mil parceiros no mundo e cerca de 800 modalidades diferentes de atividades físicas, a solução tem a missão de ajudar as pessoas a serem mais saudáveis, buscando uma atividade física que elas amem.

Conversamos com Leandro Caldeira, CEO Brasil do Gympass, para saber qual a fórmula para chegar à marca de US$ 1 bilhão em sete anos. Veja abaixo o que ele nos contou:

  1. Conte sobre a trajetória do Gympass. Quando surgiu? Com qual objetivo?

O Gympass foi fundado em 2012 com a missão de acabar com o sedentarismo no mundo. O conceito de saúde e bem-estar por trás da plataforma surgiu enquanto o César Carvalho, CEO e Co-fundador do Gympass, estava com dificuldade em encontrar academias a preços razoáveis enquanto viajava à trabalho. Um ano depois, durante seu MBA na Harvard Business School (HBS), ele se viu pensando em opções de condicionamento físico que fossem flexíveis, acessíveis e, principalmente, divertidas. Foi então que deixou HBS e deu os primeiros passos em direção ao que acabou de tornando o Gympass: um benefício corporativo de atividades físicas, que alimenta uma economia circular proporcionando uma relação de ganha-ganha-ganha entre todos os stakeholders do ecossistema – empresas, usuários finais e centros de atividades físicas.

  1. O que faz o Gympass? Qual o diferencial da startup?

O Gympass é um benefício corporativo que democratiza o acesso a academias e centros de atividades físicas para trabalhadores e seus dependentes com mensalidades abaixo de R$30. No modelo de negócio atual (B2B), a empresa e o funcionário pagam ao Gympass, que remunera o centro de atividade física. Nesta relação, o investimento tem retorno ao funcionário em forma de mais saúde e qualidade de vida; e à empresa em menor sinistralidade médica, menor absenteísmo e maior engajamento e produtividade dos funcionários. Isso torna o Gympass responsável pela criação de uma economia circular e um ecossistema saudável e sustentável. Por ser um benefício exclusivamente corporativo, um          grande diferencial é que o Gympass gera um mercado adicional para as academias – cerca de 80% dos usuários não frequentavam nenhum centro de atividade física no momento em que aderiram ao benefício.

Além disso, como diferenciais, podemos citar a grande capilaridade de localização e modalidades do Gympass: estamos presentes em 14 países, em mais 8 mil cidades, com cerca de 52 mil academias e mais de 790 modalidades de atividades físicas. Desta forma, estamos constantemente aprimorando uma proposta de valor bem atrativa. Cada usuário tem direito a um check-in por dia, que é feito de forma 100% digital por meio de um smartphone. Isso significa que o usuário pode treinar a hora que ele quiser, quando quiser, fazendo a atividade que mais gosta – ou, se quiser, testar alguma nova em algum dia.

Para aprimorar ainda mais a experiência desses usuários e ajudá-los a encontrar uma atividade que amem, o Gympass tem investido fortemente em Inteligência Artificial e Machine Learning – acabamos de abrir um tech hub de Inteligência Artificial em Nova York e adquirimos a Flaner, empresa especializada em Machine Learning e Information Retrieval baseada em Lisboa, Portugal.

  1. Quando a empresa se tornou um unicórnio? O que foi preciso para isso?

O Gympass se tornou um unicórnio em junho de 2019, após receber um aporte de U$300 milhões liderado pelo Softbank. Mas, mais importante do que o título, é o nosso propósito de acabar com o sedentarismo e ajudar as pessoas a serem mais saudáveis. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o sedentarismo é hoje a quarta maior causa de mortes no mundo – 28% ou 1.4 bilhões de pessoas ao redor do mundo são inativas e 3.2 milhões de pessoas morrem anualmente devido aos efeitos da inatividade física.

Acreditamos que esta é uma marca importante que comprova os fundamentos do nosso modelo de negócio ganha-ganha-ganha, gerando valor para todos os stakeholders que participam deste ecossistema, no Brasil e fora.

  1. Para as startups que gostariam de seguir os passos do Gympass, que dicas você daria?

Primeiro, resolver de fato um problema existente. Acreditamos que os negócios com maior potencial de criação de valor de forma sustentável são aqueles que melhoram muito (otimizam) alguma relação. Para isso, tipicamente são utilizadas soluções tecnologicas para escalar e atingir um maior número de clientes e parceiros. Além disso, é importante ter um propósito forte. É isso o que motiva as pessoas a fazerem mais e a se engajarem com o negócio. Também é preciso praticar o que se fala.

No Gympass, mais do que vendermos o acesso à atividade física, nós incentivamos as pessoas (os nossos próprios funcionários, inclusive) a serem saudáveis. Aqui, é frequente as áreas irem treinar juntas, criando uma conexão profunda entre os times. Com estes dois elementos, muita resiliência e a construção de um time de alta performance e motivado, acreditamos que dá para chegar longe.

  1. Quais os principais obstáculos encontrados pela empresa durante o seu crescimento?

Inúmeros são os obstáculos encontrados durante o processo de crescimento de uma startup. No nosso caso, um dos principais obstáculos foi encontrar um modelo de negócio que funcionasse bem para todos os que participam. Inicialmente, o Gympass foi desenvolvido com o objetivo final de vender passes diários de academias diretamente para os usuários finais (pessoas físicas). Depois, fomos aprimorando o modelo com base no feedback de usuários e academias, até convergir para o B2B (corporativo), dado a busca que algumas empresas tinham por uma força de trabalho mais ativa fisicamente.

O ciclo de vendas para uma empresa é bastante longo e vender inovação sempre é um desafio, dado a falta de dados históricos. A expansão internacional também é bastante desafiadora. Para cada país em que nos instalamos, foi necessário realizar um estudo super aprofundado sobre a sua cultura e mercado, iniciar o negócio, contratar os talentos locais.

  1. Existe um passo a passo para se tornar um unicórnio? Por quê?

Não existe uma “receita”. O nosso último aporte foi o que nos mostrou que estamos no caminho certo, que temos um modelo de negócio interessante, sustentável e que pode ser escalável. E, sobretudo, que temos uma grande oportunidade, já que a maioria das pessoas no mundo ainda não pratica atividade física.

  1. Para se tornar um unicórnio, basta receber investimento ou também existem outros fatores que influenciam nesse processo?

“Unicórnio” é só um termo usado no mercado para identificar as empresas com um determinado valor de mercado. Mas o que faz a diferença hoje em dia é o propósito da empresa, para o quê ela existe, e quem sentiria a sua falta caso ela deixasse de existir. O Gympass não prega o corpo perfeito, nem o ditado “no pain, no gain”. Pelo contrário, respeitamos a diversidade, os diferentes estilos e os limites de cada um. Com um propósito bem estabelecido e que inspire as pessoas, o desafio passa a ser definir e aprimorar o modelo de negócio para de fato colocar a empresa na direção do propósito. Mas reforçamos que não existe uma receita pronta.

  1. Existe algo que você gostaria de acrescentar?

Seguindo nosso propósito de ajudar as pessoas a serem mais saudáveis, este ano lançamos nosso serviço para Pequenas e Médias Empresas (PME), para que negócios com menos de 1 mil funcionários também possam contratar o Gympass. Todo o processo é digital: em poucos minutos a empresa consegue contratar o Gympass, e, em poucos dias, já lança o benefício para seus funcionários.

Este ano também nos tornamos uma empresa com presença em todos os estados do país e reforçamos nosso time no Norte, Nordeste, Sul, Centro-Oeste e interior de São Paulo para melhor atender nossos clientes corporativos. Também gerarmos mais benefícios aos nossos parceiros de academias e ampliamos a equipe que atende o setor público. Já temos como exemplo a AFPESP, a Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo, com mais de 250 mil vidas.

Do bootstrapping à venda da startup: conheça as fases de investimento existentes no mercado

Durante seu crescimento, uma startup normalmente passa por rodadas de investimento. Isso porque, para cada fase de amadurecimento de uma empresa, existe um tipo de investimento mais adequado. Abaixo, listamos os tipos de aportes realizados em cada etapa do negócio:

Bootstrapping

Trata-se do momento em que uma startup utiliza recursos próprios para a criação da empresa, sem qualquer investimento externo. Ideal para negócios que ainda não foram validados, a principal vantagem desse modelo é que nele não se abre mão de uma parte da solução. Para colocá-lo em prática, o empreendedor utiliza ferramentas prontas, MVPs (Minimum Viable Product) com funcionalidades limitadas e sistema operacional manual.

O Bootstrapping pode ser:

  • Double Journey – mantém o emprego fixo e monta a startup como um projeto paralelo;
  • Stocking – utiliza-se a reserva financeira para se dedicar exclusivamente à startup.

Cofundador/sócio

Se o Bootstrapping não for suficiente, o empreendedor pode buscar um cofundador/sócio que possa contribuir com o chamado smartmoney, que consiste em agregar dinheiro e capacitações técnicas em áreas que o idealizador do negócio não possui na startup. Quando este investimento é realizado, os percentuais das quotas sociais de ambos são semelhantes.

FFF

O FFF (Family, Friends, Fools) é um aporte feito por amigos, familiares ou conhecidos próximos que acreditam no potencial da ideia do empreendedor. Neste modelo, não é regra que o investidor fique com um percentual da empresa, mas é importante formalizar essa contribuição por meio de um contrato.

Seed Capital

Capital Semente ou Seed Capital é o primeiro valor financeiro recebido pela empresa após sua estruturação. Realizado, geralmente, por investidores anjos ou fundos de investimento early stage, esse investimento tem como objetivo acelerar o crescimento da startup e é feito em troca de uma porcentagem da empresa.

Aceleradoras / Incubadoras

Algumas aceleradoras e incubadoras de startups investem um capital para ajudar os empreendedores a alavancarem suas startups. Em troca deste auxílio financeiro, as empresas cedem um percentual de participação para esses agentes. Além disso, ambas também proporcionam o networking com outros empreendedores, executivos de grandes organizações e possíveis investidores.

Como já explicamos em outro texto, também existem aceleradoras que funcionam no modelo equity free, em que não é cobrada participação das startups e o investimento é feito de forma indireta, por meio de conexões e parcerias.

Séries de Investimento

No momento em que a empresa já está estruturada, fundos de investimento começam a se interessar pela solução e oferecem valores expressivos em troca de uma fatia da empresa, visto que, pelo negócio já estar bem adiantado, as chances dele gerar lucros são maiores.

Oferta Pública ou IPO

Ainda pouco comum no Brasil, esse tipo de investimento consiste na venda de ações da empresa diretamente na bolsa de valores para terceiros interessados que não tenham vínculo necessariamente com a startup. Tal ação ocorre quando o empreendimento já tem um grande valuation e capacidade de pulverizar suas ações com o objetivo de facilitar a capitalização.

Venda, fusão, aquisição ou exit

Quando o valor da startup (tanto monetário quanto de reconhecimento) ultrapassa as expectativas dos fundadores, eles podem optar por vender quotas/ações e deixar a empresa. Nesses casos, eles geralmente são contratados como consultores ou conselheiros dos novos donos da startup, contribuindo para que a expectativa pós-venda seja alcançada.

Como captar recursos para sua ideia?

Após alguns anos trabalhando em Inovação e empreendedorismo , esta dúvida é uma das mais frequentes e em geral tema de grande interesse das startups. Neste mês, a Ebanx, startup de processamento de pagamentos, após receber investimento do fundo americano FTV Capital, passou a valer mais de 1 bilhão de dólares, entrando para a lista de unicórnios brasileiros, junto a Nubank, Gympass, 99 ou Ifood e se tornando a primeira unicórnio do Sul do país!

Outro case paranaense Destaque InovAtiva Brasil em 2019, é a startup Cycor Cibernética, que participou da Edição especial do Programa Shark Tank Brasil do canal Sony, e pela primeira vez na história do Programa conseguiu investimento dos cinco Sharks.

Ambos cases merecem destaques porque por trás destas startups existem grandes Empreendedores, pessoas que conseguiram driblar muitas barreiras para executarem e resolverem com sucesso os principais desafios no dia a dia. Então gostaria de compartilhar com vocês algumas dicas.

Os investidores utilizam algumas métricas chaves como tese de investimento: 1) qual estágio de desenvolvimento do produto, 2) perfil da equipe, 3)barreiras de entrada do produto no mercado e 4)potencial de crescimento.

Desta forma, como pré-requisitos para captação de recursos, é muito importante ter um pitch pronto para apresentar a investidores, atualizado e com informações sobre descrição do negócio (faturamento, custo e lucro líquido), produtos e serviços, mercado e concorrência, investimento, estratégia comercial e de marketing, projeções financeiras, mensuração de impacto e equipe.

Não existem fórmulas mágicas sobre o perfil de uma empresa adequada para receber investimentos, mas em geral, ter uma equipe multidisciplinar, ou seja, um sócio que saiba fazer (especialista na tecnologia ) e outro que saiba vender já é um grande diferencial.

Algumas plataformas coletivas de investimentos de crowdfunding, ou equity crowdfunding podem ajudar sua empresa a captar recurso organicamente na internet.

Mas para decidir entre diferentes fontes de investimento, tais como, investidores anjos, venture capital, recursos governamentais, não tenha vergonha e busque apoio de empreendedores com mais experiência ou especialistas em captação de recursos para que eles possam apresentar as diferentes fontes vigentes e te ajude a encontrar a melhor de acordo com seu perfil de negócios e o que você precisa.

Neste momento, é importante estar aberto a feedbacks tão valiosos quanto a informação sobre o investimento.

Há vários tipos de investimentos e estudos, um deles é o Mapa do Ecossistema de Investidores de Startups no Brasil, fundado pelo time da MSW Capital / Fundo BR Startups, JUPTER, curado e validado por ativa comunidade de investidores Anjos e VCs que compartilho com vocês.

Em geral, melhor do que receber investimento é ter o produto vendido, é ter dinheiro no bolso, então na hora de decidir por investimento, é preciso saber qual smart money envolvido, ou seja, sua rede de contatos, que pode fazer grande diferença na fase de crescimento da empresa!

 

Priscila Tie Assahida Moreira

Líder de Comunidade Inovativa do Paraná

86 empresas conquistam visibilidade e conexões no maior programa de aceleração de startups da América Latina

São Paulo, julho de 2018 – Entre os dias 20 e 22 de julho, cerca 160 investidores, representantes de aceleradoras e executivos de grandes empresas, estiveram presentes no Bootcamp Nacional e Demoday InovAtiva Brasil 2019.1, realizado na Escola de Negócios do Sebrae, em São Paulo, para conhecer e se conectar com os negócios mais inovadores do país.

Nos dois primeiros dias, as 86 startups participantes receberam mentorias, participaram de palestras, fizeram networking e apresentaram seus pitchs para mentores especializados, recebendo feedbacks e sugestões de melhores. Tudo isso serviu de preparação para o Demoday, realizado no último dia, em que essas empresas tiveram a oportunidade de mostrar suas soluções a maior banca de investidores do país.

“Mudamos o formato do programa para que as startups que chegassem aqui já estivessem maduras e vendendo. Nesse primeiro ciclo de 2019, foram 732 projetos inscritos, 122 selecionados e fechamos esta edição com 86 empresas se apresentando para uma banca com mais investidores do que startups”, afirma Igor Nazareth, Subsecretário de Inovação do Ministério da Economia.

As empresas foram divididas em seis bancas de acordo com o seu ramo de atuação. Elas tiveram cinco minutos para apresentar seus pitchs e mais três minutos para responder as perguntas dos avaliadores. Ao final, foram escolhidas duas startups de cada banca como destaques do programa:

  • Banca 1: Educação, Indústria e Setor Financeiro – OrçaFascio, software de orçamento de obras do Amapá e Smart-Tech Controle e Automação, empresa do Paraná focada no desenvolvimento de produtos para a indústria;
  • Banca 2: Sistemas de Gestão – Meu Crediário, plataforma SaaS de gestão, análise de crédito e cobrança para varejistas alocada em Santa Catarina e MOB, solução de São Paulo para coleta e análise de dados online;
  • Banca 3: Entretenimento, Comunicações, Marketing e Mídia – LeadFinder, plataforma do Paraná que conecta empresas e seus prospects e Widgrid, plataforma para construção ágil e diagramação de múltiplos sites de qualquer porte no mesmo ambiente situada em São Paulo;
  • Banca 4: Saúde, Agronegócio e Energia – Cycor Cibernética, startup de saúde localizada no Paraná que desenvolve tecnologias para reabilitação com foco industrial e Prevention Adam Robo, empresa do Paraná que criou um aparelho e hardware que descobre problemas visuais refrativos em apenas cinco minutos;
  • Banca 5: Serviços de Logística, Comércio Eletrônico e Marketplace – Cheap2ship, plataforma de Santa Catarina que centraliza todas as cotações de frete em um único lugar e Prepi, startup de Pernambuco que oferece um serviço de e-commerce atrelado ao Instagram;
  • Banca 6: Cyber Security, IoT, Inteligência Artificial, Big Data e Chatbot – NoLeak Segurança da Informação, plataforma de autenticação contínua para evitar fraudes online com sede em São Paulo e Previsiown, plataforma digital do Rio de Janeiro desenvolvida para a coleta e análise de dados de veículos automotores.

De acordo com Michele de Souza, CEO da Cycor Cibernética, startup destaque na Banca 4, todo o processo do InovAtiva Brasil foi extremamente enriquecedor. “Nos dois primeiros dias de evento, conseguimos atingir o objetivo que queríamos, que era encontrar um parceiro para nos ajudar a resolver um problema de regulamentação com a Anvisa a respeito da licença do nosso equipamento. Então, ganhar o reconhecimento de destaque no programa foi muito além das minhas expectativas. Só tenho a agradecer ao InovAtiva”, comenta Michele.

Próxima edição

As empresas interessadas na próxima edição podem se inscrever no site do programa até o dia 29 de julho. Para participar é necessário que a startup esteja no estágio de operação ou tração e desenvolva soluções inovadoras e tecnológicas. Serão selecionados até 130 negócios, que receberão mentorias gratuitas e se conectarão aos maiores players de empreendedorismo do Brasil.

Sobre o InovAtiva Brasil

O InovAtiva Brasil é um programa gratuito de conexão e aceleração de negócios inovadores de qualquer setor e região do Brasil, realizado pelo Ministério da Economia e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com execução da Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (CERTI). O programa oferece mentorias, visibilidade às startups e conexão com investidores, grandes empresas e parceiros. Entre 2013 e 2018, mais de 2000 startups participaram do programa e cerca de 930 delas chegaram à fase de apresentar suas startups em bancas presenciais com investidores.

Empreendedores brasileiros ultrapassam a marca de 8 milhões

O estudo da consultoria McKinsey, realizado em parceria com o evento Brazil at Silicon Valley, apontou que o Brasil é um país empreendedor, com 39% de sua população economicamente ativa dona do seu próprio negócio. Nos últimos cinco anos, o número de MEIs no país cresceu mais de 120%.

Em 2018, segundo o Serasa Experian, foram abertas 2,5 milhões de novas empresas, sendo que 81,4% destas são MEIs. Elas faturaram até R$ 81 mil por ano (ou R$ 6,7 mil por mês) e tinham no máximo um funcionário. Hoje, os pequenos negócios (que incluem microempreendedores individuais, micro e pequenas empresas e produtores rurais) correspondem a mais de 99% das empresas brasileiras.

Apenas nos quatro primeiros meses do ano, o Brasil ganhou mais de 525 mil novos microempreendedores individuais (MEIs), fazendo com que o número de donos do próprio negócio ultrapassasse a marca de 8 milhões, fechando abril com 8.301.074 cadastros, segundo dados do Portal do Empreendedor do Governo Federal.

De acordo com o Serasa Experian, 81,1% dos jovens que empreenderam montou sua empresa do zero; 15,4% herdaram o empreendimento de um familiar; e apenas 3,2% compraram. Contudo, eles representam apenas 22% do total de empreendedores brasileiros. A maior parte é formada por pessoas de 31 a 40 anos (31%).

Segundo dados do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), a maioria dos empreendedores brasileiros é do sexo masculino (28 milhões), mas o país conta com 24 milhões de mulheres que têm o próprio negócio. Isso faz com que elas representem a sétima maior proporção do mulheres empreendedoras do mundo.

Esses dados mostram que o empreendedorismo no Brasil está em franca expansão. Por isso, se tiver uma ideia inovadora, coloque-a em prática! Suas chances de ser bem sucedido se administrar bem o negócio são enormes.

Conheças as implicações jurídicas de cada modalidade de investimento

*Por Luiz Sibahi e Michel Cury

Não basta ter uma boa ideia, o empreendedor precisa saber como colocar em prática e fazer seu plano funcionar, planejando e organizando toda a sua atividade, o que implica em pensar na gestão, pessoal, processos e produtos que serão utilizados no desenvolvimento de sua operação.

Além de toda essa estruturação técnica, há a necessidade básica de financiamento, alinhado com os propósitos do negócio.

Em geral, uma Startup passa por várias etapas durante seu desenvolvimento, cada qual comum tipo de financiamento mais adequado. A forma que o empreendedor irá escolher para bancar os custos de suas atividades irá variar não só pela natureza de sua operação, como também pela maturidade do negócio.

Importante lembrar que não há uma definição rígida para cada tipo de financiamento, como se uma determinada forma fosse aplicável apenas para certo momento. As peculiaridades do caso concreto são sempre fluídas, e por isso é recomendável que tanto a escolha como a negociação que a empresa enfrentará sejam devidamente assessoradas por um especialista. Neste artigo, pretendemos abordar as principais formas de financiamento que uma Startup pode utilizar, e as eventuais implicações jurídicas a elas relacionadas.

Assim, elencamos as diferentes formas de financiamento de uma Startup associando um determinado momento de sua trajetória, mas com a ressalva de que não se trata de algo rígido. Além disso, iremos entender quais são os principais riscos e vantagens do ponto de vista jurídico a elas relacionadas.

Recursos Informais

Podemos chamar de recursos informais aqueles obtidos com parentes ou amigos, geralmente no início da operação. É uma opção preferível para “botar de pé” a empresa sem comprometer grandes quantias ou enfrentar o custo de um financiamento. Em um contexto de confiança, é comum que se recorra às pessoas próximas para obter recursos. Quando se acredita na proposta, então as partes podem celebrar algum tipo de acordo, como um empréstimo, mas que dificilmente é formalizado, justamente por estar dentro de um contexto de pessoalidade.

Nesse caso, junto com a reflexão de envolver pessoas próximas na sua atividade, cabe ao empresário a habilidade de separar as atividades negociais de sua vida pessoal, linha tênue que pode prejudicar não só o futuro da empresa, como a relação das partes, e ainda dar origem à disputas judiciais desgastantes.

Assim, se optar por essa via, é bastante recomendável que o empresário prepare um instrumento jurídico, mesmo que simples, que delimite os principais pontos do acordo celebrado. O fato de se dar algum formalismo à relação não implica em enrijecer sua estrutura, de modo que os benefícios que ela traz, como ausência de juros, prazos longos e reajustáveis, permanece. O que importa aqui é formalizar um documento que clarifique, sobretudo para terceiros, as características da relação que se formou, e garanta segurança jurídica para a empresa.

Empréstimo Bancário

O empréstimo bancário não é uma forma nova de financiar a empresa. Contudo, no atual cenário econômico, pode se tornar não só bastante custoso como de difícil acesso. Primeiro porque muitos dos serviços financeiros oferecidos por um banco trazem quantidades variáveis de taxas e juros, que se acumulam no caso de alguma eventualidade no sucesso da operação. Em segundo lugar, os bancos solicitam garantias, que nem sempre o empresário pode ou deseja oferecer. Por isso, o financiamento bancário é uma opção desaconselhável na fase embrionária da empresa.

Tratam-se de organizações cuja operação é toda formalizada, de modo que, do ponto de vista jurídico, existem duas principais preocupações: os tipos de garantias oferecidas, e os casos de resolução antecipada ou obrigatória dos contratos. Essas hipóteses não consistem em riscos propriamente, mas são os pontos de atenção que qualquer investidor irá observar quando analisar os contratos da Startup. Por isso, é preciso prestar bastante atenção para não oferecer garantias essenciais ao negócio, ou aceitar condições resolutivas abusivas.

Crowdfunding

O crowdfunding é uma forma bastante recente de financiamento, pela qual um grupo relativamente anônimo se dispõe a financiar um projeto, com ou sem contrapartidas – como um produto ou serviço oferecido pela empresa. Também chamada de “financiamento coletivo”, ele é usado para todo tipo de empreendimento, não apenas Startups. Em geral, o sucesso desses projetos depende de um apelo social e de um grande impacto, capaz de fazer as pessoas se engajarem nele. Se bem-sucedido, tem um custo relativamente baixo para levantar a empresa com uma contrapartida adequada.

Apesar de bastante sedutor, o financiamento coletivo sofre do mesmo problema que a obtenção de recursos informais: a falta de segurança jurídica. Assim, a maior atenção reside na falta da devida preocupação formal, que se mostra ainda mais complexa, pois deve abranger além de questões societárias, também de propriedade intelectual.
A sugestão, portanto, é buscar se precaver, principalmente em plataformas digitais de financiamento, por meio de acordos de confidencialidade, pelo qual se possa responsabilizar por qualquer dano sofrido.

Investimento anjo

A figura do investimento anjo foi regulada pela Lei Complementar 155/2016. Você pode ler um artigo específico e mais detalhado apenas sobre essa lei clicando neste link.

Na forma da Lei, o investidor-anjo é separado da administração da empresa, e seu aporte fica fora do capital social, o que significa que ele não pode ser responsabilizado legalmente pelas obrigações da empresa. Apesar de diminuir os riscos, a Lei estabelece limites para esse tipo investimento, o pode acabar engessando a relação.

Na prática do mercado, contudo, muitas vezes a Startup busca um investidor que possa contribuir na atividade da empresa, além de aportar recursos, vulgarmente também chamado de investidor-anjo. Nesse caso, o investimento não precisa respeitar os termos da Lei, mas também não recebe sua proteção.

Fundos de Investimento: Seed Capital, Venture Capital e Private Equity

A empresa pode levar um tempo variável até confirmar sua viabilidade econômica. Quando a Startup alcança um patamar mais robusto e já possui estrutura, faturamento e pessoal, já é possível dar um passo além na busca por maiores projetos. Contudo, mesmo com um faturamento que chegue à casa dos milhões, ainda há uma grande imprevisibilidade e riscos econômicos que os possíveis investidores levam em conta.

Os fundos de investimentos acabam se especializando em determinadas etapas do desenvolvimento das empresas, em relação ao tipo de aporte que desejam fazer. Com base nessa perspectiva os fundos de investimento recebem sua denominação. O Seed Capital por ter como objetivo empresas ainda em etapa inicial e precisam de investimento; o Venture Capital é um tradicional capital de risco, que apostam num gap de grande valorização; e os fundos de Private Equity buscam empresas substancialmente maiores para investir.

Vemos então que, apesar da diferença na estratégia econômica, os três são muito próximos do ponto de vista da estratégia jurídica. Todos eles são caracterizados pela mesma formalidade, inexistindo grandes diferenças na técnica jurídica que será operacionalizada nos aportes feitos.

Do ponto de vista legal, podemos falar em um “ritual jurídico” seguido pelos Fundos de Investimento. Todo esse ritual, inclusive pelo tamanho das empresas, deve ser sempre negociado junto de assessores legais devidamente capacitados. Os principais documentos que compõem esse processo são: Acordo de Confidencialidade, Termo de Compromisso, Carta de Intenções, Memorando de Entendimentos. Esses documentos preparam a entrada do Fundo na empresa, que deverá executar uma diligência legal para apurar detalhes e então executar os documentos finais. Assim, finalmente, pode-se chegar a um acordo de Compra e Venda, ou um Acordo de Subscrição de novas ações, assim como um Acordo de Acionistas, dependendo do que for negociado.

Em todas essas etapas, o empreendedor deve estar preparado para negociação e saber se proteger de qualquer eventualidade. Por isso, a assessoria especializada faz diferença, desde o primeiro estágio de uma Startup, quando busca os primeiros recursos, durante seu desenvolvimento, até nas etapas mais avançadas, como uma operação de fusão ou aquisição.

* Luiz Sibahi é advogado na área de direito societário e M&A da FTCS Advogados, mestrando em Filosofia do Direito pela Universidade de São Paulo – USP, formado pela Universidade de São Paulo – USP.

* Michel Cury é sócio do escritório FTCS Advogados, pós-graduando pela Stanford University em Strategic Decision and Risk Management, mestre em Direito pela Universidade de São Paulo – USP, é mentor do programa InovAtiva Brasil.

Para ler outro artigo da dupla acesse aqui.

O risco de investir em startups

* Por João Kepler Braga

Muitos empresários e executivos de mercado me perguntam qual o risco de investir em Startups, se vale mesmo a pena, se o retorno pode ser melhor que o investimento padrão, como renda fixa, por exemplo. Pois bem, minha resposta é: SIM e NÃO, porque é de fato um investimento de RISCO, por isso DEPENDE basicamente em QUEM você vai apostar o seu dinheiro, a senha para esse tipo de investimento é ASSERTIVIDADE.

E convenhamos que acertar sempre não é uma tarefa das mais fáceis, por isso, a prática e conhecimento do mercado é essencial para evitar erros desnecessários e apostas furadas. Justamente por se tratar de um investimento de risco, assim como qualquer outro, o ideal é que o investidor nunca comprometa suas reservas por completo ou se desfaça de bens para investir em um negócio que não lhe ofereça garantia de retorno positivo. Não é preciso ser nenhum milionário para investir em startups, mas também não aconselho ninguém a fazer loucuras, principalmente aqueles que esperam retornos altos e em pouco tempo.

Para tornar essa tarefa relativamente mais fácil, alguns pontos cruciais precisam ser analisados tais como: os empreendedores, modelo de negócio, validação, mercado, escala, burn rate, rateio do investimento solicitado, faturamento, margem e saídas futuras, nessa ordem. Mas atenção! Mesmo que esses pontos sejam bons, não adianta investir em qualquer oportunidade, mesmo que ele esteja aparecendo na mídia, seja uma “promessa” futura, que pareça infalível, imperdível e muito incrível aos olhos de “todo mundo”.

Quando se trata de investimento e principalmente do SEU dinheiro, é preciso ir além do óbvio para acertar. O importante é selecionar bem, usar filtros e métricas, verificar pessoalmente a validação no mercado, se é essencial, se resolve realmente um problema, ouvir opinião de especialistas na área e segmento e claro, principalmente seguir quem tem faro, feeling e muita experiência no assunto.

Pode ser ainda que você já tenha experiência na bolsa de valores e busque uma nova opção para diversificar seu capital. Qualquer que seja o seu motivo, a verdade é que você não terá acesso direto a uma startup, por isso co-investir com anjos mais experientes é a principal alternativa para 99% dos investidores em startups. Isso significa também que mesmo que você tenha muito dinheiro e esteja disposto a sair investindo em vários negócios ao mesmo tempo é importante fazer a diligência do de cada um que se pretende investir. E é fundamental conhecer com quem se está investindo, porque o líder da rodada está investindo? Qual é o seu histórico de sucesso? Que valor ele, e outros co-investidores já comprometidos agregam a startup?

Por mais estranho que possa parecer, nem todo mundo investe em uma empresa para ganhar dinheiro (busca por resultados sociais e/ou ambientais). E mesmo quando o objetivo é estritamente financeiro, as pessoas têm expectativas diferentes em relação ao retorno: alguns se dão por satisfeito com retornos na casa de 5x a 10x, outros só investem quando o potencial é de pelo menos 20x o capital aportado. Por isso, o primeiro passo para quem deseja investir é saber quanto você pode direcionar para aquele negócio, mas antes disso é preciso ter total consciência de que qual retorno você terá (se tudo sair como esperado) e em quanto tempo. Muitos investidores ainda se decepcionam hoje em dia porque literalmente apostam em ilusões, não avaliam as reais condições e situação do negócio. Pense bem no que você quer e como pretende conseguir para não entrar para o time dos frustrados.

* João Kepler Braga, Lead Partner da DealMatch e mentor/investidor do Programa InovAtiva Brasil desde 2015.

Investimento anjo: 7 formas de NÃO conseguir um

Por William Ribeiro *

Sim, o título é intencionalmente provocativo. Existe uma maneira bastante eficiente de não se conseguir um investimento-anjo: basta você não querer um. O objetivo deste artigo é evitar o desgaste e perda de tempo ao se contatar um investidor-anjo sem o devido preparo dos empreendedores. Muitas vezes, os fundadores inexperientes que precisam (ou acham que precisam) de dinheiro para impulsionar a sua startup, acabam por minar as chances de investimento simplesmente por não fazerem o dever de casa previamente.

Alguns dos problemas abaixo não chegam a ser um pecado mortal. Os anjos existem justamente para se dar o direcionamento para o empreendedor. Mas, convenhamos, o dinheiro do investidor não está desesperado para ser investido. Criar uma startup de sucesso é algo de altíssimo risco, o que faz do investimento nelas, necessariamente, bastante arriscado para o investidor.

Sendo assim, tenha certeza: o investidor irá avaliar muitas opções de startups. Mesmo aquela julgada por ele como potencial alvo de investimento, será bastante investigada.

Então, por que desgastar o contato com o investidor, logo no início do “namoro”? Como criador da startup, seu objetivo é conquistar o investidor, mostrando-se transparente, dedicado e preparado para ser investido.
Caso você NÃO queira receber um investimento-anjo, é só seguir os passos abaixo. Acredite: funciona mesmo.

Erro #1: Peça para o investidor assinar um NDA para você mostrar a sua ideia

Este é o primeiro e mais clássico dos erros.

Analise a coisa pela ótica do investidor: ele vê centenas (às vezes, milhares) de pitches. Fatalmente, as ideias se repetem de uma banca para a outra. Ele está investindo ou dá mentorias em startups que podem pivotar o modelo de negócios, eventualmente coincidindo com a ideia de outras startups.

Que sentido teria, para ele, assinar um contrato de confidencialidade com você? No começo, se existe algum ponto que você não queira abrir, mas ainda assim o seu negócio possa ser entendido, tudo bem. Você pode tentar omitir o pulo do gato, correndo o risco de o investidor achar que você não sabe como resolver o problema.

Os empreendedores precisam parar de pensar nas ideias e focar na execução do negócio. Será mesmo que sua ideia é tão genial, que não pode ser falada para ninguém? Talvez nem para os investidores ou até mesmo para seus clientes (risos)?

Costuma-se dizer que, em investimento-anjo, apostamos nos jóqueis e não nos cavalos. Mais do que na ideia, estamos interessados nos empreendedores: especificamente na probabilidade de se entregar o produto ou serviço que foi concebido na fase de ideação.

Queremos diminuir o risco do nosso capital, investindo somente em quem tem condições de entregar e aproveitar, mercadologicamente falando, o produto.

Em um mundo com 7 bilhões de pessoas, é um ato racional e de humildade não se achar um gênio da lâmpada. Mesmo os Bill Gates da vida, além de gênios, mostraram uma capacidade de realização incrível para terem sucesso nos seus negócios.

Esqueça, então, o pretenso pioneirismo da sua ideia. Google não foi o primeiro buscador, Facebook não foi a primeira rede social. Em muitos casos, o sucesso veio justamente por virem depois dos pioneiros, surfando na onda de erros e acertos do desbravador do mercado.

Falando em ideias, eis outro problema…

Erro #2: Eu tenho uma ideia! Vou procurar um investidor-anjo para tirá-la do papel!

O erro aqui pode ser o fato de você estar no país errado. Até pode ser possível obter investidores na fase de ideação, mas desconheço iniciativas neste estágio no Brasil.

Existe uma única exceção, em que eu faria o investimento: se a solução for de grande impacto e os empreendedores forem de reconhecida excelência na execução de suas funções. Eventualmente, os fundadores podem ser conhecidos de trabalhos anteriores, configurando uma situação em que o investidor consegue mitigar os maiores riscos de se investir na fase embrionária da startup.

Salvos estes casos, esqueça. Via de regra, você não precisa de investimento-anjo nesta fase. A maioria das soluções pode ser feita e testada dentro de casa mesmo. Mesmo quando é necessário algum dinheiro para a fase de prototipagem (como acontece nas startups de hardware) é de bom tom que os empreendedores empenhem dinheiro próprio para se realizar.

Se configura, nestes casos, o maior interesse dos próprios fundadores no sucesso do negócio. Esta é a premissa básica do sucesso de um investimento-anjo: se os fundadores, majoritários que são, não são os maiores interessados no êxito do negócio, o anjo deveria ser?

Antes de procurar um anjo, mostre pra ele que você consegue fazer um protótipo e que ele seria aceito pelo mercado, através de pequenos testes de aceitação.

Outro exemplo de erro clássico e mortal, que não contribui para demonstrar interesse do empreendedor no negócio, é quando ninguém está disposto a trabalhar em tempo integral na startup. Até pode ser um cenário inicial de um negócio, mas como pedir para que alguém aposte, investindo dinheiro na sua empresa, se nenhum fundador acredita realmente no negócio, a ponto de abandonar seu emprego?

Não tenha a ilusão que o seu dinheiro vale mais do que o dos outros. Se você mesmo duvida que pode conseguir, por que esperar que o anjo assuma esse risco por você?

Erro #3: Nossa equipe é formada apenas por desenvolvedores!

Fazendo novamente o exercício de se colocar na pele do investidor: qual a chance de se vender um produto, com todo mundo sentado, fazendo linhas de código? Você investiria em uma empresa que só tem “produção” e ninguém tem a função de vender?

Se o empreendedor pretende delegar a função de vendedor a um funcionário a ser contratado, temos um outro erro. É primordial que pelo menos um dos fundadores tenha o conhecimento comercial do negócio, para não dizer que este é o principal patrimônio de qualquer empresa.

Então, não faz sentido gastar o dinheiro do investidor em um funcionário que iria exercer uma função que deveria ser feita, pelo menos inicialmente, pelos donos da empresa.

Ao conversar com clientes, negociando e apresentando produtos, é incrível os insights de negócio, valores percebidos pelos clientes, possibilidades de pivotagem do negócio e de features de desenvolvimento que são conseguidos.

Se todos empreendedores têm a formação técnica, trate de identificar quem teria vontade, perfil, habilidades de comunicação e negociação para atuar no comercial da empresa.

Lembre-se que o anjo não será o vendedor da empresa! Alguém tem que fazer este trabalho.
Caso não haja ninguém com esse perfil na sua startup, você provavelmente não fez um bom trabalho ao escolher as pessoas para ser sócio. Não há a complementaridade necessária para tocar as diversas funções de um negócio. Alguns livros sugerem o seguinte modelo de composição societária numa startup:

  • Hacker: É a pessoa dos bits. O fera da programação. Faz tudo impecável, nos backgrounds da coisa.

  • Hipster: Faz com que o trabalho do Hacker pareça a coisa mais legal do mundo, mas para o usuário comum! É o mestre do design.

  • Hustler: É o porta-voz do grupo. Se o hacker gosta dos bastidores, o Hustler adora o palco. É o marqueteiro do nosso grupo. Sobra para o Hustler as funções de vendas, construção de parcerias comerciais, etc.

Este é o perfil geral, com as funções se misturando algumas vezes. Lembrando que deve sobrar para alguém fazer a máquina girar: cuidar das finanças, fornecedores, gestão do negócio, etc…

Times equilibrados, com um fundador técnico e outro voltado a negócios, tendem a levantar 30% mais capital.

Erro#4: Não temos desenvolvedores na nossa startup. Vamos terceirizar esta parte!

Por definição, ao trabalhar com soluções disruptivas, as startups são empreitadas de alto risco. Nem mesmo o investidor-anjo pode ser capaz de prever o melhor feature a ser desenvolvido. Aliás, o negócio pode até mudar totalmente, durante o processo.

Então, flexibilidade é a alma do negócio. Mudar, testar, mudar novamente…. Esse é o jogo.
Agora imagine se o investidor gostaria de empenhar todo o seu rico dinheirinho para um terceiro desenvolver a solução, a cada vez que se detecte uma necessidade de mudança.

No começo, a condição ideal é que estes custos sejam pagos pelo trabalho do empreendedor. O dinheiro do investidor será muito mais útil se destinado, pelo menos em maior parte, para marketing e promoção dos produtos.

Erro#5: Minha ideia é demais!!! Viva!! Prêmios, Mídia, oba-oba!!!

Eu defendo que nenhuma startup deveria ser criada com o primeiro propósito de dar dinheiro. Pode parecer antagônico ouvir isto de um investidor, mas não é. Isto porque é muito difícil enxergar dinheiro antes (ou até na) disruptura. Formas de monetização certamente virão, se o negócio efetivamente resolver o problema das pessoas de uma maneira eficiente.

O que é muito diferente de não ter um plano ou desejo de monetizar a startup. Uma vez verificado que a solução é excelente ao atender um problema do cliente, automaticamente a monetização deve ser discutida. Você pode optar por não usá-la no início, priorizando a captação de usuários. Mas um plano de monetização sempre deve existir e ser disparado ao tempo correto.

Existe uma grande glamourização do empreendedorismo em startups. Prêmios em dinheiro e de reconhecimento, programas de aceleração, festas, encontros, eventos, programas no Vale do Silício, etc…

Claro que tudo isto, a seu tempo e de forma moderada, pode ser interessante. Mas chega a ser incrível dizer isso: alguém da empresa tem que querer ganhar dinheiro. Mudar o mundo é legal, festejar é mais ainda. Mas quem paga as contas, afinal: só o dinheiro do investidor?

Uma startup que não tenha ninguém que ame a ideia a ponto de promovê-la, não merece ser investida. Muito melhor uma ideia razoável, com as métricas de conversão e vendas rodando com excelência, do que uma ideia maravilhosa encravada na tela do computador.

Startups são, acima de tudo, empresas. Se nenhum empreendedor dela gosta de ganhar, o investidor tem horror a perder dinheiro no que não vale a pena. Melhor investir em outra startup.

Erro#6: Precisamos de dinheiro! Não sei pra que, mas precisamos!

Aqui mora um erro inclusive que atinge inclusive muitos investidores iniciantes. Algumas vezes, a ideia é boa, os empreendedores são fantásticos. Por ser uma combinação perfeita e bastante rara, o investidor já sai abrindo a carteira.

Acontece que, sem uma validação mínima de custos de aquisição de usuário, qualquer previsão é um mero chute. Não é raro ver a previsão de burn rate do dinheiro do investidor como uma linha do excel que segue fixa ou cresce “x” mil reais por mês.

Via de regra, a maior parte do dinheiro do investidor será usada para captar mais clientes. E, não havendo planejamento, o risco de o dinheiro acabar em um tempo (runway) menor que o planejado, cresce muito. Em condições extremas, o negócio mostra-se inviável, justamente por apresentar o custo de aquisição maior do que os valores a serem desprendidos pelo cliente.

Com um MVP na mão (às vezes até antes disso), é possível estimar os custos de captura de um cliente e fazer pequenos experimentos de tração. Geralmente não é necessário um investidor-anjo para isso. Custa pouco dinheiro e mostra dedicação, conhecimento do negócio e preparo por parte dos empreendedores.

Um investidor-anjo quer uma empresa que tenha ideia de quem são, quanto custa captar e quanto pagam os seus clientes. Então, entender de Unit Economics faz parte do dever de casa de um empreendedor que deseja um investidor anjo capacitado para o seu negócio.

#Erro 7: Meu Pitch (mesmo cheio de clichês) está fera!!!

Quem participa de bancas de startups já sabe de cor os principais clichês de um pitch. Aliás, eu acho o pitch um negócio chato pra caramba. Ou tem os erros crassos, que vamos falar na sequência, ou é tão lindo, treinado e decorado que dá vontade de namorar o empreendedor. Nunca ouvi falar em ninguém que investiu com base no pitch, embora o misticismo do pitch de elevador leva a crer nesta falácia. Nada substitui uma boa conversa, olho no olho, com os empreendedores.

Tirando estes pitches lindos de morrer, temos também aqueles de se morrer de raiva. Em toda banca de startups aparece essas coisas – se você tem algo assim no seu pitch, trate logo de resolver:

  • “Não tenho concorrentes”. Ué, seu mercado é tão ruim assim que mais ninguém quer saber disso? Geralmente não é o caso: concorrentes indiretos sempre existem. Com mais probabilidade, os diretos também estão aí. Preguiça ou negligência do empreendedor.
  • Tabela de comparativos de features só com “checks” em verde para a startups. Os concorrentes estabelecidos, por uma razão ilógica ou inexplicável, não fazem nada do que a startup se propõe a fazer. Mais honesto seria elencar o que os concorrentes estão fazendo, mesmo que coincida com alguma funcionalidade do projeto.
  • “Meu mercado é de 18 bilhões de reais”, poderia dizer uma startup que traga alguma solução para pets. Coisa linda. Ignora-se, porém, que quase 70% disso é ração e alimentos. A conta deveria começar por este número, partindo-se então para o nicho a ser atingido, etc.
  • “Se atingirmos apenas 1% deste mercado… porque somos conservadores!” Hum…. Virou um mantra para convencer alguém que nada pode dar errado com a startup. Afinal, o que é 1%, não é? Metas são boas quando são ousadas (será que não estão pensando pequeno demais?), porém factíveis (qual o plano para se atingir esta fatia, pretensamente pequena)?
  • “Nossa empresa (que basicamente se resume a este powerpoint) vale R$180 milhões.” Este milagre de valorização de powerpoint ilude muitos empreendedores e até investidores inadvertidos. Nesta conta, o empreendedor pegou 1% de 18 bilhões e acha que este é o valor de sua empresa. É o empreendedorismo mágico de contos de fada.

Conclusão

Conseguir um investimento-anjo pode ser um fator muito importante de alavancagem para o seu negócio. Contudo, ainda são poucos os investidores individuais dispostos a aportar dinheiro em negócios nascentes, como nas startups.

Mesmo quando há sinergia entre investidor e empresa, o processo até a liberação dos recursos geralmente é burocrático e extenso.

Por estas razões, recomenda-se que os fundadores e suas empresas estejam preparados para maximizar as chances e resultados do processo de investimento.

Mas o que fazer quando se acha um anjo em potencial, mas você ainda não desenvolveu ou validou o seu produto? De acordo com as palavras da própria Anjos do Brasil:

“Nos mercados mais consolidados, a figura do advisor é muito forte. Não necessariamente para captar dinheiro, mas para ajudar a entender a necessidade do negócio. No momento certo, ele próprio pode se tornar um investidor.”
Verifique se sua startup tem um “fit” com a tese de investimentos do anjo. Ofereça para o investidor a possibilidade de envio de relatórios de progresso de sua startup. Todo investidor gosta de ver uma empresa trabalhando direito e tracionando o seu negócio.

Não deixe de responder para o investidor. Não se esqueça do anjo e não deixe o anjo esquecer da sua startup.

Ideias disruptivas requerem investimentos, muito maiores do que temos atualmente no Brasil. Para isso, é preciso que startups e investidores-anjo caminhem juntos em um processo de profissionalização desta relação, mitigando riscos, prezando transparência, governança e cumplicidade entre as partes envolvidas.

Só então poderemos começar a construir um ecossistema de startups exuberante e próspero, na mesma proporção das ideias que são criadas por aqui.

* William Ribeiro é engenheiro da Computação pelo INATEL, com MBA em Gestão Empresarial pela FGV. Criou e dirigiu por 15 anos a empresa RWTECH. É educador financeiro (Minha Vida Nova), empresário e investidor.

inovativa@inovativabrasil.com.br