Posts

Healthtechs: tendências e destaque do semestre

No mês de agosto comemoramos no Brasil o Dia Mundial da Saúde. Para celebrar a ocasião da nossa forma InovAtiva, vamos explorar um pouco o assunto das healthtechs – as startups que prometem revolucionar a área da saúde no Brasil e no mundo.

Para falar sobre o tema, contamos com a participação de Alexandre Hashimoto, mentor InovAtiva com 12 anos de experiência na área da saúde e CEO da Health Prime, consultoria especializada no desenvolvimento e gestão de projetos de sustentabilidade para negócios.

“Se tratando de qualquer tipo de negócio, a inovação está baseada naquilo que eu chamo de ‘tripé do futuro das organizações’, que consiste no desenvolvimento estratégico pautado em sustentabilidade, experiência do cliente e transformação digital”, afirma o mentor.

Atuação na saúde e na pandemia

Mais especificamente sobre a área da saúde, as healthtechs podem atuar em três frentes: prevenção, diagnóstico e tratamento. “Para se destacar no mercado, as soluções precisam focar em facilitar a vida do cliente”, explica, complementando que costuma usar o termo “clientes” porque as startups não somente tratam com pacientes, mas também se relacionam com equipes hospitalares e de outros serviços de saúde.

Estas empresas devem estar intimamente ligadas à pesquisa e desenvolvimento, ter uma base tecnológica forte e também precisam atuar no que chama de “diversos gargalos de nosso sistema de saúde”: “não adianta desenvolver soluções que funcionam maravilhosamente bem em um hospital de ponta, mas que não consigam se adequar a serviços com recursos limitados.”

O profissional nota tendências nas healthtechs mais bem-sucedidas no mercado nacional e internacional. Entre elas, Alexandre aponta a utilização de inteligência artificial, internet das coisas, realidade virtual e aumentada, e a cirurgia robótica. “Hoje vemos muitas empresas utilizando Big Data. As tomadas de decisão não são mais baseadas em pesquisas de opinião, mas no tratamento e análise de dados em grande escala”, observa.

Alexandre concorda com outros mentores do hub quando questionado sobre as inovações tecnológicas no período da pandemia da Covid-19. “Embora muita gente acredite que a telemedicina e o trabalho remoto tenham surgido agora, o movimento de transformação digital só foi acelerado em razão dessa urgência”, discorre sobre a pesquisa já realizada anteriormente não somente na área da saúde, mas em todos os segmentos de mercado.

No entanto, reconhece as healthtechs como fundamentais na assistência da população neste momento de crise sanitária. Como exemplos, ele menciona os atendimentos remotos, que permitiram o acesso a diagnóstico e tratamento evitando aglomerações, as plataformas de reuniões virtuais que mantiveram a conexão e engajamento de equipes de apoio e administrativas, além da inteligência artificial que apoiou processos de pré-triagem para atendimentos médicos.

O negócio das healthtechs

O ecossistema de inovação na saúde tem seus “players” específicos. Para o mentor, os principais agentes que podem acelerar ou represar o crescimento das healthtechs são os governos e órgãos reguladores. No Brasil, ele menciona o Ministério da Saúde, a Agência Nacional da Vigilância Sanitária e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). “Estes órgãos regulam todo o ecossistema de saúde brasileiro, desde prestadores de serviços a grandes hospitais.”

“Os hubs de inovação são fundamentais para fomentar o desenvolvimento das healthtechs, mas também existem hospitais tradicionais como o Albert Einstein, que já tem uma cultura robusta de inovação aberta e parcerias com startups”, diz.

Mentoria especializada em saúde

Em suas mentorias no InovAtiva Brasil, Alexandre comenta uma lacuna central que observa dentre muitos negócios inovadores que teve contato. “Falta total clareza quanto ao modelo de negócio e o momento da empresa com relação ao mercado. Muitos empreendedores já estão pensando em rodadas de investimento sem ao menos validar suas soluções: uma etapa indispensável no processo.”

“Dificilmente um investidor embarca no seu empreendimento se ele não entende perfeitamente qual é o seu objetivo”, continua. Segundo o profissional, é indispensável que o empreendedor tenha um planejamento claro, modelagem financeira e também deve delimitar o potencial de mercado. “Construa uma rede de contatos ampla e qualificada no segmento e desenvolva seu pitch constantemente. É preciso saber vender o que a sua empresa pode resolver de forma simples e objetiva.”

Outra questão a ser definida é se a startup trabalha unicamente com uma solução com alto potencial de escalabilidade e lucro, ou se ela almeja ser parte de um contexto de saúde pública. “Isso muda completamente o modelo de negócio da empresa, as parcerias que o empreendedor vai buscar, o público consumidor e a acessibilidade que ela deve proporcionar.”

Uma healthtech para ficar de olho

Startup destaque no InovAtiva Experience 2021.1, a Vigilantes do Sono é uma healthtech que promete revolucionar os padrões de descanso do usuário, dispensando completamente o uso de remédios. Sua solução se baseia em uma Terapia Cognitivo-Comportamental para insônia embasado em mudanças de hábito, agindo, então, nas causas da insônia.

Prontlife ajuda no combate ao Covid-19 por meio de autoavaliação de pacientes

Acelerada em 2016 pelo programa de aceleração InovAtiva Brasil, a Prontlife lançou um aplicativo para o diagnóstico do novo coronavírus. Nessa ferramenta, o paciente atualiza com seus sintomas e a plataforma indica o que ele deve fazer com base nos protocolos da doença e em seu prontuário médico. Tudo isso numa nuvem segura, compartilhada com sua equipe médica credenciada.

“Na autoavaliação do novo coronavírus pedimos para o paciente informar todos os seus sintomas, sinais de alarme (Snomed), se é do grupo de risco (CID-10), suas medidas (pressão arterial, temperatura, peso, altura, entre outras), geolocalização, sexo, idade e tipo sanguíneo. A partir destas informações, um algoritmo de risco presente na plataforma, baseado no Ministério da Saúde, orienta sobre o que o paciente deve fazer e o coloca em contato com a Central de Saúde para que ele tire suas dúvidas”, explica Assis.

A ProntLife é a desenvolvedora de um Prontuário Eletrônico Inteligente que, com protocolos clínicos customizáveis, integra profissionais de saúde e pacientes em uma única plataforma. Com a ferramenta é possível acompanhar o histórico clínico de uma pessoa, desde doenças já contraídas, alergias apresentadas e exames, até as vacinas tomadas e consultas realizadas.

“A estruturação do ProntLife permite uma análise estratégica de dados (Analytics) e interoperabilidade. A partir do histórico de saúde, temos dados clínicos de doenças (CID-10), queixas (CIAP-2), medicamentos (Anvisa), Procedimentos e Exames (TUSS e LOINC), sinais vitais e queixas (Snomed CT)”, afirma André Assis, médico, sócio-fundador e CEO da ProntLife.

Como todas as informações coletadas ficam armazenadas no banco de dados da ferramenta, a ProntLife também consegue fornecer gráficos relativos às doenças mais comuns entre os pacientes que utilizam a plataforma, locais com o maior índice de enfermidades, entre outros elementos que podem auxiliar a monitorar o sistema de saúde brasileiro com mais facilidade.

Health techs ajudam preservar a saúde das pessoas e oferecem soluções para o público B2C

Segundo a Associação Brasileira de Startups (Abstartups), o Brasil é o maior mercado de saúde da América Latina e o sétimo maior do mundo, com mais de US$ 42 bilhões gastos anualmente em cuidados de saúde privados. Nesse aquecido setor, soluções tecnológicas vêm conquistando espaço e crescendo com o passar dos anos.

Dados do Startupbase mostram que atualmente temos 353 Health Techs, ou seja, startups focadas em saúde, mapeadas no Brasil. Destas, 46,4% estão em fase de tração e 30% em fase de operação. No InovAtiva Brasil, por exemplo, vemos diversas empresas com soluções inovadoras para esse segmento em busca de aceleração para aprimorar cada vez mais seus produtos e serviços, tudo com objetivo de proporcionar ferramentas eficazes para ajudar a preservar a saúde das pessoas.

Conheça mais dessas startups que buscam revolucionar a maneira como a medicina é feita atualmente:

bHave – plataforma para terapeutas que otimiza o tratamento de pessoas com autismo, criado para profissionais que trabalham com Análise do Comportamento Aplicada;

Ephealth – aplicativo que simplifica e facilita o trabalho dos agentes de saúde. Por meio de seu sistema, os profissionais têm acesso às informações coletadas de toda população, o que facilita na tomada de decisão sobre a saúde do seu munícipio;

Gero360 – solução desenvolvida para rotina de cuidados e para o bem-estar do idoso, que tem como objetivo monitorar os dados vitais e gerenciar os suprimentos, como por exemplo, medicamentos;

NDVIDA – plataforma que ajuda empresas a melhorar a qualidade de vida e bem-estar de seus funcionários;

Pickcells – startup focada na automação de pesquisas laboratoriais. A solução faz diagnósticos com a utilização da visão computacional, trabalhando com um dispositivo que captura imagens e envia para a nuvem para que seus algoritmos possam identificar e direcionar em qual segmento o laboratório deve trabalhar. A ferramenta funciona em tempo real, e é capaz de simplificar o trabalho dos profissionais de saúde e prestar apoio na conduta terapêutica médica;

Prontlife – é um Prontuário Eletrônico Inteligente, customizável, que abrange Protocolos de Especialidades e Patologias, integrando dados clínicos e exames complementares, bem como fotos e exames do paciente;

Turnit Healthcare – uma startup que atua no ramo de equipamentos médico-hospitalares. O negócio iniciou-se com o desenvolvimento de um sistema de monitoramento inteligente para diminuição de lesões por pressão de pacientes acamados.

A sua solução também tem potencial de revolucionar a medicina mundial? Então se inscreva para o próximo ciclo do programa InovAtiva Brasil!

Destaque InovAtiva: projeto da Easythings garante o bem-estar de quem sofre com a hipoglicimia

Tranquilidade para quem convive com a hipoglicemia. É isso que a EasyThings, startup que desenvolve e comercializa soluções que facilitam o dia-a-dia das pessoas, promete. Para garantir esse bem-estar de pacientes que sofrem com a doença, a empresa criou o EasyGlic, aparelho similar a um smartwatch que detecta reduções repentinas nos níveis de glicose no sistema sanguíneo e alerta o usuário sobre possíveis sinais desse estado de saúde.

Ficou curioso para saber mais sobre essa tecnologia? Nós também! Por isso, entrevistamos Egmar Rocha, CEO da empresa. Veja abaixo o que ele nos contou:

1- Conte sobre a trajetória da sua empresa. Quando vocês começaram?

Ativa desde março de 2015, a EasyThings iniciou sua trajetória na Universidade de Brasília, onde ficou incubada até 2017. No ano seguinte, foi selecionada para compor o Parque Tecnológico de Brasília, onde está até o momento.

2- O que faz a EasyThings? Qual é o diferencial da startup?

A EasyThings tem sua filosofia em seu próprio nome, ou seja, a empresa foi criada para buscar soluções que facilitem o dia-a-dia das pessoas. Como primeiro produto, foi desenvolvido um bracelete, batizado de EasyGlic, capaz de monitorar e detectar alterações corporais compatíveis com crises de hipoglicemia. O dispositivo emite um alerta antes que a crise se instale e, em casos de emergência (perda de consciência), dispara um aviso remoto para contatos escolhidos pelo usuário.

Atualmente estamos trabalhando em parceria com a Universidade de Brasília no desenvolvimento de um dispositivo voltado à aceleração da cicatrização de úlceras provocadas pela diabetes.

3- Quantos clientes possui atualmente? Tem algum case de sucesso?

Realizamos uma pré-venda de 135 unidades do EasyGlic como ensaio, para testar alguns parâmetros da comercialização. Tivemos alguns problemas na produção, o que atrasou consideravelmente a entrega desses dois primeiros lotes. Esta situação estará normalizada em breve. Agora estamos com mais de 2.500 pessoas na fila de espera.

4- O que você almeja para o futuro da sua startup?

Vamos acrescentar uma nova funcionalidade ao EasyGlic: um detector de queda que trará maior agilidade para os alertas remotos. Além disso, em um futuro não muito distante, almejamos internacionalizar a empresa e colocar nossos produtos para comercialização em escala global.

5- Quando você participou do InovAtiva Brasil? O que isso agregou para a sua empresa?

Participamos no ciclo 2018.2. As mentorias foram muito bem aproveitadas e estamos utilizando muito do conhecimento repassado para a atualização do modelo de negócio.

6- Com que objetivo você se inscreveu no programa? Conseguiu atingi-lo?

O objetivo principal foi a obtenção de mais conhecimento por meio das mentorias e aconselhamentos, fazer contato e expor nossa solução para um maior número de pessoas. Esses quesitos foram facilmente atendidos com os profissionais de altíssima qualidade com quem conversamos. Além disso, conquistamos algo que nem esperávamos: ficar entre os 12 destaques dentre 82 startups.

7- Você já passou por outros programas de aceleração? Em caso positivo, o que você destaca do InovAtiva em relação aos demais?

Sim. De dezembro de 2016 a setembro de 2017 participamos do Creative Startups e de abril a junho de 2017 estivemos no COTIDIANO Aceleradora. O que destaco no InovAtiva é a qualidade e experiência dos mentores, além do alcance e divulgação alcançados.

Demoday InovAtiva: ProntLife Pesquisa e Inovação em Gestão de Saúde

O ProntLife é um Prontuário Eletrônico Inteligente e customizável, que abrange Protocolos de Especialidades e Patologias, integrando dados clínicos e exames complementares, bem como fotos e exames do paciente. O usuário tem tudo disponível online, sem perder os exames, avaliações clínicas e até prescrições médicas. Isso tudo com usabilidade e acessibilidade em computadores, tablets e smartphones.

A empresa inova ao integrar o Prontuário eletrônico do Paciente (PEP) a protocolos clínicos inteligentes, assim oferece maior agilidade no trabalho médico por fazer uma hipótese diagnóstica. O ProntLife oferece todo protocolo desde exame físico, laboratório e imagem, tratamento e orientações após a alta, com especificações de cuidados integrada ao paciente, agora co-participativo. Permite ao paciente acesso a exames, avaliações clínicas e prescrições, e pode editar em casa seus sinais vitais, pressão arterial e níveis de glicose. Tudo numa nuvem segura, compartilhada com sua equipe médica credenciada.

Em 2016, a empresa foi acelerada pelo InovAtiva Brasil e ficou entre as empresas mais promissoras do mercado na atualidade. Para André Assis, CEO da startup, a aceleração InovAtiva foi necessária para colocar a empresa na direção correta. “Ordem é progresso. Há que se ter foco, terminar a tarefa do momento bem acabada, seja no MVP, planejamento financeiro ou de marketing, trabalho em equipe ou no lançamento de um produto”, comenta.

André ainda destaca a importância da capacitação e mentorias no engrandecimento de sua empresa. “Acima de tudo o foco é sempre a necessidade do cliente, não a vaidade de ‘minha ideia’. Inovar é servir melhor!”, encerra.

inovativa@inovativabrasil.com.br